Essa semana o Drone Cultural voltou a fazer mais um de seus voos bem-sucedidos em busca de histórias incríveis envolvendo a trajetória dos nossos artistas e trabalhadores da Cultura aqui de Guaíba.
Por sorte, o que não falta são escalas interessantes para fazer nesse plano de voo tão fantástico e revelador. Dessa vez, nossa conversa é com Fevi Lopes, artista envolvido com a Música e com o Teatro.
Mais um talento local que temos o imenso prazer de registrar aqui neste espaço.
Sem maiores delongas, vamos ao que interessa:
Respeitável Público!
Com vocês...
FEVI LOPES!!!
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DRONE CULTURAL - Primeiramente, queria te agradecer pela presença aqui na coluna e dizer que é um prazer te ter aqui, em mais uma escala nos voos frenéticos do Drone Cultural.
A primeira parada nessa retomada do plano de voo é bem aqui: no teu jardim.
Venho te acompanhando há algum tempo e, finalmente, chegou o momento de batermos um papo.
Então, para quem ainda não te conhece, vamos começar pelo básico: Quem é Fevi Lopes? De onde vem a tua veia artística? Conta um pouco da tua trajetória.
FEVI LOPES – Fevi Lopes é um jovem de 23 anos, guaibense, formando em Jornalismo e artista. É até engraçado pensar de onde vem a veia artística porque na minha família ninguém explorou esse lado até hoje, mas eu sempre senti uma emoção grande quando tive contato com as expressões artísticas, seja o teatro, a música, dança… Como todo futuro jornalista, sempre gostei de escrever também e descobrir o que as palavras podem fazer. E elas também podem fazer teatro, literatura e música. Acho que pode ter vindo daí, dessa paixão por contar histórias.
DC – Como está a expectativa para o lançamento do EP e do clipe? Muita ansiedade ou consegue manter a tranquilidade? Conta um pouco sobre esse projeto. Eu estou acompanhando nas redes e a identidade visual está linda e muito instigante. Me deixou curioso.
FEVI – A expectativa gera muita ansiedade. Por enquanto, eu até tenho me mantido tranquilo, mas sei que quando chegar o dia do lançamento do primeiro single ou do EP, eu vou estar uma pilha de nervos querendo saber o que as pessoas acham (risos). Sobre o conceito visual, tenho trabalhado desde que me reuni pela primeira vez com o Lucas1464, que assina a produção deste trabalho, e a ideia é passar uma vibe mais dark. Uma amiga minha, a talentosa Mariana Cunha, me ajudou a compor a estética, com referência à essência rock dos anos 90, com flanelas, correntes e coturnos. Existe também uma inspiração no visual do filme Da Magia à Sedução.
DC – Quais são as tuas referências na música? Onde você busca inspiração?
FEVI – A poesia e o talento lírico é o que mais me impressiona quando ouço alguma música. Eu curto bastante Cazuza, Marina Lima, Rita Lee… todos eles têm essa coisa incrível de fazer metáforas grandiosas, contar histórias através das letras. Eu tenho tentado fazer isso e espero que um dia chegue a 1% desses grandes cantores.
DC – Você também vem estabelecendo uma relação muito bacana com o Teatro.
Te vi em uma das montagens resultantes do Curso Teatro de Fato, promovido pelos amigos da Comparsaria das Façanhas, e, depois disso, te convidei para fazer parte do elenco do Grupo de Pesquisa Teatral Realejo EnCena (onde você vem realizando um ótimo trabalho, mesmo durante a pandemia).
Fala um pouco sobre essas tuas experiências no universo teatral.
FEVI – A paixão no teatro começou lá no Ensino Fundamental, quando tive algumas aulas voltadas para a linguagem e, depois, participei de um curta-metragem para concorrer a um festival. Ganhei a oportunidade de fazer Ensino Médio numa escola que tinha Teatro como uma de suas disciplinas e amava demais. Quando fui para a faculdade, a ideia de continuar atuando adormeceu um pouco, mas em 2018 me matriculei no curso Teatro de Fato aqui em Guaíba. Amei a experiência e retornei um ano depois para entender ainda mais o trabalho de pesquisa de Boal e o Teatro do Oprimido. Agora estou no Realejo e muito feliz com o trabalho que estamos desenvolvendo. Não vejo a hora de estar no palco novamente!
DC – Nessa tua faceta voltada para a atuação, quais são as tuas referências? Onde você procura inspiração?
FEVI – Acredito que depois de passar pelo Teatro de Fato, Augusto Boal se tornou uma grande referência para mim. A forma como ele enxergava o teatro e a preocupação com o todo - as pessoas, as políticas, as culturas, a sociedade em si - me faz querer seguir na arte para apontar aquilo que não está correto. E a minha maior fonte de inspiração é a vida real, são as pessoas que eu convivo no dia a dia, seus gestos, modos de falar, suas manias... Por isso, gosto de observar o que tá acontecendo na minha volta.
DC – O que o desenvolvimento de habilidades artísticas trouxe para a tua vida?
