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Sabado, 23 de Maio de 2026

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O campo que nos orienta

Uma alteração no campo magnético terrestre pode modificar nossa orientação espacial

O campo que nos orienta
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Recentemente, cientistas britânicos da Universidade de Leeds,  na Inglaterra, publicaram que um dos polos do campo magnético terrestre estaria em processo de mudança de direção, migrando da região do Canadá para a Rússia. A questão que se coloca é: de que maneira isso nos afeta? Para responder a essa pergunta, primeiro é preciso compreender o que é o campo magnético terrestre, para depois vermos como essa mudança pode afetar o nosso cotidiano.

Certamente você já teve contato com ímãs, ou melhor, com aquelas peças metálicas com o “poder” de atrair outros metais. Se não teve contato com essas peças, deve tê-las visto em desenhos ou filmes. E se eu dissesse que esse “poder” vai muito além de atrair metais? Por exemplo, sem ele não seria possível a vida na Terra, pois nos protege de partículas energeticamente nocivas advindas do espaço. Tampouco teríamos os sistemas de geolocalização e informação, que se baseiam em satélites até então protegidos por tal “poder”. Esse “poder” está associado a um conceito da Física, mais precisamente do magnetismo, chamado de Campo Magnético. Vamos entender por campo magnético como um conjunto de camadas de forças com duas extremidades (norte e sul) que envolve o objeto que a gera.

O termo Magnético provém do nome Magnésia, atual região da Grécia, onde se encontravam pedras com capacidade de atrair metais, chamadas de Magnetitas. Hoje, são conhecidas como ímãs. Mas por que ímã? Essa palavra é de origem árabe, cujo significado é “aquele que guia”. Por volta do século XI d.C., os ímãs foram utilizados pelos chineses em suas navegações para fins de orientação marítima.

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Eis que surge um objeto muito conhecido por nós: a bússola. A bússola é um objeto circular com uma agulha (com duas extremidades) fixada no centro, mas certa liberdade para girar. Normalmente uma das extremidades é vermelha em referência ao polo norte magnético, e a outra é azul ou branca, referente ao polo sul magnético. Essas cores são meras convenções para que o mundo possa se entender na interpretação. A agulha da bússola é um pequeno ímã que se alinha conforme o campo magnético terrestre, possibilitando uma orientação.

Como ocorre essa orientação? Vocês já devem ter ouvido a expressão “os opostos se atraem”, pois bem, é isso que acontece aqui. Quando a ponta da agulha vermelha está acima do N impresso na superfície do círculo da bússola, ela está indicando para onde está o polo norte geográfico. Entretanto, ao mesmo tempo, essa extremidade vermelha (norte magnético) da agulha é atraída para o polo sul magnético terrestre tendo em vista que os opostos se atraem. Em suma, onde é o polo norte geográfico também é o polo sul magnético e vice-versa, ou seja, os polos magnéticos são inversos – em termos de nomenclatura – aos polos geográficos.

O que se sabe hoje é que o planeta Terra possui um campo magnético gerado a partir do movimento de metais pesados no núcleo terrestre. Esse movimento dos metais em alta temperatura faz com que surjam correntes elétricas que, conforme o seu sentido, orientam o campo magnético terrestre. Esse fenômeno é conhecido na Física por Indução Magnética. É comum encontrarmos nos livros didáticos uma analogia tratando o planeta Terra como um grande ímã, pois isso facilita nossa compreensão. Sendo assim, o polo norte do ímã da bússola (vermelha) é atraído pelo polo sul magnético (azul) do grande ímã chamado Terra. Esse é apenas uma das muitas orientações que a bússola pode fornecer, mas todas essas orientações são uma questão atração (polos de nomes diferentes) e repulsão (polos de mesmo nome).

Bem, acredito ter sido um pouco pesado nessa explicação, porém ela é necessária para que você tenha um vislumbre do conceito de campo magnético. Todavia, agora é possível analisar como a movimentação do polo sul magnético (norte geográfico) nos afeta.

O principal efeito está sendo na geolocalização. Hoje em dia não andamos com uma bússola no carro por exemplo, e sim com um celular ou um navegador acoplado pelos quais temos acesso a um sistema GPS (Global Positioning System). Tal sistema utiliza uma triangulação entre satélites geoestacionários (sempre estão acima de uma região do planeta), sendo que o posicionamento desses satélites na atmosfera depende do quão protegidos pelo campo magnético eles estarão, afinal, uma grande exposição a radiação pode danificá-los.

O conhecimento sobre a intensidade do campo magnético em regiões da atmosfera é obtido através de um “mapa magnético” cuja construção leva entre 4 e 6 anos. A partir desse mapeamento, cientistas e programadores criaram um modelo capaz de prever as variações do campo ao longo do tempo. O posicionamento dos satélites depende diretamente da construção desses mapas. Para vocês terem uma ideia, a Google utiliza esse modelo na sua ferramenta Maps e na transmissão de informação. Porém se o campo magnético terrestre está variando mais rapidamente e de maneira mais intensa, ficará cada vez mais difícil o modelo manter esse “mapa magnético” atualizado, logo, prejudicará a nossa orientação durante os deslocamentos do cotidiano dependentes de um GPS (aviões, carros, navios).

A construção de um modelo capaz de traduzir o campo magnético pelo planeta depende da compreensão do por que ocorre o deslocamento do polo. O que nos resta é esperar a publicação de mais estudos sobre o tema e a partir deles, compreender esse fenômeno.

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Guilherme Weihmann

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Guilherme Weihmann

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