No mês em que se abordam os temas do Setembro Amarelo, suas raízes e seus desdobramentos, como a prevenção ao suicídio, autocuidado, a saúde emocional, enfim, temas estes de fundamental importância que se traga à luz do debate, quero aqui refletir sobre os mesmos na infância. Sim, porque estão presentes na infância, e muito, se não diretamente com a criança, se fazem presentes com seus familiares, amigos ou pessoas de seu convívio.
O impacto da depressão atinge a milhares de lares brasileiros, de maneira mais ou menos profunda, muitas vezes com episódios suicidas. Nossos pequenos não estão imunes nem alheios a esta realidade, então é preciso conversar sobre o assunto, abordar o tema no tempo deles, no nível deles. Em tempos de isolamento social, novo formato das atividades escolares e de lazer, insegurança emocional e desestabilização econômica então, é quase que imprescindível o diálogo sobre.
Familiares, cuidadores e educadores precisam estar atentos a sinais como a tristeza persistente, a irritação e ou agressividade sem motivo, perda ou excesso de sono, de concentração, isolamento constante, sentimento de culpa por fatos ou manifestações alheias, baixa autoestima, desânimo ou mesmo tédio, falta ou excesso de fome entre outros, sinais estes verbalizados ou não. Mas como perceber se é um sinal de algo passageiro ou mais grave, bem, a regra é simples: tudo que é exagerado requer observação, atenção, cuidado e atitude!
Precisamos agir em rede: familiares, cuidadores, educadores e sociedade em geral. Onde um falha, o outro entra em ação. Precisamos estar atentos e cuidar da nossa infância, com zelo, cautela e responsabilidade! Quantos casos poderiam ter sido evitados, quantos abusos e crimes contra a infância temos assistido na mídia, chocantes, e que nos fazem refletir sobre nossa própria humanidade e a capacidade de proteger nossos pequenos e a construção de um futuro.
A criança que viveu o drama do suicídio com alguém de sua família ou convívio necessita de acolhimento, compreensão e espaço de fala, precisa viver o luto, mesmo que não o compreenda totalmente, para poder seguir a infância depois da perda. A criança depressiva precisa de atenção e tratamento, sim, crianças também tem depressão, e isto não depende classe social, sexo, raça, crença religiosa, pode atingir qualquer um. Fique atento! Se julgar necessário, busque informação em lugares confiáveis, sérios e, se preciso, busque ajuda!
Cuidado com a infância se faz com políticas públicas de saúde, educação e assistência social em um âmbito mais amplo, mas também se faz com pequenas atitudes como o incentivo da curiosidade e criatividade, o cultivo de valores e crenças positivas, o desenvolvimento de novas habilidades e conhecimentos, o estabelecimento de vínculos afetivos e de confiança saudáveis, o contato com a arte e a cultura em suas diversas manifestações, a interação respeitosa com a natureza e o meio ambiente, o agir gentil consigo próprio e com os outros seres humanos...
A infância é a fase mais rica de estabelecimento de significados e sentimentos do ser humano! É na infância que construímos nossas bases para a vida adulta. Proteger a infância é um dever de todos nós!
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