Desde que entramos em quarentena, as aulas em todo o Brasil passaram a ser à distância, remotas e virtuais. Atividades são impressas para os alunos sem acesso à internet, que possam e queiram deslocar-se até a escola para buscá-las. Pois bem, isso por si só já escancara as desigualdades na educação brasileira. Há especialmente uma forte exclusão de acesso aos meios virtuais, mas quiçá fosse só essa a questão.
As redes privadas já possuíam, em sua grande maioria, plataformas virtuais para incrementar as aulas, os estudos. As redes públicas não, com raras exceções. Os alunos que já utilizavam estes meios fizeram a adaptação, migração de maneira mais “confortável”, já os que não faziam o uso, estão, a maior parte ao menos, agarrando-se as informações e buscando o uso adequado, eficaz. Não é segredo que existe ainda uma enorme fatia de estudantes sem acesso aos meios virtuais, seja por falta de internet ou por não possuírem aparelhos como notebooks, computadores, tablets ou mesmo celulares.
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A carência por vezes é mais profunda e vai além: é social, humana, faltam alimentos, roupas, incentivo e apoio em casa, a estrutura familiar. E por falar em famílias, estas sempre foram parte importante do cenário educacional. Mas hoje seu papel é de fundamental relevância na educação dos filhos, eles e a escola, mais do que nunca precisam do apoio e parceria nesta nova rotina que vivenciamos. É direito e é dever participar ativamente.
Os professores estão em meio a isto tudo lutando com todas as forças para garantir os vínculos aluno e professor/escola, o aprendizado. Pois estão eles mesmos, em grande parte aprendendo a utilizar estas ferramentas tecnológicas e didáticas, as quais não estavam habituados no seu dia a dia, perderam sua rotina, suas certezas, estão se reinventando diariamente, tentando manter o equilíbrio em meio ao caos em que fomos jogados. Porque o professor também teme pela sua saúde, sua estabilidade financeira e até mesmo emocional.
Assistimos quase todos os dias lives, webnários, congressos e reuniões virtuais falando, discutindo, debatendo as questões educacionais. Algumas com pessoas que realmente entendem e são da área, outras nem tanto. Mas de concreto mesmo, temos muito mais dúvidas do que respostas. E penso que é assim mesmo, até por ser uma situação nova para todos nós, onde vamos juntos aprender a reestruturar a educação e a vida, em todos os seus aspectos.
Em meio a isto tudo, precisamos refletir sobre a qualidade e a validade do ensino remoto, o retorno presencial das aulas, a educação híbrida, o ano letivo, as orientações do MEC, a implantação da BNCC, a renovação do FUNDEB, a aplicação do ENEM...
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Mas se eu já acreditava na capacidade do professor em fazer acontecer a educação brasileira, hoje eu tenho esta convicção ainda mais forte. Somos uma classe pouco valorizada, por muitas vezes não estimulada, mas sabemos como ninguém dar o nosso melhor todos os dias, sem desistir nem se acovardar. Vamos passar por isso tudo e sair mais fortes e sábios, certamente!
Encerro citando Paulo Freire: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”.
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