Não cabe mais uma interpretação rasa acerca do retorno presencial das aulas nas redes públicas e privadas no Brasil afora. Sim, o que retorna é a presença física em sala nas escolas, porque as aulas, estas não pararam. Os professores e os estudantes veem-se as voltas com materiais conhecidos como cadernos, lápis, borrachas, canetas, colas, tesouras, livros, etc... e ainda incluímos o celular, computador, internet, whatsapp, meet, youtube, classroom, zoom, impressora/impressos, entre outros. Desde sempre a escola, a educação não parou.
É notório que o retorno é essencial, é importante e é urgente, mas como? A que custo? O retorno “precisa” se dar de maneira segura e aqui cabe uma ressalva: pois segurança total não existe dentro de uma pandemia, mas podemos garantir alguns elementos, como a vacina por exemplo, mas não só ela. É preciso olhar a estrutura física das escolas como acessos externos e internos, circulação de ar, limpeza (profissionais e materiais para tanto), EPIs para funcionários e professores, COEs (formação e informação). Observo muito a questão preparação ligada ao uso de máscaras, álcool gel e distanciamento, mas definitivamente não é só isso. Preocupante.
Sabemos que o potencial de contaminação dentro das escolas é imenso, já vimos isto nas escolas que retornaram aqui no Brasil e mundo afora. Afinal, coloca-se aí o movimento de deslocamento de profissionais da educação (todos e não só os professores, pois a escola inclui os servidores, merendeiras, secretários, porteiros, equipe diretiva, monitores...), familiares e alunos, também o movimento de entregas de materiais de trabalho e alimentação, profissionais de manutenção como eletrecistas, encanadores, técnicos de informática, entregadores, entre outros. Agora multiplique estes pelas suas famílias e seus movimentos particulares. Assustador!
Cruzamos todos estes dados com a situação da saúde. E aqui torcemos para que não haja um número expressivo de contaminação, porém caso isto venha a acontecer, estaremos preparados enquanto estado, município, para outra onda de contaminação? Teremos leitos, insumos, profissionais de saúde suficientes? Como está o perfil do grupo de risco? Além do fato de preparar a comunidade escolar para identificar e acionar ajuda em casos de suspeita de contaminação. Teremos prontamente esta resposta por meio das equipes de saúde? Como está o sistema de saúde do seu município? Informar-se é imprescindível.
Vejo frequentemente, em redes sociais, a comparação da escola com outros segmentos da sociedade como o comércio (supermercados, postos, farmácias) ou mesmo o lazer (como praias, shopping centers, praças) e nem vou entrar aqui no mérito desta questão, pois credito estas comparações a pessoas que não tem um conhecimento de fato da real dinâmica que acontece dentro de uma escola, de uma sala de aula, muitas vezes apenas repetindo afirmações que imaginam ou ouviram falar. Empatia sempre é uma boa pedida.
Outro ponto é a validade de um retorno inseguro neste momento, e aqui não me refiro a insegurança física apenas, mas a emocional. Qual o crédito de voltar com medo, preocupados com o contato, com a distância, fico imaginando a reação de professores com alunos que tossem, espirram, tocam ou retiram a máscara, que alcançam um objeto a um colega, e vice-versa também, pois as crianças e adolescentes também sentem medo, insegurança, receio, dúvidas, etc... Os movimentos e as atitudes podem ser explicadas, ensinadas, no entanto isso não garante que sejam executadas de tal maneira. Qual o ganho emocional neste sentido? Pesquisa e reflexão.
Acredito firmemente que o momento é de cobrar a vacinação em grande escala para o maior número possível de grupos, a testagem também, investir na estrutura das escolas e valorizar os profissionais da educação, além de manter o nível adequado e eficiente do sistema de saúde (física e emocional) aliado ao sistema escolar, auxiliar as famílias e os educandos com a segurança alimentar e investir na acessibilidade dos estudantes carentes. Enfim, itens que tornam a educação como um serviço essencial de verdade e não só via decreto. A educação sempre foi essencial, porém falta ser gestada como tal!
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