Antes de parar as hélices para umas breves férias, o Drone Cultural fez uma última parada no telhado do chefe.
Quem é o chefe?
O chefe é Pedro Molnar.
Para encerrar a comemoração de 1 ano da coluna, dedicamos esta coluna para um bate-papo com o idealizador e responsável por esse importante veículo de informação local.
Se não fosse pela coragem deste jovem jornalista, este espaço nem existiria e perderíamos a chance de conhecer melhor um monte de vizinhos talentosos.
Apresentar/exaltar pessoas e trajetórias foi um dos principais focos dessa coluna durante as primeiras cinquenta colunas, e hoje não poderia ser diferente.
Para não fugir da rotina de voos bem-sucedidos, o Drone foi buscar mais uma história bacana.
Então, sem mais delongas, Respeitável Público, com vocês:
Pedro Molnar, a personificação do Repórter Guaibense!!!
_____________
DC – Há tempos esperava esse momento, meu amigo.
A coluna nº50 estava prometida para você desde antes de completar a primeira dezena.
Quero aproveitar para deixar aqui registrado publicamente minha admiração pelo teu trabalho e pela tua pessoa. Um grande companheiro de trabalho e um visionário. Ninguém além de você me daria esse espaço tão honroso.
Gratidão pela oportunidade e que possamos repetir essa parceria por muitos e muitos anos.
Uma verdadeira honra fazer parte deste primeiro ano do Repórter Guaibense.
Bom. Passadas as formalidades, vamos ao que interessa.
O canhão de perguntas do Drone Cultural está apontado e hoje a conversa é com você, chefe.
A gente vai falar um pouco sobre a tua trajetória até esse momento da tua carreira, conversar também sobre o papel do teu jornal no nosso contexto local e sobre a tua participação no Conselho Municipal de Políticas Culturais.
Conta um pouquinho sobre a tua formação? Como o jornalismo surgiu na tua vida? Era a tua primeira opção de carreira?
PEDRO MOLNAR – Acho que o jornalismo é a minha cara, mas devo admitir que adolescência achava que iria ser político. Todo mundo achava. Sim, é engraçado esta história. Devido a minha vó ter sido vereadora, entre 1997 e 2000, me aproximei muito da política e ainda mais de movimentos da juventude partidária. Participava de muitos congressos e convenções do MDB, achando que era meu começo na vida pública.
Com o tempo fui me afastando da política e pensando muito no meu caminho profissional. Ainda mais indo trabalhar em Porto Alegre. Guaíba durante 10 anos foi somente minha cidade de dormitório. Na Capital trabalhei como auxiliar de endomarketing, RH, Almoxarifado e Ofice Boy do Tribunal de Contas.
Já tinha feito o vestibular na UFRGS para Jornalismo, mas não passei. Lembro até hoje que estava sentado em uma mesa no meu trabalho quando anunciaram na ZH o curso de Jornalismo na Unifin. Entrei no Jornalismo do nada, claro que lembrando dos meus “profes” Valmir Michelon e Ciça Blaskoski. Mal sabia o que era, mas achava que esse curso iria mudar minha vida. E mudou.
Logo nas primeiras aulas, da minha mestra, radialista preferida e orientadora Denise Cruz, eu ainda não sabia onde eu estava se metendo. Colegas diziam nomes de jornalistas grandes, renomados no mercado. Eu não conhecia nenhum (hahhaha). Mas foi com o tempo que me aproximei mais do jornalismo, criei amor incondicional por essa profissão e comecei meu primeiro estágio, logo no segundo semestre, na Brigada Militar.
Fiquei seis meses no quartel da Brigada e logo em seguida fui ser estagiário da TV Assembleia, da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, onde foi que comecei mesmo a ver o jornalismo na veia. Ainda mais no meio político, né? Haha. Fiquei 1 ano e 6 meses por lá, foi uma escola. Logo que saí fui para Secretaria Estadual de Segurança Pública fazer clipagem, uma coisa muito chata. Mas em menos de dois meses recebi o telefonema da RBS.
Trabalhei na redação de Zero Hora durante três anos, como assistente da editoria de fotografia. Estava na redação de um dos principais jornais do país, imagina, com profissionais feras. Cito: Rosane de Oliveira, Tulio Milmann, Paulo Germano, Adriana Irion, Luciano Potter, Renato Dornelles. Foram três anos dedicados ao jornalismo puro. Teve épocas que trabalhava até nas madrugadas de carnaval recebendo fotos da Sapucaí. Era tri. Sem contar um ano que fui auxiliar de produção do programa Gaúcha no Carnaval, que se tornou até meu tema de TCC.
