O medo é uma emoção inerente a todo ser humano. Ele pode ter duas conotações: uma positiva e outra negativa. A primeira dá conta que ele pode nos proteger de possíveis coisas que possam nos fazer mal, nos faz ficar mais atentos e reflexivos na hora de tomada de decisões. Já a forma negativa, é quando nos impede de seguir adiante, paralisa. Para termos o equilíbrio emocional, é necessário controlar e regular a experiência e colocar a razão a serviço da emoção.
Falar sobre medo é falar de algumas barreiras que as pessoas enfrentam quando se vêem frente a um diagnóstico. Alguns, diante da necessidade de uma busca mais profunda do que lhe tem causado algum desconforto fica paralisado. O medo do diagnóstico. Isso ocorre tanto nas questões de exames físicos quanto a questão mental. São tantos os rótulos criados quando se trata de saúde que a ameaça de carregar algum deles impede que se busque o tratamento mais adequado. O resultado da falta do recurso certo é agravar a situação.
Outra questão a ser analisada é a falta de autoconhecimento. As alterações iniciam na correria do dia a dia, e passam desapercebidas até que cheguem ao limite de literalmente explodirem. Enquanto isso acontece, as relações são prejudicadas e em todos os níveis. Um estudo brasileiro publicado no periódico The Lancet apontou uma queda do atendimento em saúde mental ambulatorial na pandemia. Já as consultas de emergência nessa área subiram 36%. Segundo os pesquisadores da Universidade de Brasília, Universidade Federal do Rio Grande do Sul e do Hospital de Clínicas e Porto Alegre os dados refletiram a opção das pessoas por evitar o ambiente de clínicas e hospitais. No entanto, essa mudança também pode agravar a crise de saúde mental e gerar uma pandemia paralela da covid-19, segundo os autores do estudo.
A curiosidade sobre transtornos existem. As pessoas amam séries onde os personagens parecem ter alguma questão. Filmes como Uma mente brilhante, Bicho de 7 cabeças, Forest Gump, A ilha do medo, Fragmentado, Preciosa entre outros, cativam e prendem os telespectadores. Intimamente, procuram buscar similaridade com as pessoas conhecidas para “achar” algo que seja parecido. Se oferecêssemos um aplicativo que fizesse este tipo de análise, acredito que seria um sucesso. Haja visto como os testes de inundam a internet são acessados. Mas a maioria, no entanto, apenas de forma especulativa. Ai surge um questionamento que não pode deixar de ser feito: para quê desejamos categorizar as pessoas? Um diagnóstico feito corretamente, por profissionais habilitados serve para indicar o melhor tratamento, seja mental ou físico. Não serve para reduzir a pessoa a critérios diagnósticos ou rótulos.
Para evitar pessoas medicadas de forma incorretas, é necessário a parceria. A rede de profissionais que atendem deve se comunicar para ampliar a visão a respeito do sujeito, possibilitando assim o tratamento adequado e qualidade de vida. Afinal, o que interessa é que a pessoa seja vista de forma integral. A saúde mental ou a falta dela, é mais complexa que um teste de internet possa diagnosticar. Nesses casos, o Google não ajuda.
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