Assistindo a um telejornal me deparei com uma reportagem interessante: sobre a impressão de alimentos. Já pensou nisso? Após esse momento de pandemia, convidar os amigos para comer um churrasco com carnes vegetais impressas? E de sobremesa, guloseimas também impressas? E se por alguma fatalidade precisarmos de um transplante de órgão e a nossa chance vier de um criado por uma impressora 3D. Tais questões estariam em filmes de ficção científica, porém estão cada vez mais próximos da nossa realidade.
As primeiras impressoras 3D foram construídas ao final da década de 80 visando acelerar a confecção de lâmpadas, entretanto, tal tecnologia não era acessível a todos pelo seu alto custo, apenas empresas com grande poder aquisitivo tinham acesso.
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O panorama atual é bem diferente já que o barateamento e maior oferta de tecnologias facilitaram o acesso da sociedade às mesmas, mudando a nossa relação com o mundo tech. No tocante as impressoras 3D, de cinco anos para cá que tais aparatos passaram a ser “viáveis” para empresas de pequeno e médio porte, escolas e pessoas físicas. O meu primeiro contato com uma foi no final de 2015, no Colégio de Aplicação da UFRGS. Na época fiquei encantado com aquilo pois vi a possibilidade de confeccionar qualquer peça ou objeto para utilizarmos em nossos projetos do laboratório, situado na escola. Em termos de projetos, logística e metodologia, as impressoras 3D vieram para romper com certas limitações.
Mas não pense que o uso dessas máquinas se restringe a laboratórios de robótica, ou melhor, ao ramo tecnológico. Essas máquinas estão sendo utilizadas em diversos ramos. Na coluna de hoje falarei brevemente de dois deles: alimentício e transplantes de órgãos e tecidos sintéticos.
No ramo alimentício, destaco o objeto de provocação para essa coluna: bifes impressos à base de plantas por uma empresa de Israel. O lançamento dessa novidade está previsto para 2021, prometendo aparência e sabor similares ao da carne animal, sendo mais uma alternativa para aqueles que optam por não consumir carne animal em prol do meio ambiente e dos animais. Na reportagem que assisti, o presidente da empresa Redefine Meat disse que somente uma impressora 3D é capaz de reproduzir a estrutura muscular animal pois cada camada do filamento vegetal utilizada é da ordem de milímetros. A pergunta é: você comeria uma carne impressa? 100% industrial?
Eu sim, quantas coisas industrializadas comemos sem saber como são feitas? Quantos animais poderiam ser salvos? São questões que cada um de nós deve se fazer e refletir sobre elas. Na minha opinião, o máximo que pode acontecer é não gostarmos e assim não sermos consumidores dessa mercadoria. Outra frente do ramo alimentício está usando impressoras 3D para confeccionar guloseimas, e acredite, com certeza já comemos esses produtos.
Também de Israel vem o nosso segundo destaque: órgãos e tecidos humanos. Em 2019 foi impresso um protótipo de coração, na realidade foi uma miniatura com três centímetros de diâmetro, porém o filamento utilizado foi um tecido cardíaco humano produzido a partir de células-tronco. Chamamos esse processo de Bioimpressão. O objetivo dessa pesquisa é a possibilidade futura de impressão de partes da estrutura cardíaca ser e o transplante das mesmas em pacientes.
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Particularmente eu gosto de utopias, elas fazem com que nos dediquemos e miremos sempre alto. Se esses estudos avançarem, ao longo dos anos poderemos erradicar as filas de espera por órgãos. Já pensou nisso? Que lindo seria. Ou quem sabe implante de tecidos sintéticos visando amenizar os danos de queimaduras? Torço para que essas pesquisas tenham resultados cada vez melhores em termos de compatibilidade com o funcionamento da máquina humana.
O advento das impressoras 3D e o maior acesso por parte da sociedade permite que cada vez mais pessoas criativas possam trabalhar com elas e claro, utilizá-las para o bem. Todos nós temos ideias, há muitas ideias boas cujo objetivo é ajudar a humanidade, o que essas impressoras fazem é possibilitar que tais ideias se tornem realidade.
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