São várias histórias. Mas quando sai da Zero Hora, em janeiro de 2019, pareceu que minha vida iria desandar. Não sabia o que fazer, dei uma fugida para Cidreira (onde mora minha vó) e para o Rio de Janeiro. Foi em março que o Guilherme Zawacki me chamou para o Guaíba Online, onde marca o início da minha história no jornalismo de Guaíba.
DC – O teu jornal vem em pleno crescimento. Um ano após a inauguração do seu veículo, você é um profissional que conquistou credibilidade e trânsito dentro de nossa cidade e, mesmo muito jovem, é um dos mais reconhecidos em nosso microuniverso. Como está sendo essa aventura (responsável) em um empreendimento tão importante quanto o Repórter Guaibense?
PEDRO – Engraçado que nas primeiras aulas da faculdade dizia que queria ter um jornal em Guaíba. Mas a vida acadêmica estava me lavando para outros lados do jornalismo. Digo que não penso no futuro, mas o desejo que tive na faculdade aconteceu de forma surpresa.
Quando sai do Guaíba Online diziam para criar minha própria marca, o Repórter Guaibense. E deu certo. Esse ano foi demais. Consegui entregar para Guaíba informações relevantes da cidade, ainda mais cobrindo as eleições municipais. Nosso veículo tem isto de falar somente da cidade, uma forte segmentação.
DC – Como foi a recepção das pessoas nesse primeiro ano de existência? Qual é a ambição do Repórter Guaibense? Como ele pode contribuir dentro do nosso contexto local?
PEDRO –É muita surpresa para mim, ver que as pessoas estão acreditando no Repórter Guaibense. Leitores, colunistas, autoridades e até mesmo empresas. Acho que me achei. Isto que quero para minha vida: escrever no Repórter Guaibense, trazendo informações de qualidade e do jeito que aprendi durante todo tempo de faculdade e de trabalhos no ramo.
DC – Qual tem sido a principal dificuldade nesses primeiros momentos como responsável por um veículo de informação?
PEDRO – Olha, amigos: Eu digo sempre que sou jornalista, não empreendedor. Gosto de noticiar, ir atrás das informações. Mas cuidar de partes administrativas, de procurar patrocinadores, está sendo um desafio gigantesco. É somente com patrocinadores que posso ganhar um salário. Tá difícil, ainda mais em um momento que empresas estão com problemas financeiros. Mas me acostumo a fazer isto, de procurar novos parceiros, com o tempo.
DC – Aproveito para entrar em um assunto muito importante para todos os profissionais e pessoas que desejam uma imprensa qualificada, competente e imparcial.
Uma de suas principais lutas diz respeito a isso. Inclusive você produziu alguns editoriais bem interessantes sobre essa necessidade de formação.
Gostaria que você nos falasse um pouco sobre essa tua batalha e explicasse aos nossos leitores por que a formação tão é importante (principalmente nos dias de hoje).
PEDRO – Pessoas estão massacrando a importância de um ensino superior, ainda mais um ensino superior de qualidade. Jornalista não precisa de diploma, infelizmente, após uma decisão vergonhosa do STF de 2009. Mas se pensar, tu imaginas um advogado sem faculdade de Direito? Um engenheiro sem graduação? E o médico sem registro profissional? São tantas profissões que precisam de ensino superior para exercer.
O Jornalismo tem a mesma importância que todas estas que mencionei. Ainda mais em uma época da atualidade que as pessoas estão consumindo informações faltas, as fakenews.
Sou a favor que para ter um veículo de comunicação precisa de uma graduação em Jornalismo. Para fazer jornalismo tem que ser jornalista. Tem que ter estudado as mais de 40 disciplinas que fiz durante quase cinco anos para trazer as informações de qualidade. Diploma sim!
DC – Teu jornal também vem se destacando por essa proximidade com o setor cultural. Não que os outros já não tivessem essa atenção também, mas eu sinto algo de muito diferente na essência do teu veículo. Tens um time de colunistas bastante plural, competente, interessante com trajetórias marcantes nesse terreno (E em outros também).
