Repórter Guaibense

Colunas/Opinião

O idadismo no Brasil

Ao se falar no idoso, estereótipos criados acabam prevalecendo. Um deles, é que o idoso é um ser frágil, que necessita de cuidado

O idadismo no Brasil
https://www.pexels.com/pt-br/foto/adulto-negocio-empresa-computador-4057758/
IMPRIMIR
Use este espaço apenas para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.
enviando

Como falamos na coluna anterior, vamos continuar abordando a respeito do Idadismo. Termo utilizado para descrever o preconceito sofrido por pessoas baseado na idade, ainda mais em relação a pessoas mais velhas. Hoje abordaremos como nosso país lida com o preconceito.

O idadismo se manifesta em várias esferas, tanto pessoais como profissionais. Ao se falar no idoso, estereótipos criados acabam prevalecendo. Um deles, é que o idoso é um ser frágil, que necessita de cuidados. O passar dos anos vai deixando marcas sim, mas nem todos os idosos ficam tão fragilizados. O excesso de zelo, pode muitas vezes gerar uma dependência.

Ele podendo manter sua rotina, é importante que mantenha sua liberdade. Muitas vezes vemos familiares não dando voz aos seus idosos. Eles acabam não consultados em decisões, tem suas finanças controladas por parentes, e nem quando vão ao medico, podem falar, pois muitos por zelo como falei, não deixam que eles sequer compartilhem do que estão sentindo.

Outro exemplo, diz respeito a tecnologia. Idosos são vistos como aqueles que não se adaptam ao novo. Mas será que eles são consultados quando novos aplicativos e ferramentas são lançados? Existem cursos que propiciam que eles aprendam com respeito as suas dificuldades, as novas ferramentas? Muitas vezes em casa, quando pedem ajuda, ouvem que são lentos e que não vão conseguir entrar no virtual.  São tantas as frases que são utilizadas como limitadores a idade, que as pessoas acabam internalizando os estereótipos. Chamamos isso de idadismo autodirigido. Até mesmo jovens acabam sofrendo com isso, pois acabam se considerando jovens demais para concorrer a uma vaga e por isso não chegam sequer a se candidatar.

E quanto ao estudo? Quando alguém com mais idade decide voltar a estudar, é apontado como algo muito inusitado. Mas quando se para de aprender? Em que momento não conseguimos mais reter novas informações? Sonhos não podem ser conquistados, porque o tempo passou? Tudo isso acaba excluindo as pessoas do convívio social. Junto então vem a perda ainda mais acentuada da autonomia e a solidão. Com isso se agrava a saúde tanto mental como física. A falta de convívio, de trocas, junto com a diminuição de uma rotina com atividades simples, mas que contribuem para manter a saúde em dia, geram vários problemas. Isso sem falar, na questão da sexualidade. Por preconceitos, é comum que idosos, tenham dificuldades em expressar sua sexualidade. Sobretudo mulheres. Uma mulher com mais idade, ao ter interesse sexual, é visa pela sociedade de maneira em geral, de forma vulgar e erotizada. E o reflexo disso se dá até mesmo em consultas médicas, pois teme a desaprovação ao precisar discutir questões sexuais, se reprimindo e não obtendo as informações de que precisa.

Entre os estereótipos mais comuns, utilizados para descrever os idosos estão: ser infantilizado, chegando a ser tratado com palavras diminutivas; ser frágil e necessitado, precisando de ajuda para tudo, até coisas simples; ser um atrasado digital; ultrapassado, entre outros. O idadismo precisa ser combatido. Para isso é necessário criar em todos os âmbitos, espaços propícios para a diversidade, além de investimentos com políticas publicas assistenciais e fortalecimento de leis contra as formas de preconceito. Promover a troca de informações e convívio entre gerações também é um caminho. Não podemos nos esquecer, que a população brasileira está envelhecendo. O país deve ser pensando para essa nova realidade, e ser empático com quem já tem contribuído ao longo do tempo para a formação do mesmo. 

Comentários:

Veja também