Estamos nos aproximando do dia 20 de setembro, e neste mês em específico aqui no Rio Grande do Sul, celebramos os Festejos Farroupilhas.Neste mês, fazemos referência a um passado que todos que converso, tratam de trazer diferentes conotações sobre esse período em nosso estado, e com isso, é importante que pautemos o que essa data representa. Para grande parte do povo gaúcho a celebração de suas tradições, de expressão do orgulho de um povo que, historicamente, sempre se portou como questionador, aguerrido, um povo com IDENTIDADE, que sempre foi capaz de lutar pelos seus ideais, se entregando de corpo e alma para as coisas que ontem e hoje acredita!
Quando analisamos tudo que ocorreu durante a Revolução Farroupilha, lembramo-nos de muitos nomes e atitudes que se revelaram como grandes exemplos de luta e perseverança. Porém, dentre estes muitos nome e frases, o que me faz lembrar o atual momento em que vivemos, e me refiro sim ao contexto político, é a do homem de “fala estropiada”, como diziam os historiadores, me refiro a Honório Lemes, o Tropeiro da Liberdade que lutou de pé e cabeça erguida, consagrando-se como um dos grandes heróis da história do Rio Grande do Sul.
De acordo com a história, atribui-se a ele a frase: "A LIBERDADE NÃO SE IMPLORA DE JOELHOS", frase essa que devemos seguir, para que corajosamente possa nos inspirar a combater de cabeça erguida o enfrentamento direto contra a arbitrariedade que nos é imposta, seja pelos governantes, ou seja, pela guerra cultural que somos assediados todos os dias.
Em uma passagem bíblica temos a seguinte frase: “Antes de julgar, precisamos conhecer o outro” (Mt 7,1-5).
Hoje, todos se intitulam defensores de todas as causas, não importa o que você faça, sempre haverá um juiz de plantão pronto para julgar e condenar a sua ação e também não importa se é para o bem ou para o mal, a sede desses juízes da vida alheia é condenar a sua atitude, ainda mais se ela não estiver de acordo com o que eles pregam, mas que quase nunca cumprem.
Vivemos em um momento que é preciso lembrar o 20 de setembro não somente como uma revolução, como uma guerra sangrenta, mas sim de que somos um povo de identidade forte e que sempre brigamos pelas coisas certas, contra a tirania e contra a arbitrariedade imposta por algumas pessoas que se julgam acima do bem e do mal!
Precisamos pôr em prática ações que cativem o senso comum e que retirem as amarras do poder estatal, e assim, possamos buscar algo “justo", que justifique o restabelecimento da “ordem” em nosso país. Precisamos sim, lutar de cabeça erguida, sem ajoelharmo-nos perante aqueles que tentam sob as vestes de uma pseudo justiça, que todos os dias, desrespeitam direitos e garantias individuais.
Reafirmo: precisamos que cada gaúcho e gaúcha sejam os verdadeiros protagonistas na guerra contra um sistema que vem nos prejudicando a cada dia e não se preocupa mais com as nossas garantias constitucionais. Nosso Poder Judiciário vem demonstrando que desconhece os limites a ele impostos pela legislação e pela própria Constituição Federal, e isso não é sobre “DIREITA,ESQUERDA OU CENTRÃO”, é sobre os nossos direitos que a cada dia são vilipendiados sem qualquer retorno. Também, há demasias nos Poderes Executivo e Legislativo, como uma reforma trabalhista imposta obrigando o trabalhador a perder, de certa maneira, seus direitos, é a correção de juros nas demandas trabalhistas, que, a meu ver, mais uma vez prejudicou a parte hipossuficiente desta relação jurídica que é o trabalhador, é a reforma da previdência que a cada dia deixa mais brasileiros sem esperança de ter seu benefício assegurado no momento mais delicado de sua vida, e por aí vai.
É PRECISO LEMBRAR QUE O CARÁTER NÃO É UM PRODUTO DAS CIRCUNSTÂNCIAS, MAS SIM AQUILO QUE SOBREVIVE INDEPENDENTE DE TUDO.
Na vida não existem garantias, mas com certeza vamos perder muita coisa se ficarmos parados na em nossa zona de conforto. De maneira alguma podemos deixar que eles confundam nosso senso de humanidade com fraqueza, não podemos deixar que deste polo da relação eles acreditem que têm apenas pessoas sem atitude, SEM IDENTIDADE!
Queridos leitores, o mês farroupilha deve ser um mês de reflexões e resgate de história. Devemos sim, na medida do possível e com todo cuidado necessário, ir aos CTG’s (Centro de Tradições Gaúchas), locais onde grupos de pessoas fazem o resgate da história valorizando a cultura gaúcha e seus costumes, para conhecermos um pouco da nossa tradição .
Não quero aqui que vocês lembrem do 20 de setembro como uma luta sangrenta, mas sim que somos um povo com identidade, que nos dias de hoje está tendo os mesmos problemas que nossos antepassados tinham. Se naquela época a guerra se iniciou pelos altos impostos da carne, terra e outras coisas, nos dias de hoje não mudam muito as coisas por aqui.
Precisamos entender que um dia vamos fazer a última refeição, cheirar a última flor, dar um último abraço, sem saber que é a última vez que estaremos fazendo isso, e talvez, por isso, devemos fazer tudo que pudermos para melhorarmos o local em que vivemos. Lutar de forma racional e assim aproveitar ao máximo o que é nosso por DIREITO, buscando incansavelmente o bem.
A vida é tão preciosa porque não podemos assistir ela de novo, é isso que faz dela algo mágico.
Encerro a coluna de hoje, homenageando Honório Lemes, que foi um herói de outros tempos, mas que nos serve de exemplo em uma época em que políticos legislam apenas pelo egoísta objetivo de auto favorecimento e que, de certa maneira, manipulam a sociedade e influenciam nosso judiciário. Na sua lápide, em Rosário do Sul, a frase de sua autoria revela as causas pelas quais tanto lutou e que deixo aqui como uma reflexão :
"Quero leis que governem homens e não homens que governem leis".
Mais não falo, apenas reflito.......
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