FEVI – Mais segurança, sem dúvida. Eu era uma pessoa muito tímida e tinha medo de fazer as coisas, me preocupando demais com o que os outros iriam pensar. E a arte te obriga a sair dessa caixa, desse padrão em que somos colocados e faz a gente renascer, de certa forma. Renascer sem vergonha, sem costumes ou normas já enraizadas.
DC – Como tu acha que esse tipo de desenvolvimento pode influenciar na vida das pessoas e na dinâmica de uma cidade?
FEVI – Acredito que quanto mais pessoas serem impactadas por esse desenvolvimento, teremos cada vez mais seres questionadores e menos seres façantes. Aí tu me pergunta: o que é um ser façante? É aquela pessoa que segue a mesma rotina de sempre, que tá acostumada com uma vida sem questionar o porquê tá fazendo aquilo, só chega e faz as coisas porque foi criado achando que a vida era essa. Já o questionador vai procurar entender cada situação, cada pensamento, cada fala. E isso pode mudar com certeza o dia a dia de uma comunidade.
DC – Por falar em cidade, vou trazer o papo para um terreno que eu acho muito bacana.
Qual é a memória mais antiga que você tem aqui da cidade? Qual é o teu lugar favorito aqui?
FEVI – Acho que uma das melhores e mais antiga é a extinta maçã que ficava no Parque da Juventude. Lembro dos meus pais me levarem lá para brincar, era muito divertido. E o lugar favorito acho que é o topo da Escadaria 14 de Outubro - a visão que ela proporciona é sensacional.
DC – Como você imagina que as pessoas de fora enxergam Guaíba? Como você explicaria Guaíba para um estrangeiro?
FEVI – Acho que as pessoas de fora devem ter uma visão de que a cidade é pequena, sem grandes novidades ou pacata, e essa visão pode até ser culpa de como ela é mostrada por nós, moradores, e pelos nossos administradores locais também. Contudo, ela é uma cidade muito aconchegante, com muita gente talentosa que deveria ser mais reconhecida, cheia de histórias e palco de um pôr do Sol espetacular.
DC – Algumas perguntas são recorrentes e aparecem em todas as entrevistas que eu faço. Uma das minhas curiosidades é saber qual foi o momento mais emocionante vivido pelo colega artista até aqui. Já tem alguma memória marcante?
FEVI – Foi muito emocionante a estreia da peça Histórias Recortadas, que fizemos em 2019, dentro do projeto Teatro de Fato. O meu papel era um marido abusivo e foi um desafio enorme tratar de um tema tão delicado, mas que era necessário ser mostrado. Já a memória mais recente foi a gravação do meu clipe que estreia no fim do mês, algo que eu nunca tinha feito e deixou a equipe exausta, porém passou aquela sensação de dever cumprido, sabe?
DC – Como está sendo o teu caminho? Como a família e os amigos acompanham? Eles entendem o que você faz?
FEVI – Estou cercado de gente boa e apoiadora do meu lado. Os amigos, principalmente, sempre me acompanham e buscam ajudar de alguma forma. Já a minha família, entretanto, vê como algo menos concreto, mais como um “hobby”. É um processo fazer eles entenderem que isso também é trabalho e é importante, mas seguimos.
DC – Falando em emoção: Para ti, o que é música? O que é compor dentro da tua rotina?
FEVI – A música é vida. Ela tá em mim a todos os momentos. Eu escuto muita música, eu pesquiso, eu estudo. E ela vem quando eu tô indo dormir, quando eu acordo, quando eu tô no ônibus, no meio de uma videochamada... No meu processo musical, geralmente a melodia vem antes e depois eu tento escrever em cima, utilizando histórias minhas ou que ouvi por aí.
DC – Como é o teu processo criativo? Precisa de um ambiente específico/preparado, ou isso não é preponderante para a conexão com a inspiração?
FEVI – A maioria dos momentos que eu me dedico a um texto teatral ou a uma canção é dentro do meu quarto. Acho que ele traz essa sensação de “meu espaço” e aconchego que me deixa mais livre. Porém, não chego a ter um ritual específico e deixo a emoção surgir. Em alguns momentos, eu busco ser mais técnico, analisar aquilo que tô fazendo, mas o pontapé inicial tem que ser na base da emoção, dos sentimentos mesmo.
DC – Por mais que nos preparemos, vivemos na corda bamba e as saias justas estão inevitavelmente presentes nas nossas empreitadas.
No meio de tantas coisas legais que já aconteceram ao longo da tua experiência, qual foi o maior perrengue que você passou na tua trajetória de construção artística?
FEVI – Acho que um microfone falhando em uma apresentação… em um âmbito maior, creio que o perrengue foi ficar alguns meses sem inspiração para nada. Depois passa e a gente entende, mas na hora a gente fica preocupado achando que nunca mais vai compor (risos).
DC – Falando em perrengue, neste momento, mesmo com a vacinação em andamento, permanecemos em um cenário tenebroso. Continuamos ultrapassando todos os limites e o enredo é muito caótico.
