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Domingo, 30 de Agosto de 2026

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E vem aí o quarto ano do Ensino Médio

O novo ano será opcional para o estudante e com currículo diferenciado.

E vem aí o quarto ano do Ensino Médio
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Foi anunciado na semana passada, pela secretária de Educação do Estado, Raquel Teixeira, a oferta de um quarto ano para os estudantes do terceiro ano do Ensino Médio na rede estadual. O mesmo será oferecido no ano que vem e será opcional. A previsão é de que as aulas iniciem já em janeiro.

Como é opcional, os estudantes que não aderirem ao quarto ano poderão receber em dezembro o Certificado de Conclusão do Ensino Médio e prestar vestibular ou ingressar no mercado de trabalho. Quanto ao currículo deste quarto ano, a secretária declarou que está em elaboração pelas equipes da SEDUC, adiantou que será diferente dos outros anos do ensino médio. A ideia é que seja focado em disciplinas tradicionais como Matemática, Português, Inglês e outras preparadoras para o mercado de trabalho como o Projeto de Vida.

Esta é uma das iniciativas para recuperar as perdas educacionais devido ao contexto todo decorrente da pandemia. A preocupação se deu, entre outros motivos, devido aos estudantes de ensino médio terem a menor participação na avaliação realizada em maio e junho pela rede estadual, o “Avaliar é Tri”. Entre os três anos do médio, o segundo foi o que menos participou, pouco mais da metade dos alunos participantes responderam as questões de Português e menos da metade responderam as de Matemática, registrando aqui que as provas poderiam ser feitas de forma online, em casa ou então presencial, na escola, para os que não possuíam acesso à internet. Cabe também ressaltar aqui que esta avaliação veio pronta para as escolas, elaborada por uma empresa de fora do estado e que as respostas eram facilmente encontradas, quase que na sua totalidade, na internet, em sites de busca como o Google.

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Outra alteração prevista para iniciar agora no final de agosto é o aumento da carga horária de Português e Matemática, esta para os estudantes de sexto ano do ensino fundamental ao terceiro ano do ensino médio. Pessoalmente não sou contra nenhuma destas iniciativas. No entanto fico questionando a dinâmica e a logística das mesmas e é inevitável as dúvidas surgirem quanto a estrutura, a preparação, a demanda de profissionais, pois sabemos que para os atuais três anos de médio e a atual carga horária de Português e Matemática disponível já existe uma enorme defasagem de recursos humanos.

Ainda há escolas sem professores não só destas disciplinas, mas de várias outras, algumas escolas inclusive desde o início do ano com a falta de profissional em alguma área, e isto sem falar nos outros setores de fundamental importância como Supervisão e Orientação escolar. Bibliotecário então, nem se fala.

Outra questão que me preocupa é a ênfase apenas nestas disciplinas em detrimento a todas as outras. Não consigo vislumbrar uma educação de qualidade sem História, Biologia, Literatura, Arte, Educação Física, Geografia, Filosofia, entre tantas outras. A educação salva vidas, a Ciência salva vidas! Estamos vivenciando isso! A política que não valoriza e não investe em educação gerando tantos problemas... Estamos assistindo nos últimos anos um número alto de profissionais abandonarem a rede estadual devido a desvalorização salarial, perda de direitos, entre outros.

Como atrair bons profissionais? Como manter os que temos? Como oferecer, dentro do cenário que temos e da perspectiva futura que se vislumbra, uma educação mais humana, mais empática, com mais qualidade? Nem vou discursar aqui sobre o Novo Ensino Médio, este que merece uma coluna inteira sobre.

Temo que o ensino médio torne-se ainda mais robotizado, formando massa de manobra disfarçada de pessoas preparadas para o mercado de trabalho. A declaração do ministro Milton Ribeiro, de que a universidade não deve mesmo ser para todos é só um reflexo disto, nos escancara que o desmantelamento da educação não é por acaso, é projeto.

A educação brasileira caminha para a diferenciação ainda maior do ensino para ricos e o ensino para pobres. Como carecemos de políticas públicas efetivas para a educação! De investimentos em estrutura e qualificação da escola e dos profissionais! Já passou da hora! Diria que a educação brasileira está agonizando, precisando de atenção e tratamento. É preciso ouvir menos os políticos de ocasião, burocratas e tecnocratas e mais os professores e estudantes, estes que conhecem bem a educação, por dentro e por inteiro.

Encerro com a frase de Samuel Lima "Educação gera conhecimento, conhecimento gera sabedoria, e só um povo sábio pode mudar seu destino."

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Carmen Almeida

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Carmen Almeida

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