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Sabado, 23 de Maio de 2026

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O ensurdecedor ruído do vazio

É preciso confiar na ciência!

O ensurdecedor ruído do vazio
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A coluna dessa semana é especial! Convidei meu amigo, Felippe Percheron, para que o mesmo pudesse utilizar este espaço no Repórter Guaibense para levá-los a refletir sobre um tema que o tem incomodado: o negacionismo na ciência. Amigos e amigas, desfrutem dessa leitura diferente!

Leia também: A minha visão de Ciência

Você confiaria o projeto e execução de sua casa a alguém sem conhecimentos de arquitetura ou de engenharia? Confiaria a sua segurança jurídica a alguém que não fosse, ao menos, um advogado? Eu, ao menos, não. Por que, então, confiar a formação e expansão do conhecimento a fontes descompromissadas com a verdade factualmente fundamentada? Por que confiar em quem defende que a sua verdade é incontestável e deve se sobressair, independentemente das evidências? Do que vemos, o negacionismo não é o caminho certo para a sobrevivência.

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Em frase atribuída a Stephen Hawking (1942-2018), histórico físico e cosmólogo britânico, se coloca que o maior inimigo do conhecimento não é a ignorância, e sim a ilusão do conhecimento. Ilusão que se fundamenta não em negar a verdade, mas da persistência de sua verdade mesmo diante dos fatos. “Mas por que a ciência, então, defende tanto a sua verdade?” Pensemos assim: se a verdade científica fosse uma corrente, os seus elos seriam os fatos, e quanto mais fatos agregados, maior a sua resistência. Independentemente de onde uma verdade venha, os fatos são o fiel da balança na comunidade científica, e são o que a natureza, em sua realidade, utiliza para nos dizer se estamos a entendendo ou se nos equivocamos em seu estudo. As Ciências (como formas de conhecimento), portanto, não defendem suas verdades, defendem a realidade dos fatos: defendem a própria fala da natureza.

Acreditar nas Ciências é acreditar no seu compromisso com a realidade, com a ética no tratamento dos fatos, no seu vínculo com o que a natureza tem a nos dizer e a nos mostrar. Nesse ano turbulento, vimos e vemos as mais variadas orientações dos órgãos de saúde ao longo da evolução da pandemia sobre os cuidados que deveríamos ter. A novidade que o novo coronavírus trouxe à tona é rotina dos e das cientistas, que enfrentam as mais adversas condições em que conhecimento é construído no fazer científico, e que refazer um argumento diante de evidências é fundamental para respeitar a natureza, e respeitar quem recebe esse argumento. Acreditar nas Ciências, antes de tudo, é acreditar no conhecimento científico produzido e tantas vezes ratificado a cada nova evidência coletada ao longo da história: confiar nas Ciências é acreditar no potencial do intelecto humano evoluído e em constante evolução e formação.

O negacionismo, recentemente em voga e atualmente infiltrado nas instituições que deveriam nos proteger, recusa conhecimentos que tenham respaldo na lógica científica, sob os mais diversos (e absurdos) argumentos. É, em sua síntese, uma forma de simular uma trapaça, de negar a realidade em si. Subverteu a relação entre Ciências, políticas públicas e sociedade, que apresentou, ao longo dos anos, uma série de benefícios à saúde humana, como na medicina preventiva (na produção de vacinas e de outros métodos de aumento da imunidade, por exemplo). Tornou essa relação uma tensão, e fomentou politizar e ideologizar ao invés de manter-se firme às evidências, rumando para a alocação de negacionistas da realidade na gestão do nosso bem-estar, da nossa saúde e segurança e do conhecimento das próximas gerações. O risco? O vazio: o vazio dos argumentos e o vazio das alegadas “evidências” negacionistas.

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A realidade da natureza não se dobra à vontade humana – veja-se o caso da covid-19, que por mais que queiramos sua extinção, é o vírus quem põe em risco nossa existência –, ela é que nos diz se acertamos ou erramos em sua interpretação. Não é ideológico, não é manipulado, é o fato em sua essência e existência. Se não há desconfiança na engenharia e no direito, por que desacreditar das ciências? A diferença tem sido clara: é histórico o desconhecimento da profissão de cientista, assim como da sua importância e formação. Poucas pessoas viram (ou veem) um ou uma cientista falar de ciências. Os e as cientistas, assim como divulgadores(as) e educadores(as) em Ciências, precisam muito se posicionar e falar, lutando por um espaço que foi ocupado pela retórica frívola. É necessário agir, porque o ensurdecedor ruído do vazio tem corroído nossa história, e está enferrujando nosso futuro.

FONTE/CRÉDITOS: Felippe Percheron
Comentários:
Guilherme Weihmann

Publicado por:

Guilherme Weihmann

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