A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) foi alterada pela Lei 13.415/2017, lei esta que estabelece as mudanças estruturais no ensino médio, como por exemplo, uma nova grade curricular, grade esta que deve seguir a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) com os itinerários formativos, contemplando áreas básicas de conhecimento e também área técnica e profissional, além do aumento de tempo mínimo de 800 para 1000 horas anuais, na prática de 4 para 5 horas diárias de aula, o que segundo o Ministério da Educação e Cultura (MEC) tem por objetivo garantir uma educação de qualidade e mais próxima da realidade dos estudantes brasileiros.
Vamos entender melhor esta nova grade?
A mesma está dividida em Formação Geral Básica (FGB) e Itinerários Formativos (IF).
Na FGB estão as Áreas de Conhecimento:
- Linguagens e suas tecnologias (Português, Literatura, Inglês, Espanhol, Arte, Educação Física),
- Matemática e suas tecnologias (Matemática),
- Ciências Humanas e sociais aplicadas (História, Geografia, Sociologia, Filosofia, Ensino Religioso),
- Ciências da Natureza e suas tecnologias (Biologia, Química, Física).
No IF estão:
- Componentes Obrigatórios (Projeto de Vida, Mundo do Trabalho, Cultura e Tecnologias Digitais, Iniciação Científica),
- Aprofundamento Curricular (Componentes Curriculares da área de aprofundamento, Disciplinas Eletivas).
A Nova Grade Curricular da Rede Pública Estadual de Educação do Rio Grande do Sul, publicada no Diário Oficial do RS e já encaminhada às escolas, das disciplinas da Formação Geral Básica, somente Português, Inglês e Matemática estarão presentes nos três anos de Ensino Médio. Educação Física/Filosofia/Literatura aparecem apenas no primeiro ano, Espanhol/Sociologia/Ensino Religioso apenas no segundo ano e Arte apenas no terceiro ano. Outro aspecto preocupante é que disciplinas como Química/Física/Biologia não serão ofertadas no terceiro ano, época em que os estudantes se preparam para os vestibulares e Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), prejudicando estudantes, já que são temas/conteúdos constantes nestas avaliações e por consequência, dificultaria o acesso ao Ensino Superior, além de aprofundar a diferença entre estudantes de baixa e alta renda, que poderiam custear cursos pré-vestibulares ou pré-ENEM.
O que é Projeto de Vida? Segundo MEC e BNCC, é um componente transversal obrigatório para orientar estudantes do ensino médio a entender suas aspirações profissionais e de vida, seus desejos para o futuro, compreendendo que a escola pode auxiliá-lo nestas questões com organização e planejamento.
O que são Itinerários Formativos? Segundo MEC e BNCC, serão ofertados pela rede/instituição, de forma optativa aos estudantes, na teoria cada escola deve oferecer ao menos duas opções de itinerários, compostos para aprofundar as áreas de conhecimento e formação técnica e profissional.
Na prática, como vai acontecer ainda é dúvida, muito mais perguntas do que respostas, como serão distribuídas as cargas horárias dos professores, como serão as formações e se haverão profissionais suficientes no início do ano letivo, como se dará a recuperação da defasagem de aprendizagem devido a pandemia, esta que por sinal não acabou! etc... Material didático e pedagógico para os itinerários formativos, condições físicas das escolas para fornecer a estrutura necessária a um atendimento qualificado, orientação em gestão, recursos financeiros e humanos (funcionários, limpeza, merenda, etc...). Enfim, todas estas questões e dúvidas de sempre, porém em novo formato (ironia aqui).
E então, qual a sua reflexão sobre o assunto?
Comentários: