Findado o período eleitoral em nossa cidade, chegou a hora de baixar a adrenalina e começar a deixar as coisas mais claras para os cidadãos guaibenses.
Todos estamos curiosos para saber quais serão os rumos apontados e os nomes que encabeçarão as pastas que fazem a cidade funcionar. Cada segmento buscando informações, especulando, apostando, assuntando nos grupos de WhatsApp e videoconferências. Todos querem saber os nomes dos secretários.
Com os trabalhadores ligados ao setor cultural não acontece diferente. Este é um dos setores que mais presta atenção nesse aspecto da organização do poder e que, por sua diversidade e abrangência, precisa de alguém com múltiplos conhecimentos e mente aberta.
Na semana passada, na coluna “Chegou a hora da escolha!”, analisei as propostas para a Cultura que cada candidato à prefeitura nos enviou.
As propostas do então candidato Marcelo Maranata, mesmo carecendo de maiores aprofundamentos nos pormenores, pareceram lúcidas e de aplicação com complexidade média. Propostas factíveis que precisam de ajustes e de diálogo com o setor cultural, formado por uma legião de profissionais com demandas, necessidades e especificidades muito diversificadas entre si.
A Cultura precisa ser vista por diversos ângulos e estaremos de olho nesse processo de escolha dos caminhos. O Conselho vem se fortalecendo e a sociedade civil está se organizando. Se houver diálogo, será possível manter um ambiente de construção coletiva que respeite a diversidade.
Desde já (na minha opinião isso deveria ser exposto antes das eleições), o novo prefeito precisará comunicar aos diferentes setores quem serão os responsáveis por cada uma das secretarias. Precisamos, enquanto trabalhadores de um setor muito importante, saber se ainda teremos uma Secretaria de Cultura, como será a organização desta, se ela vai ficar dentro de outra pasta, com qual dividirá espaço e atenção e o mais importante: quem vai tomar conta desse terreno tão sensível e fértil. Tão logo tenhamos essas informações, poderemos entender melhor o andamento das movimentações.
Pensando em dar um panorama acerca do que andam imaginando os nossos trabalhadores da Cultura, convidei alguns artistas locais para falarem um pouco sobre o seu sentimento no ato da votação e o sobre as expectativas para o governo Maranata. Seguimos para as impressões de alguns de nossos mais brilhantes artistas locais:
Eduardo Teixeira (produtor audiovisual e ator)
“Eu fui votar com o sentimento de dever como cidadão e, ao mesmo tempo, de estar exercendo o meu direito. Eu estava me sentindo feliz por ter essa oportunidade.
A minha expectativa em relação ao prefeito eleito quanto à área da cultural é que ele possa potencializar o diálogo com a comunidade e com os profissionais do setor. O Conselho Municipal de Políticas Culturais, por exemplo, foi uma grande conquista para o município. Eu espero um executivo que incentive e dialogue de perto com os conselheiros de cultura e participe com propostas de fomento das artes no município.”.
Aline Helena Elingen (atriz, ilustradora e produtora cultural)
“Fui votar com a consciência tranquila.
Penso que, independentemente de quem entra, a gente sempre espera que entendam quais são seus deveres e que atendam às necessidades do município em todas as esferas.
Para o setor cultural, espero que a gestão eleita entenda as necessidades do setor, e principalmente que tenham a visão de que somos trabalhadores e que temos importante atividade dentro da economia do município.”
Bruno Freitas (ator e produtor cultural)
“A minha sensação foi de insegurança, justamente por estar insatisfeito com muitas coisas resultantes das últimas eleições. Mas o negócio foi ter um pouco de confiança, e votar acreditando muito nos candidatos escolhidos.
Acredito que possa existir um diálogo com o novo prefeito. Porém, acho que, nós da área cultural, não podemos esperar parados por ações e oportunidades do governo dele, precisamos estar atentos e unidos para saber cobrar e fazer a arte acontecer de qualquer forma.”
José Renato Leão (Diretor, ator e produtor cultural)
“Fui votar com confiança. E tranquilidade. Mesmo sabendo que meus candidatos talvez não fossem eleitos, estava seguro com a escolha que fiz.
Acredito que sendo eles, tanto o prefeito quanto a sua vice, pessoas sensíveis, saberão reconhecer a importância que tem a cultura para o nosso município, estabelecendo uma relação de diálogo com os artistas locais, promovendo políticas públicas de valorização e incentivo.”
Débora Jardim Jardim (Escritora, bibliotecária, editora e agitadora cultural)
“Votei com esperança de mudança. Com relação a eleição do Marcelo Maranata, sinceramente, não sei o que esperar.”
Jaqueline Iepsen (Atriz, Palhaça e oficineira)
“Votei com esperança. Como este período de pandemia trouxe uma certa visibilidade para o setor cultural com a Lei Aldir Blanc, acredito que o próximo prefeito deva no mínimo aproveitar a pluralidade cultural que a lei possibilitou para ampliar a visão cultural da cidade, não focando apenas em um ou dois segmentos culturais. Entretanto não alimento grandes expectativas.”
Rafael Garcez (Produtor audiovisual)
“Votei sim. Acho importante que a gente dê o nosso voto, seja qual for. Infelizmente, é sempre com desconfiança que tenho ido votar. O cenário político nos últimos anos tem nos dado poucos motivos pra ter outro sentimento. Claro, devemos esperar pelo melhor, pois perder completamente a fé no nosso sistema político pode ser perigoso. Mas realmente está difícil ter sentimentos positivos na hora de se encaminhar para as urnas.
No que tange ao setor cultural, eu espero que o nosso novo prefeito saiba reconhecer e valorizar as particularidades e a diversidade do setor, assim como o potencial que a cultura apresenta para o desenvolvimento do município. Faço votos para que nos próximos quatro anos, esta gestão tenha a compreensão de que uma cidade é tão próspera quanto a sua cultura local.”
Andréia Alencar (Atriz, produtora e agitadora cultural)
“Votei com alegria por ter opção. Minha expectativa é que a cultura tenha um olhar mais amplo. E que haja mais políticas públicas para os trabalhadores da cultura.”
Luiza Sanguanini (Atriz, produtora cultural e arte educadora)
“Sempre tenho esperança quanto ao crescimento de uma cidade, especialmente em relação ao setor cultural.
Tenho a expectativa de que o novo governo tenha a sensibilidade e a consciência de perceber, principalmente após esse ano difícil de pandemia, o quanto a cultura é indispensável para o ser humano e que a mesma seja valorizada em sua magnitude. Expectativa também que busque pessoas com conhecimento e vivência em cultura para poder dar continuidade ao trabalho que vem sendo feito agregando novas ideias e ações. Guaiba tem um potencial cultural grande e diverso, a expectativa é que o governo Maranata use os recursos disponíveis de maneira clara e eficiente, possibilitando aos diversos setores da cultura mostrarem seu potencial.”.
Como podemos perceber, os artistas entrevistados se mostram abertos ao diálogo e dispostos a entender quais serão os rumos escolhidos.
Nos últimos anos a consciência política, sobretudo de classe, foi expandida em nossa cidade e devemos nos esforçar para manter as conquistas das articulações anteriores, sempre ambicionando outros avanços importantes que precisam ser consolidados.
Fui votar com a certeza de que estava fazendo o que deveria fazer, de acordo com as construções necessárias e de olho nos interesses de minha classe. Assim como os colegas apontaram, eu também espero que o próximo governo mantenha o canal de diálogo aberto e o respeito a diversidade guardado em lugar sagrado.
Precisamos garantir espaço para todas as formas de expressão artística e cultural, salvaguardando o direito de cada cidadão fruir e usufruir a partir das manifestações de nossa gente. Sempre pensando, de forma séria, na geração de emprego e renda para os PROFISSIONAIS do setor.
Espero que a Cultura não seja vista como uma atividade acessória que pode ser desenvolvida contando apenas com os esforços de abnegados que dedicam seu tempo (e dinheiro) de forma voluntária. O voluntariado é importante, mas para formar um cenário realmente consolidado (inclusive para capacitar os voluntários) precisamos investir em formação com profissionais com méritos e métodos reconhecidamente justificáveis.
Precisamos seguir a trilha do profissionalismo. As leis vigentes exigem isso cada vez mais, e determinam as regras independentemente de nossas vontades (por mais bem intencionadas que sejam).
Espero que o prefeito tenha sabedoria e serenidade para escolher os membros de sua equipe com equilíbrio e foco na resolução das demandas. Queremos um órgão de Cultura forte, organizado, atento à diversidade e, acima de tudo com conhecimento técnico suficiente para realizar o que deve ser feito. Do trato do dia a dia com os agentes culturais, até o atendimento em tempo hábil das diligências de outras esferas de poder. Isso não é para qualquer um. Isso é para quem sabe. Cultura é para quem sabe entender a Cultura. Não é um lugar para aventuras experimentais e acomodações políticas.
A Cultura é a identidade de um povo em toda a sua multiplicidade. É geradora de desenvolvimento pessoal, intelectual, social, educacional e econômico. Precisamos ter isso sempre em mente. Somos uma cidade potente e diversa. Que tenhamos condições de manter nossos talentos em evidência e com crescimento quantitativo e qualitativo.
Guaíba merece! Os guaibenses precisam. Estamos organizados. Sejamos maduros para seguir em frente. A eleição acabou, os próximos quatro anos começam agora e dependem muito do comportamento neste momento. A construção deve ser coletiva e a classe sabe que precisa dialogar.
Desejo sorte e tranquilidade ao novo prefeito, toda a sua equipe e aos colegas do setor cultural.
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