Repórter Guaibense

Sexta-feira, 08 de Maio de 2026

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COP 28 e previsões rumo ao cenário de “Mad Max 1” - Parte 2

Uma tábua de salvação não é uma linha de chegada

COP 28 e previsões rumo ao cenário de “Mad Max 1” - Parte 2
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Após duas semanas de intensas negociações, a 28ª Conferência do Clima da ONU (COP 28) terminou com uma decisão histórica: pela primeira vez em três décadas de discussões, cerca de 200 países concordaram em eliminar gradualmente os combustíveis fósseis de suas matrizes energéticas. Apesar da decisão ter sido comemorada, há muitas ressalvas para serem implemenadas de fato.

O texto final das negociações, chamado de “Consenso dos Emirados Árabes Unidos”, trouxe importantes avanços para manter ao alcance a meta máxima de aquecimento global em 1,5ºC até 2030.

Reagindo à adoção do documento final, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que a menção ao principal fator causador das alterações climáticas surge após muitos anos de bloqueios da discussão desta questão, pois a era dos combustíveis fósseis deveria encerrar-se com justiça e equidade.

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Para aqueles que se opuseram a uma referência clara à eliminação progressiva dessa fonte de emissão de gases do efeito estufa no texto da COP28, Guterres disse que “a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis é inevitável, gostem ou não. Esperemos que não chegue tarde demais”, acrescentou.

Entre os principais pontos está a menção explícita à necessidade de ouvir e atender a ciência, o compromisso de triplicar as energias renováveis e duplicar a eficiência energética, além de criar uma nova arquitetura para o financiamento climático até 2030.

De acordo com o secretário-geral, os avanços incluem a operacionalização do Fundo para Perdas e Danos, embora os compromissos financeiros sejam muito limitados. 

A parte mais ansiada do documento, era a que mencionava a eliminação dos combustíveis fósseis, já que durante os últimos dias do evento, várias versões do texto foram expressas e desagradaram pela falta de urgência e emergência frente à crise climática.

O que os países vulneráveis esperavam é que a linguagem trouxesse algo como “eliminação gradual dos combustíveis fósseis” - petróleo, gás e carvão mineral, mas que num último momento, foi transcrita como “transição para a saída” do uso de tais fontes de energia, de forma que não era o texto desejado, mas diante da possibilidade de não haver menção qualquer, foi fracamente comemorado.

Um ponto positivo do Consenso dos Emirados Árabes foi a sugestão feita pelo Brasil e acatada pelas partes, a qual estabeleceu que a descarbonização deveá iniciar pelos países ricos, pois são os que possuem os recursos na busca das metas e tecnologias de zero emissões.

O texto, embora comemorado, ainda carece de subsídios, principalmente em relação ao financiamento para transições justas, visto que há certa ambiguidade sobre as fontes de energia que serão usadas nesse processo. 

O chefe das Nações Unidas ainda destacou que se faz necessário muitos esforços conjuntos para proporcionar justiça climática àqueles que estão na linha da frente da crise, ppis segundo ele, “muitos países vulneráveis ​​estão afogados em dívidas e em risco de submergirem com a subida dos mares. É hora de um aumento nas finanças, inclusive para adaptação, perdas e danos e reforma da arquitetura financeira internacional.” Guterres afirmou que o mundo não pode permitir atrasos, indecisão ou meias medidas e insistiu que o multilateralismo continua sendo a melhor esperança da Humanidade.

