O Magistério, para alguns mais do que uma profissão, um ofício, uma missão, um dom. Já foi tão admirada, glamourosa, respeitada, hoje tão desvalorizada, tão atacada... Claro que com exceções, não generalizando. No entanto o que assistimos em grande parte do país é o sucateamento da educação, especialmente (mas não só) da pública, a culpabilização dos professores, desvalorizados como profissionais em suas condições de trabalho e em remuneração. Categoria que possui um Piso Nacional aprovado por Lei, mas não cumprido em tantos estados e municípios. Vale lembrar que o magistério é uma profissão, portanto os profissionais da área precisam ser valorizados com uma remuneração que os proporcione vida digna.
Profissionais que para exercerem a profissão cursam anos de um curso superior e depois mais alguns em pós-graduação, outros tantos em mestrados e doutorados e que veem sua remuneração extremamente aquém de outros profissionais com o mesmo nível de formação. Basta observar editais de concursos públicos e verificar a remuneração oferecida a profissionais com curso superior exigido e compará-los aos oferecidos para os professores.
Profissão tão cheia de desafios, de detalhes, de burocracia, tão intensa em seu cotidiano, em sua missão, pois ultrapassa o papel de ensinar, de instruir, repleta de emoções, afinal as dores e as alegrias do crescimento humano físico e emocional fazem companhia em seu ambiente de trabalho, através de seus alunos. Profissão que devido a estes pormenores, nunca para de aprender, de se atualizar, de se aprofundar, de ampliar o leque de conhecimentos que o ferramentam para a rotina educacional.
Lidamos com a pluralidade, agimos com o conhecimento científico e a sensibilização, a variação gigante de metodologias, a inclusão, os transtornos de aprendizagem, o abandono parental, o abandono intelectual, lidamos com uma legislação cada vez mais burocrática, afastada da realidade da escola, as visões e os projetos impostos pelos governos. Lidamos com uma educação imaginada no papel e adaptada na prática, com julgamentos e condenações. Todos estes fatores tem contribuído para desestimular os jovens a seguirem a carreira do magistério.
É preciso resgatar a valorização, o protagonismo da carreira docente, ou logo não teremos professores no mercado de trabalho. Já é observada a falta de profissionais em algumas áreas de conhecimento, em algumas regiões do país, através de políticas públicas que realmente afetem positivamente a escola o cotidiano escolar.
O papel do professor é fundamental para a sociedade, é a profissão que forma todas as outras profissões. É nobre e repleto de responsabilidades, mas não atrai mais como carreira, os jovens não desejam as licenciaturas. O trabalho é mal remunerado, o docente é confrontado por alunos, pais, esquecido pelos governos e desvalorizados pela sociedade em geral. Culpabilizado pelo baixo rendimento escolar, acusado de forçar ideologias próprias e contrárias aos governos, e mais recentemente brindados com o homeschooling (aliás, tema de nossa próxima coluna).
É claríssimo que se não houver uma mudança neste panorama, teremos falta destes profissionais em um futuro próximo.
Encerro esta coluna com a reflexão de Cristovam Buarque: “Cabeça, coração e bolso formam a trindade do magistério: cabeça bem formada, coração bem motivado e bolso bem remunerado”.
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