De onde vem essa inclinação? Foi natural? Foi por coincidência depois do time pronto? Ou foi montado obedecendo caminhos estratégicos previamente pensados?
PEDRO – Foi natural, e deu certo. Nosso time de colunistas é muito grande, em vários sentidos: inteligência, texto, conhecimento sobre a temática e diverso. Nos reunimos mensalmente para falar uma das colunas dos outros, no sentido de todos trocarem experiências e, além disto, se conhecerem. Nos transformamos em uma família grande, por incrível que pareça.
DC – Como você definiria a “personalidade” do jornal? Se fosse um personagem, ou uma pessoa, quem seria o Repórter Guaibense?
PEDRO – O Repórter Guaibense é uma pessoa que defende que todos são iguais, todos devem ter respeito um com os outros, além de amar a cultura e história de nossa cidade. Devemos valorizar mais nossa cidade, que digo que é a mais bonita da região. Tem muita gente de Porto Alegre que não conhece Guaíba, infelizmente. Devemos valorizar o turismo, nossa cidade é Berço da Revolução.
DC – Como você vê o universo cultural de nossa cidade?
PEDRO – É gigante, é preciso valorizar mais ainda. Lembro aqui da grandiosidade dos nossos eventos, como o Carnaval e a Semana Farroupilha, que certamente são modelos para outros lugares. Muitas pessoas se espelham em Guaíba, mas ainda falta os próprios moradores reconhecerem isso e pararem de dizer que não deve ser gasto dinheiro público em nossos eventos culturais. Cultura é vida. E a nossa cultura é linda.
Com o Repórter Guaibense me aproximei ainda mais dessas pautas. Lembro de matérias que publiquei sobre nossos patrimônios, que são riquíssimos, mas que falta valorização. Me aproximei ainda da Mãe Arlete, que durante mais de 40 anos realiza a sua Festa de Iemanjá, outro patrimônio de Guaíba
DC – Aos teus olhos, como é Guaíba? Como você explicaria Guaíba para um estrangeiro?
PEDRO – É a cidade mais bonita da região, todos devem conhecer e valorizar. Amo Guaíba.
DC – Qual é a memória mais antiga que você tem da cidade? Qual é o teu lugar favorito aqui?
PEDRO – As festas à fantasia do Itapuí paravam a cidade. Lembro que todos iam na São José olhar o pessoal de fantasia. Era uma época tão boa.
DC – Como morador, mas principalmente como fotografo, qual cartão postal você considera o principal da cidade?
PEDRO – Acredito que a Beira e os altos da Escadaria 24 de Outubro. Mas, nessas duas últimas semanas, tenho ido andar de bicicleta na orla da Alegria, que está tão linda e revitalizada.
DC – Mudando um pouquinho de assunto e voltando para a tua rotina de trabalho:
Vida de jornalista é muito agitada e corrida. Precisa estar sempre em cima do lance, ter boas fontes, uma dose de audácia e contar com um bocadinho de sorte.
Esses são alguns dos fatores que acompanham cada passo de um jornalista e que, a ausência de algum deles, pode atrapalhar o desenvolvimento do trabalho e gerar alguns transtornos.
Nem mesmo os melhores profissionais conseguem ficar imunes a pequenos apuros durante a sua aventura profissional.
Conta para a gente algum perrengue que você passou. Alguma saia justa com um final feliz (ou não, afinal a vida é para aprender com os erros tbm).
PEDRO – Hahahhahhahah. Trabalhar com o jornalismo político não é fácil. Ainda mais quando todos tem teu whats. Tem matérias que fiz que políticos me questionavam. Lembro quando escrevi sobre o projeto de lei que mudava o nome da Área Verde para Praça da Família, com uma intensão preconceituosa, e quando disse que a maioria das proposições do então vereador Jonas era para homenagear evangélicos. Nosso trabalho é pautado muito pela imparcialidade, ética e conhecimento
DC – Partindo para o cenário atual, o setor cultural está sendo profundamente afetado. Como você, conselheiro de Cultura do Município, enxerga as leis de emergência cultural?
PEDRO – Muito afetado. Há pessoas, como tu (Isaque), que vivem da cultura. Cultura é vida. As leis emergenciais vieram em uma hora tão difícil para muitos, e trazer cultura neste momento é uma forma de entretenimento, ainda mais estando em casa (na quarentena).
DC – Puxando a brasa ainda mais para o nosso assado:
Como você descreve a importância da cultura tanto num momento como esse, quanto em momentos anteriores e futuros à pandemia?
