Repórter Guaibense

Domingo, 30 de Agosto de 2026

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Ensaio íntimo

Não saberemos ainda como nomear a dor de tanta falta de abraço

Ensaio íntimo
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Passaremos boa parte da infância 

com os olhos focados nos 

celulares, televisores, computadores.

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Imersos na ilusão de compartilhar,

não saberemos ainda como nomear 

a dor de tanta falta de abraço. 

 

Pelos caminhos de adolescer 

transitaremos em busca do próprio nome, 

o próprio quarto,

um corpo pra chamar de nosso.

Reforçaremos vícios e delírios solitários,

duas faces operárias da mesma moeda 

no processo de individuação. 

 

E depois, se ainda der tempo, 

já adultos e sóbrios,

chegaremos à idade da 

tão desejada seriedade,

que é quando, entendemos,

começa a brincadeira.

 

Enfadados pela dignidade de tanta solitude,

enojados de respeitável solidão,

abriremos – enfim! 

as mãos, os braços e os abraços, 

para receber a ideia 

de que um é pouco 

e dois, a imensidão.

Comentários:
Liane Tonelotto

Publicado por:

Liane Tonelotto

Liane Tonelotto é psicóloga clínica, poeta e cantora. Em 2020 lançou seu primeiro livro, “Todos os Poemas de Amor que eu não fiz pra você.” Atualmente é vocalista e compositora da banda Pequena Serenata e colunista semanal dos jornais...

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