Notícias têm sido veiculadas de que o número de pessoas que não tomaram a segunda dose da vacina contra a Covid-19 é muito alta. Até então tão esperada e festejada por aqueles que já puderam tomar sua dose, agora parece que ficou esquecida. Isso chama a atenção. O que será que tem acontecido para influenciar tal movimento? Claro que num país com dimensões continentais, sem uma pesquisa séria não seria possível se achar uma conclusão realista. Mas proponho que possamos pensar sobre o fato, para podermos ficar pelo menos mais reflexivos sobre isso.
O PNI-Programa Nacional de Imunizações do Brasil, já foi citado como referencia mundial Na Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS). No entanto, em meio a pandemia as questões políticas atravessaram o processo e fomos apontados internacionalmente com adjetivos nada agradáveis. Oswaldo Cruz, sanitarista que há mais de 100 anos, estabeleceu um modelo de ação para vacinação em massa, estaria hoje dando entrevistas. Falaria do fracasso que experimentou ao tentar fazer a vacinação obrigatória da varíola e da chamada Revolta da Vacina. Mas também estaria feliz por ver várias doenças erradicadas ou controladas como febre amarela, poliomielite, coqueluche entre outras.
Deixando de lado quando não há doses sendo distribuídas, questiono se a sensação de uma falsa proteção não esteja agindo. De muitas fotos do momento da primeira dose, à falta de retorno para a segunda, sinto que criamos a falsa esperança de que nos tornamos imunes a essa doença. Porém, devemos ter bem claro, que sem a segunda dose, o ciclo de imunização não está completo. A imunidade para uma forma mais grave de Covid só é atingida após 15 dias da segunda dose, portanto, o processo deve ser realizado na sua totalidade.
Outro fator que pode trazer esta falsa segurança, pode ser o retorno de algumas atividades comerciais mais amplas, além de boa parte da população vacinada inicialmente (os idosos), estarem contribuindo no cuidando dos netos e em atividades familiares, de forma que não tenham tido ainda tempo para procurar a segunda dose. No entanto, a mistura dos dois motivos preocupa e deve ser repensada.
Outra possibilidade pode ser o medo. Alguns podem ter sentido algum tipo de reação e isso pode ocasionar o sentimento. Medo que se for aliado a falta de informação acaba por atrapalhar a imunização. Ele é uma reação emocional que se faz sobre uma situação que se interpreta como perigosa. Ela pode servir para a defesa, mas também pode ser paralisante e não permitir que se avalie corretamente a situação. Informações incorretas, fontes não confiáveis, achismos, tudo isso pode distorcer a forma de vermos. Quando limito a compreensão dos dados, apenas pelo que acontece ao meu redor, reduzo meu campo de visão. Aí ocorre o domínio do medo. Contra ele é necessário se vacinar também. Usar a vacina da informação, pensamento crítico e pensar não apenas em si, mas no outro. Eu me cuidando, cuido do outro. Há muito tempo ouvi que fazemos todos parte da mesma aldeia,e isso só se confirma hoje.
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