Gosto de às vezes passar os olhos rapidamente pelas redes sociais para dar uma atualizada no que anda rolando, gosto de acompanhar notícias, claro que diante de tanta notícia fake, está cada vez mais difícil apenas ler algo, sem ter que checar a veracidade destas informações. Mas o que me chama a atenção e tem me preocupado bastante ultimamente é o compartilhamento excessivo de conteúdos que exprimem ideia de felicidade extrema, a chamada “positividade tóxica”.
Um pesquisador da Faculdade de Ciências Psicológicas da Universidade de Melbourne (Austrália), Brock Bastian, em um artigo no site ABC Everyday, diz que, “[...] de outras formas, a experiência da positividade tóxica poderia não ser uma publicação, um comentário ou uma série de comentários específicos, mas sim um sentimento que se apodera do usuário pouco a pouco, à medida que ele consome mais conteúdo de pessoas que compartilham apenas os melhores e mais emocionantes momentos de suas vidas".
Os especialistas em saúde do The Psychology Group out of Florida definem a positividade tóxica como a supergeneralização de um estado feliz e otimista que resulta na negação, minimização e invalidação da autêntica experiência emocional humana. "Tal como qualquer coisa feita em excesso, quando a positividade é utilizada para encobrir ou silenciar a experiência humana, ela torna-se tóxica. Ao recusarmos a existência de certos sentimentos, caímos num estado de negação e reprimimos emoções", explica Jamie Long, Psicólogo Clínico licenciado e co-proprietário de The Psychology Group.
Se pararmos para pensar um pouco sobre estes conteúdos carregados de positividade, percebemos que não há lugar no feed para caras preocupadas, ansiosas ou tristes. “Nem todo mundo quer compartilhar suas dificuldades nas redes sociais, e tudo bem. Mas é bom se lembrar disso quando você estiver consumindo esse conteúdo”, diz Bastian no ABC Everyday. “A positividade saudável é deixar espaço para as emoções negativas e sentir-se à vontade com elas, pois a melhor maneira de ser feliz é se basear nessas experiências incômodas, já que, se as evitarmos, elas pioram”, salienta o especialista.
Não quero dizer aqui que sou contra a felicidade, e nem tão pouco que não acredito nela, o que quero trazer para nossa reflexão é que diante do cenário atual, em que somos desafiados a nos mantermos com saúde diante de uma pandemia, rever certas posturas e conceitos talvez seja a forma de nos permitirmos sentir as emoções como elas verdadeiramente sã ao invés de cobrarmos posturas extremamente positivas mesmo diante de perdas humanas, pois ao experienciarmos lutos precisamos vivenciá-lo, nos permitindo sentir a sua dor, que é indesejável mas indispensável.
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