Capacitismo é a discriminação e o preconceito com as pessoas com deficiência. Vivemos em um mundo capacitista, corponormativo onde quem tem qualquer tipo de deficiência é considerado anormal e de alguma forma inferior àqueles que cumprem as exigências desta normatividade.
Penso que tudo aquilo que desumaniza a pessoa com deficiência é uma forma de capacitismo. Tanto o que desqualifica como o que supostamente superqualifica é capacitismo.
Quando dizemos que a pessoa com deficiência é um herói, um exemplo de superação, estamos descaracterizando seu aspecto humano, com limitações e potencialidades como todos os seres humanos. Quando dizemos que autistas são anjos azuis, pessoas com deficiência intelectual são “especiais” ou um atleta paralímpico é herói lhes tiramos o direito de ser unicamente gente, como eu e como tu, em igualdade na nossa condição humana.
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Quando pensamos que vagas de emprego para pessoas com deficiência são favor, estamos supondo que são pessoas com menos capacidade e não contemplamos nem a possibilidade de habilidade até mesmo superior à média e algum aspecto, nem tampouco equivalente. Quando nos dirigimos ao acompanhante de uma pessoa com deficiência e não a ela diretamente, estamos exercendo nosso capacitismo, supondo a incapacidade de responder por si. Quando não perguntamos a pessoa com deficiência se ela precisa de ajuda e partimos para a ação supondo que sim, ela sempre precisa, estamos sendo capacitistas.
Embora a ONU já tenha definido, por convenção em 2006 a deficiência como uma questão não da pessoa em si, mas da sua relação com as barreiras oferecidas pelo meio, seguimos considerando que é à pessoa que falta, não ao entorno. Isto é capacitismo. Segundo dados de 2011, desta mesma organização, um em cada sete pessoas no mundo vive com algum tipo de deficiência. No Brasil, pelo Censo de 2010 são 46 milhões de brasileiros, ou cerca de 24% da população. Precisamos entender a deficiência como mais uma das tantas formas possíveis de se estar no mundo e ouvir a essas pessoas para construção de medidas de acessibilidade em consonância com suas reais necessidades. Não é necessário supor, precisamos escutar.
Quando falamos em viver em um mundo diverso, é isso, um mundo em que cada um possa exercer em plenitude sua cidadania e existência, exatamente como é e não como quem quer que seja, diga que deveria ser.
Deixo hoje aqui meu convite para que você ganhe alguns minutos nesta quarentena assistindo às seguintes TEDx Talks no YouTube: Daniel Gonçalves, Stela Young e Mariana Rosa.
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