PEDRO – Cultura é vida. Ainda mais na nossa saúde mental. Estou com saudade do carnaval, dos eventos, das danças, dos shows, da alegria com meus amigos nos finais de festas. Espero que este momento passe logo. Com certeza vamos continuar com algumas atividades online, como a pandemia nos proporcionou, mas estou louco para ver amigos que não vejo desde o início desta pandemia.
DC – Voltando para a tua rotina profissional:
Como a pandemia influenciou no teu trabalho? Como está sendo fazer essa cobertura? Maiores dificuldades? O que mais tem te chamado a atenção e como se manter lucido em um momento tão conturbado?
PEDRO – O Repórter Guaibense não começou no meio da pandemia, foi no começo. 1º de abril, Dia da Mentira (HAHAHHAHA). Não imaginava o que eu iria passar. Estava já em trabalho remoto há mais de 1 ano, isto não mudou. O que observo é que o Repórter Guaibense passa, somente, pela dificuldade financeira.
DC – Sou um caçador de boas referências. É uma constante pedir aos entrevistados que nos presenteiem com boas indicações de conteúdo.
Então, para não perder o costume, hoje eu também vou te pedir uma Indicação de livro, série ou filme. Capricha aí, Pedrão!
PEDRO – Tenho a tristeza de dizer que não sou de ler livros e ver filmes. Infelizmente, por ser um cara muito disperso. Mas durante esta pandemia assisti filmes e documentários muito bons da Globo. Adorei o Cercados, que aborda sobre o trabalho da imprensa na pandemia, e com certeza a série Sob Pressão 3.
DC – Todos somos atores e contadores de história quando somos crianças. Brincamos como se fossemos pessoas diferentes vivendo em situações e circunstâncias distintas da nossa “vida real”. As crianças fantasiam e aprendem com essas encenações de realidades imaginárias. Imagino que você também já habitou o Planeta do Faz de Conta (terra vizinha ao universo teatral)
Nessas viagens brincantes por onde você já passeou? Se pudesse ser um personagem, qual seria?
PEDRO – Seria o Cebolinha, da Turma da Mônica. O Cebolinha teve problemas na fala, eu também tenho. Sofri muito preconceito por isso na adolescência. Mas acho que não dei mais bola para isto no começo da minha vida adulta, e ainda por cima ganhei três títulos de oratória do Rotary. Que me orgulho. Era teimoso também. Minha vida teve momentos difíceis, muito, muito, muito difíceis, mas hoje sou outra pessoa. Gosto de dizer que sou um bom profissional, por que sou um bom profissional por que reconheci certos erros e soube "ouvir" as pessoas
DC – Se, ao invés de um personagem, te pedíssemos para escolher um profissional da tua área para você ser, quem seria o modelo?
PEDRO – Meu xará, Pedro Bial. Para mim é um dos melhores jornalistas do mundo. Me inspiro muito nas entrevistas dele para a Live Papo Guaibense, que foi outra ideia que está dando certo no Repórter Guaibense.
DC – Estamos encerrando a nossa conversa.
Não poderia deixar de agradecer muito a tua disponibilidade para esse bate-papo comigo. Foi um prazer te ter aqui e é um prazer entregar esse tipo de conteúdo dentro de um dos principais canais de informação de nossa cidade.
Antes de ter a pretensão de ser uma coluna, este é um espaço de contato com a nossa comunidade. Gostaria que você deixasse um recado para os colegas trabalhadores da Cultura e também para todos os nossos vizinhos leitores do Repórter Guaibense.
Pode falar o que quiser, o espaço é literalmente teu.
PEDRO – Chegamos na coluna 50 do Drone Cultural. Agradeço a ti Isaque por este espaço de alta importância para nossa Cultura. O Repórter Guaibense continua sempre trazendo informações de qualidade, imparcialidade e com conhecimento no que faz.
__________
Mais um bate-papo bacana carimbado em nosso passaporte.
Quantas histórias legais nesse tempo de amadurecimento da coluna.
Foi uma satisfação viver esses bons momentos.
Agora é parar para descansar e fazer algumas manutenções necessárias.
Logo o Drone volta a dar seus voos rasantes pelos céus de Guaíba, doidinho para contar histórias e trazer novidades.
Não desgrude do Repórter Guaibense!
Até daqui a pouco!
Comentários: