Egrégora ou egrégoro (do Grego “egrêgorein”, velar, vigiar) é como se denomina a força espiritual criada a partir da soma de energias coletivas (mentais, emocionais) fruto da congregação de duas ou mais pessoas.
Que legal, muito bonito mas e o que isso tem a ver com o tradicionalismo dessa coluna? Tudo.
A soma de energias se dá em nossa terra desde o início, seja pela defesa das terras, pela incumbência da proteção das fronteiras, para levantar um rancho e preparar a terra para dela tirar o sustento, em todas as somas dessas energias desprendidas para moldar e forjar esse rincão está envolvida uma mágica e iluminada egrégora.
Em alguns ciclos foram interrompidos os laços de afinidade, de respeito ou de afetividade e com eles se dispersou a egrégora que emanava sua energia perante o grupo que a sintonizava.
Pensem um pouquinho sem tecnologia, sem comunicação rápida e fácil, sem acesso a qualquer tipo de informação, quem construiu esse pago, sorveu o sal do suor, calejou as mãos do arado e da enxó, tordilhou as melenas no relento e molhou as vestes com o sereno das manhãs.
Quando o Rio Grande nasceu, precisa de homens e mulheres destemidos, corajosos e que acreditavam que aqui seria um lugar de forjar gente de coração grande e coragem maior ainda, as famílias se debruçavam na lida e faziam a vida florescer junto do trigo, do milho, da mandioca e da carne salgada.
O forte Jesus-Maria-José demarcou o nascimento do estado e as sesmarias e ranchos foram empurrando o Rio Grande pra frente.
Independente da formação social, dos reveses que a cultura daquela época impunha as pessoas, formou-se uma egrégora tão forte e positiva por sobre o sul desse continente que a pujança e a imponência nos elevaram a patamares onde a inveja e a cobiça despertava.
As falácias e maldades atiçaram revoltas, guerras, disputas sociais, políticas e nesse campo das disputas por poder os homens afloram o que de pior escondem no porão de sua alma.
Quebrou-se a egrégora e o sul passou por tantas turbulências que estremeceu, apequenou-se o moral e o velho gaúcho se perdia para o estrangeirismo, os homens do campo eram ridicularizados e as coisas do pós guerra vindo dos Estados Unidos invadiam a terra.
Pois eis que se forma outra vez nesse pago uma egrégora maravilhosa e brilhante, iluminando todos os quatro costados do rincão, eram os jovens do Colégio Júlio de Castilhos, o Julinho, que rebuscavam suas origens e ativavam a força da egrégora para emanar energia por todo o continente.
Não vão crer mas tudo isso que temos hoje e chamamos de “tradicionalismo” nasceu do coração e da mente de oito jovens interioranos e depois tiveram a adesão de mais um iluminado chamado Barbosa Lessa.
Foram oito destemidos que criaram um laço, um enlace, uma egrégora tão magnífica e perfeita que sua obra segue hoje de pé e em plena expansão, o tradicionalismo está presente em todos os cantos do mundo.
Porém nosso Estado não segue na mesma energia, já não somos mais de dar as mãos e deixar as diferenças de lado por um ideal, pelo contrário, hoje com o poder da mídia e a emburrescência das classes, ninguém mais se esclarece e busca entendimento na educação culta e formal, ninguém mais visita a biblioteca, pra que se o Google resume tudo e lendo um parágrafo todos já estão sábios e defendendo suas teses?
É a egrégora rompeu seu fluxo de união e fraternidade, somos migalhas do passado e nem sombra do que foram os avós dos nossos avós.
Tenho esperança que ainda um dia haverão jovens tão destemidos e de coração iluminado quando os de outrora, que a casco de cavalo e na força do ímpeto nos legaram TRADIÇÃO.
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