Em análise dos termos de mitigação, o texto apresenta avanços notáveis:

PONTOS POSITIVOS

PONTOS NEGATIVOS
Os parágrafos 25 a 27 destacam metas de emissões alinhadas ao objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5°C, com reduções específicas até 2035. O pacote de energia carece de sinais fortes de financiamento para transições justas.
O parágrafo 28 traz uma melhoria substancial em sua linguagem, propondo um pacote energético coerente que visa à transição dos combustíveis fósseis e enfatiza a importância de tecnologias de abatimento em setores de difícil mitigação. O parágrafo 29 é ambíguo em relação aos combustíveis de transição.
Além disso, o parágrafo 28 (f) incorpora o compromisso com a redução de metano e o 28 (g) introduz medidas para o transporte rodoviário e veículos de baixa emissão. E a parte de perdas e danos é considerada fraca.
Outras partes destacáveis incluem o reconhecimento da aceleração de tecnologias de baixo carbono (parágrafo 30), a ênfase na proteção e restauração de ecossistemas (parágrafo 33), e o estímulo a soluções baseadas no oceano (parágrafo 35). A exclusão de questões de direitos humanos e gênero, bem como a participação indígena, também são pontos críticos.
Na adaptação, a inclusão de “sistemas alimentares resilientes” é um passo adiante. PONTOS DUVIDOSOS
O financiamento também recebe atenção, com a reforma da arquitetura financeira e o reconhecimento dos riscos climáticos ao sistema financeiro. A linguagem sobre a eliminação de subsídios a combustíveis fósseis é vaga, focando apenas em um subconjunto de subsídios ineficientes.
Há incertezas sobre a efetividade do relatório proposto no que tange ao financiamento para adaptação.

O secretário executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas - UNFCCC, Simon Stiell, afirmou que a COP28 teve seus progressos reais, entretanto que os anúncios em Dubai são uma espécie de tábua de salvação para a ação climática, mas não uma linha de chegada, de forma que o Balanço Global, o qual visa ajudar as nações a alinhar os seus planos climáticos nacionais com o Acordo de Paris revelou que o progresso não é suficientemente rápido, mas está “inegavelmente” ganhando ritmo.

Em Dubai, Stiell confirmou que a COP28 precisava mostrar uma interrupção decisiva no principal problema climático da humanidade: os combustíveis fósseis e a poluição que afeta o planeta e segundo ele, “este acordo é um ponto de partida ambicioso, não um teto. Portanto, os próximos anos serão cruciais para continuar a aumentar a ambição e a ação climática”.

Conclusões Globais da COP28:

O Fundo para Perdas e Danos, concebido para apoiar os países em desenvolvimento vulneráveis ​​ao clima, ganhou vida no primeiro dia da COP28. Os países mais ricos prometeram centenas de milhões de dólares para a iniciativa, de forma qie foram firmados compromissos no valor de US$ 3,5 bilhões para repor os recursos do Fundo Verde para o Clima.

Ocorreram novos anúncios totalizando mais de US$ 150 milhões para o Fundo dos Países Menos Desenvolvidos e o Fundo Especial para Mudanças Climáticas, assim como um aumento anual de US$ 9 bilhões por parte do Banco Mundial para financiar projetos relacionados com o clima de 2024 a 2025.

Quase 120 países apoiaram a Declaração sobre Clima e Saúde para acelerar ações para proteger as pessoas dos crescentes impactos climáticos e mais de 130 países assinaram a Declaração COP28 sobre Agricultura, Alimentação e Clima para apoiar a segurança alimentar e, ao mesmo tempo, combater as alterações climáticas.

O Global Cooling Pledge foi endossado por 66 países para reduzir as emissões relacionadas ao resfriamento em 68% a partir de 2024.

Apesar das múltiplas salvas de aplausos no plenário, nem todas as delegações ficaram satisfeitas com o resultado das negociações sobre o clima. Os representantes da sociedade civil, os ativistas climático e as delegações dos pequenos países insulares em desenvolvimento ficaram visivelmente descontentes com o resultado.

A representante samoana e negociadora principal da Aliança dos Pequenos Estados Insulares, Anne Rasmussen, ressaltou que a decisão foi tomada durante a sua ausência na sala plenária, uma vez que o seu grupo ainda estava coordenando uma resposta ao texto, lamentando que sua delegação não possa “se dar ao luxo de regressar às suas ilhas com a mensagem de que este processo falhou”, ainda lamentou a falta de “correção de rumo” e expressou decepção com o “avanço incremental em relação aos status quo, quando o que realmente importava era uma “mudança exponencial”. 

