Iniciamos nesta semana uma série de bate papos com profissionais da educação sobre os mais diversos assuntos ligados a este universo tão complexo e tão imprescindível que é a educação guaibense, gaúcha, brasileira.
E já começamos trocando idéias e reflexões com o professor Hibraim Vargas Togeski, licenciado em História pela UNIASSELVI, especialização em Educação com Ênfase em Orientação Escolar pela Universidade Dom Alberto. Professor da Rede Pública Estadual do Rio Grande do Sul a 22 anos, atualmente lecionando para o Ensino Médio Regular e Educação de Jovens e Adultos (EM) na Escola Profª Aglae Khel.

Carmen (RG) - Professor Hibraim, qual a sua opinião sobre o Novo Ensino Médio?
Prof. Hibraim - Sobre o Novo Ensino Médio, tenho um posicionamento extremamente crítico do ponto de vista da formação dos alunos, na diminuição da carga horária nas disciplinas de humanas, e por consequência o viés voltado para o trabalho na formação de mão de obra barata, atendendo aos interesses da classe dominante, vejo um grande retrocesso na educação pública apontando para acentuar a desigualdade de oportunidades de aprendizagem em nossa sociedade já tão desigual.
Entendo que a educação precisa caminhar junto com a evolução das tecnologias e também atender os interesses futuros do educando no seu processo evolutivo na construção de sua vida, seja pessoal, social ou econômica. Considerando toda essa complexidade acima citada não vejo o Novo Ensino Médio na sua estrutura capaz de promover uma educação com qualidade na construção do conhecimento.
Carmen (RG) - E como fica o ensino da disciplina de História dentro deste contexto?
Prof. Hibraim - Em relação a disciplina de História, sabemos da sua importância e função social quer seja na formação do pensamento crítico, quer seja na construção de conceitos ou até mesmo a desconstrução dos mesmos. A história mostra a influência do passado no presente conhecendo os erros e acertos, a preservação da identidade e a cultura das sociedades humanas, e através de seu estudo a evolução do pensamento critico pautado em verdades, em fatos e suas consequências.
A história é essencial para formação de nossos estudantes do ponto de vista intelectual, na contribuição para a relação com outras disciplinas na perspectiva de um ensino/aprendizagem com qualidade, abrangência do conhecimento e reconhecimento de cidadania, entendendo a sua importância nessa construção de educação. Infelizmente o componente curricular de História não está contemplado como deveria no Novo Ensino Médio.
Cito Mary del Priore quando diz: "Todos, porém, que já estivemos ou estamos em sala de aula, acumulamos alguma experiência e aprendemos a desconfiar das derivas autoritárias. Temos um objetivo, e, é em sua direção que iremos caminhar: desenvolver pessoas autônomas e livres. E temos matéria para fazê-lo. Sejamos, sim, em tempos sombrios, os profissionais do entusiasmo”.
Carmen (RG) - Esta coluna agradece imensamente a contribuição das reflexões e pensamentos do professor Hibraim, acreditando que é através da multiplicação de informações e diálogos de base, com profissionais que atuam dentro do espaço escolar que podemos construir boas práticas no fazer educacional. Esperançar sempre, refletir sempre, refazer e reconstruir se preciso fôr. A educação brasileira precisa, a educação brasileira agradece.
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