Como você está vivendo esta pandemia? Como você faz para não deixar a tristeza tomar conta? Qual é o papel da arte na tua vida nesse momento? Como estão os processos criativos?
FEVI – Quando a pandemia surgiu, eu fiquei bem apavorado. Agora, eu continuo apavorado, mas aprendi a conviver com essa rotina e os sentimentos que vieram à tona. Em relação aos processos criativos, ela deu uma emoção no sentido de expor mais as indignações, os problemas. Tem uma música no EP que surgiu neste momento e se chama “Homens”. Ela fala sobre como a maioria dos homens se comportam (mal) em nossa sociedade e como isso é reforçado como se fosse um ciclo sem fim.
DC – A pandemia pode inspirar?
FEVI – Pode sim, mas não positivamente. Eu acho absurdo quando alguém fala que a pandemia permitiu um olhar de que “todos nós somos iguais” ou algo assim. A verdade é que ela reforçou o quanto a sociedade é desigual e não tem amparo. Já temos mais de meio milhão de mortes, coisa que não devia estar acontecendo se a vacinação tivesse iniciado muito tempo antes. E ela podia ter acontecido antes.
DC – Que tipo de emoções estimular em um momento tão obscuro na história?
FEVI – Tentar buscar na mente um local que esteja atento ao que está acontecendo, mas que não fique toda hora te lembrando isso. É importante a gente ter ciência de que as coisas estão ruins, mas é importante também preservar a nossa saúde mental e tentar não gerar pensamentos de constante tristeza.
DC – Quais sonhos você alimenta para o seu futuro artístico/profissional?
FEVI – Quero fazer mais peças, mais músicas, denunciar aquilo que estiver errado e, definitivamente, contar mais histórias.
DC – Outra pergunta clássica aqui neste espaço:
Se você existisse dentro de uma música, livro, quadro, peça, ou qualquer outra obra de arte, que personagem você gostaria de ser?
FEVI – Recentemente li “Orlando”, da Virginia Woolf, e fiquei muito impactado. É um livro que fala sobre gênero, liberdade e escrita. Seria interessante estar num patamar evolutivo da principal personagem desse livro. Outra obra incrível que seria interessante estar é “O Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna.
DC – Como você vê o cenário cultural guaibense? O que gostaria de ver nos próximos anos?
FEVI – Gostaria de ver a cena cultural sendo reconhecida e apoiada de verdade na comunidade. Existe tanta gente fazendo coisa boa aqui e, na maior parte das vezes, as pessoas não têm nem noção. Também gostaria que a cidade tivesse mais investimento na cultura, atraindo outras pessoas de fora para cá e vendo que Guaíba também é berço da arte e da cultura.
DC – Que conselho você pode dar para quem tem vontade de seguir o caminho artístico?
FEVI – Que é um caminho difícil e com muitas dificuldades, então o importante é acreditar fielmente no que tem para falar, para mostrar e não arredar o pé até alguém te ouvir ou te ver.
DC – Alguma referência para seguir, ler ou assistir? Em quem ou onde buscar inspiração?
FEVI – Drag queens! Sempre são fontes de inspiração e é uma expressão artística que muita gente não leva a sério.
DC – Uma última pergunta: O que é sucesso?
FEVI – Um sorriso de satisfação por orgulho de si mesmo.
DC – Estamos encerrando a nossa conversa.
Não poderia deixar de agradecer muito a tua disponibilidade para esse bate-papo comigo.
Esse é um espaço de contato com a nossa comunidade. Gostaria que você deixasse um recado para os colegas trabalhadores da Cultura e para todos os nossos vizinhos.
Pode falar o que quiser, meu amigo.
FEVI – Fico muito feliz com a oportunidade de estar falando sobre o meu trabalho aqui e agradeço imensamente. Aos colegas, vamos nos unir cada vez mais e buscar um diálogo que se transforme em ferramentas efetivas de reforço da nossa arte. Aos demais, dia 15 tem música nova e no fim do mês tem videoclipe e EP novo, todos eles disponíveis nas principais plataformas de streaming. Evoé!
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Que belo bate-papo, né?
Como tem gente talentosa e pensante aqui!
Espalhem isso para todos os nossos vizinhos. De dentro e de fora da cidade.
Tenho certeza de que muitos de vocês ficaram curiosos para conhecer o trabalho do Fevi Lopes. Então, para facilitar, vou deixar o link para encontrar o artista no Instagram e para a campanha de lançamento do EP.
Sigam o trabalho dele. Nos próximos dias tem bastante novidade. Dia 15/07 é o lançamento do single (Não)Me Faz Feliz e no dia 30/07 o artista lança o clipe dessa música e o EP. Vale a pena ficar de olho.
E aí, conhece mais alguém que você gostaria de ver sendo entrevistado aqui? Coloca nos comentários. Vai ser muito legal contar com as indicações de vocês.
O plano de voo é constantemente atualizado e adoramos escutar boas histórias.
Quer continuar acompanhando essas descobertas?
Então te segura nas patinhas do Drone e vem com agente!
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