Logo após a divulgação do documento final, o chefe de estratégia política global da Rede Internacional de Ação Climática, Harjeet Singh, disse à ONU News que a resolução “está marcada por lacunas que oferecem à indústria dos combustíveis fósseis inúmeras rotas de fuga, dependendo de tecnologias não comprovadas e inseguras”.

A próxima rodada de planos nacionais de ação climática, ou Contribuições Nacionalmente Determinadas, está prevista para 2025, momento em que se espera que os países tenham reforçado seriamente as suas ações e compromissos.

O Azerbaijão foi anunciado como anfitrião oficial da COP29, que ocorrerá de 11 a 22 de novembro de 2024. O Brasil se ofereceu para sediar a COP30 entre 10 e 21 de novembro de 2025 em Belém do Pará, na região Amazônica em 2025. 

O que os brasileiros devem esperar dessas mudanças na prática?

Na prática, muitos recursos e financiamentos deverão ocorrer tanto por parte das gestões públicas, como pelas empresas privadas e serviços. Mas para a população em geral, o primeiro passo será a mudança de pensamento naquilo que é consumido.

De uma forma bem simples, saber desde como um determinado produto é produzido até chegar na mesa desse consumidor. Sei que para muitos, não é um exercício que será adicionado na rotina, já que é demasiado custoso e até cansativo, mas se faz necessário, já que mexerá com o bolso do consumidor final, pois alguém vai ter que pagar essa conta...

Buenas, car@s Amig@s, há mais de 20 anos que como estudiosa das ciências ambientais venho alertando todos que se abrem para esse ramo do conhecimentoque a conta da poluição, so aquecimento global, da contaminação das águas,do solo, do ar, dos alimentos, do adoecimento da população, da manipulação genética para fins de guerra e outros tantos ia sair do bolso dos mais humildes. E essa hora chegou!

Não sejamos hipócritas. Todos gostamos do conforto de andar de carro, de ter energia elétrica, de ter ar condicionado, de comer carnes diversas, de consumir o que “as latinhas, as caixinhas e potinhos” tem, mas a conta veio.

Para 2024, desejo a tod@s uma reflexão sobre mudanças de consumo, reflexão às origens da Humanidade, da desconexão que fizemos e que agora devemos nos voltarmos à Natureza para sobrevivermos. A janela climática foi atingida, ou seja, já chegamos a 1,5ºC acima da temperatura ideal de sobrevivência e se chegarmos a 2ºC acima, a vida na Terra será extinta.

Então, para que não viremos um cenário do filme Mad Max, meu desejo para 2024 é consumir menos, repensar mais, plantar para consumir naturalmente e reconectar com a “Nave Mãe”, pois como já disseram outros, ”...não há plano B...”

 

A Coluna Papo Ambiental é um oferecimento de:

Fontes:
- O ECO. Disponível em:
https://oeco.org.br/reportagens/cop-28-o-comeco-do-fim-dos-combustiveis-fosseis/#:~:text=Ap%C3%B3s%20duas%20semanas%20de%20intensas,f%C3%B3sseis%20de%20suas%20matrizes%20energ%C3%A9ticas. Acesso em 26/12/2023.

- ONU NEWS. Disponível em: https://news.un.org/pt/story/2023/12/1824862. Acesso em: 26/12/2023.

- PLANALTO. Disponível em: https://www.gov.br/planalto/pt-br/acompanhe-o-planalto/noticias/2023/12/governo-celebra-resultados-da-cop-28-nos-emirados-arabes. Acesso em: 26/12/2023.

- POLÍTICA POR INTEIRO. Disponível em: https://politicaporinteiro.org/2023/12/13/cop-28-dia-13-final-o-consenso-dos-emirados-arabes/. Acesso em: 26/12/2023.

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Aline Stolz

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Aline Stolz

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