Passaremos boa parte da infância
com os olhos focados nos
celulares, televisores, computadores.
Imersos na ilusão de compartilhar,
não saberemos ainda como nomear
a dor de tanta falta de abraço.
Pelos caminhos de adolescer
transitaremos em busca do próprio nome,
o próprio quarto,
um corpo pra chamar de nosso.
Reforçaremos vícios e delírios solitários,
duas faces operárias da mesma moeda
no processo de individuação.
E depois, se ainda der tempo,
já adultos e sóbrios,
chegaremos à idade da
tão desejada seriedade,
que é quando, entendemos,
começa a brincadeira.
Enfadados pela dignidade de tanta solitude,
enojados de respeitável solidão,
abriremos – enfim!
as mãos, os braços e os abraços,
para receber a ideia
de que um é pouco
e dois, a imensidão.
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