O dia das crianças é um dia esperado com muita ansiedade por elas. A data, mesmo sendo comercial pode ser revestida de significados que possam ficar gravados na memória dos menores para o resto da vida. O que vale mais, uma lembrança recheada de um gesto de amor e atenção, ou algo super valorizado financeiramente, mas que não proporciona a troca afetiva?
Eu estava em um bazar e ouvi a conversa de uma mãe com suas crianças. Elas estavam comprando seus brinquedos, e a mãe estava ajudando elas a gastarem o que tinham da melhor forma. Chamou-me a atenção como elas tinham a oportunidade de escolher entre uma coisa ou outra, pensando sobre o custo, se já tinham algo parecido e se sobraria algum valor. A cada escolha que faziam, ouvia-se um gritinho de felicidade e ao fazerem as contas e entenderem que poderiam ainda ter outro brinquedo, ficaram mais felizes ainda. A cena continuou, e quando vi que a menina queria levar algo além do que poderiam, a mãe com paciência explicou que aquele valor ultrapassava o proposto. A garota então olhou, entendeu e deixou o brinquedo para procurar outro. Pude presenciar algo além de que uma compra. Vi uma mãe ensinando seus filhos de forma lúdica como ser consumidor, como gerir seu dinheiro e a controlar o desejo de ter suas vontades atendidas. O brinquedo proporcionará alegrias, é claro. Mas a mãe deu além, deu educação, ensinamentos, atenção, que eles levarão para a vida inteira.
Pode parecer estranho falar sobre educação financeira com crianças. No entanto, as crianças são capazes de aprender. Claro que, devemos estar atentos com a fase em que ela está. Respeitando assim sua capacidade de aprendizagem em cada momento. Ela nunca pára de aprender, mas segue construindo seu entendimento evoluindo a cada passo que se encontra. No seu tempo, e segundo vai sendo estimulada. A criança nunca deve ser comparada. Conhecer suas características, estimular suas dificuldades é o melhor caminho. Nem sempre aquele que faz algumas coisas de forma precoce, permanecerá assim. No processo de desenvolvimento, mais a frente, ele poderá estar na mesma fase que outra de sua idade.
Pesquisas realizadas pelo neurocientista francês Michel Desmurget, dão conta de que as novas gerações são menos inteligentes que as anteriores. Segundo ele, isso tem acontecido devido os dispositivos digitais, que tem afetado seriamente o desenvolvimento neural de crianças e jovens. Claro que o QI (Quociente de Inteligência) é afetado por vários fatores, como sistema de saúde, sistema escolar, nutrição entre outros. Dentre as causas, uma que gostaria de focar, é sobre a quantidade das interações intrafamiliares. Elas são essenciais para o desenvolvimento da linguagem e do emocional. Além da diminuição do tempo dedicado para outras atividades, como leitura, música, lição de casa entre outros. Segundo o pesquisador, o tempo gasto diante de uma tela para recreação, atrasa a maturação anatômica e funcional do cérebro em várias redes cognitivas relacionadas à linguagem e a atenção.
É inegável, que vivemos em um mundo digital e que as crianças não podem ficar fora dele. No entanto, a quantidade de tempo despendido para isto, pode causar danos. A falta de diálogo e trocas emocionais entre a família, acabam criando abismos. Entender o que está sentindo, nomear o que passa consigo, só será aprendido com a troca entre os indivíduos. Somente uma família que dedica tempo para conversar, explicar sobre valores e olhar para a criança dentro de sua especificidade, pode proporcionar um crescimento mais saudável.
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