Com a pandemia o consultório mudou de endereço. Acabou indo para as casas das pessoas. Tanto do lado do paciente quanto do terapeuta, os cenários mudaram. Desde 2018 o CFP (Conselho Federal de Psicologia) autoriza psicólogos previamente cadastrados a realizar sessões de psicoterapia online. Em 2020 o conselho publicou a resolução n. 04/2020 que regulamentou a prestação de serviços psicológicos por meio da Tecnologia da Informação e da Comunicação em tempos de pandemia. Assim, algumas limitações da resolução anterior foram suspensas temporariamente e a possibilidade do cuidado durante a crise do covid-19 foi flexibilizada. Assim, foi possível se manter os atendimentos mesmo em momentos de isolamento social. Para realizar seu trabalho por meio da tecnologia da informação, é obrigatório que o psicólogo realize um cadastro na plataforma Cadastro e-Psi junto ao seu respectivo Conselho Regional de Psicologia (CRP).
Mas a psicologia online realmente funciona? Pesquisas realizadas demonstram que a terapia online não deixa a desejar a para a presencial. A relação terapêutica não chega a sofrer prejuízos e a efetividade do tratamento tem apresentado dados assertivos. Ou seja, o acolhimento não muda, assim como as intervenções a serem realizadas. A escuta permanece a mesma, bem como a palavra e as trocas realizadas. No entanto, o novo cenário exige cuidados e atenções para alguns pontos. Como a sessão é mediada pela tecnologia, há de se prestar atenção nas plataformas a serem utilizadas. O sigilo continua sendo fundamental, e nesse modelo ele é de corresponsabilidade. Tanto o cliente como o terapeuta, devem organizar um local em que a privacidade deve ser garantida, O acesso a uma internet boa é fundamental, e a certeza de que o paciente saiba utilizar a tecnologia para a realização da sessão.
Outra pergunta que pode surgir é se todos podem realizar a terapia online. Em grande parte sim, mas alguns casos devem ser avaliados pelo psicólogo, por exemplo, alguém que esteja passando por uma urgência ou emergência. É fundamental que o terapeuta analise a viabilidade do atendimento à distância, dentro da sua autonomia e responsabilidade como profissional, bem como o acompanhamento também com um psiquiatra.
Entre possíveis vantagens que possam ser apontadas quanto ao atendimento online está a possibilidade de maior flexibilidade de horários. Muitos aderem a essa forma, por não terem mais a questão do deslocamento para ir presencialmente a um espaço. Acabam ganhando mais tempo para se organizar e poupam a possibilidade de estresse do trânsito. Outros acreditam que se sintam menos inibidos frente a uma webcam, do que falando diretamente com o terapeuta. Mas cada caso é um caso. Outra questão é para aqueles que estão fora do país e queiram ser atendidos por alguém de sua língua de origem, a tecnologia permite isso. Ou apenas em viagens a trabalho.
Entre as maiores dificuldades que possam ser apontadas estão a questão da conexão e da privacidade. Na primeira, o famoso delay (atraso) do áudio e vídeo, assim como outros problemas técnicos podem prejudicar. E na privacidade, é a questão de se ter um local tranqüilo, silencioso que lhe permita falar o que necessita sem medo de que terceiros possam ouvir. Em casos assim muitas soluções criativas tem aparecido, como fazer sessão dentro do carro ou colocar uma música perto do cômodo de quem está em atendimento.
Seja presencial ou online, o atendimento psicoterápico deve ser respaldado pelo Código de Ética profissional do psicólogo. E é importante que o paciente esclareça qualquer tipo de dúvida que vier a ter. Bem como deixar claro como resolverão os possíveis obstáculos que surgirem durante a sessão. Assim, poderá ter o melhor aproveitamento da psicoterapia online.
Comentários: