Domingo, lá em casa,
era dia de fritada.
O pai trazia o peixe, limpava.
A mãe passava na farinha,
posta por posta,
sorrindo em silêncio.
E eu, ainda pequena,
vagava entre os dois,
roçando com a ponta dos dedos
a toalha de mesa.
Parece mesmo que
toda criança tem olhos nas mãos...
Quando tudo estava quase pronto
minha irmã organizava a mesa.
Colocava os pratos, trazia os copos
e fazia a limonada.
A mana gostava do amargo
e eu não entendia.
Porque, no fundo,
o que eu sabia da vida
ainda era doce
e cabia no aconchego da sesta
que me catava no abraço da mãe
depois do almoço.
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