Primeiro semestre encerrado! Polêmico, agitado, tivemos toda a preparação, organização, expectativa para o retorno presencial, e ele veio, aos poucos, de forma escalonada e híbrida. Iniciando-se na rede privada, depois a rede pública estadual, seguido então pela rede pública municipal. Houveram manifestações contra e a favor deste retorno, tivemos uma greve sanitária dos professores em âmbito municipal, estudamos muito os protocolos de cuidados para evitar o contágio pelo vírus. E as experiências de retorno então, em algumas escolas com mais adesões, em outras menos. Mas de forma geral, a maioria dos responsáveis pelos estudantes optando pelo ensino remoto, pois acreditam que o momento ainda se apresenta inseguro para um retorno presencial.
Reuniões, planilhas, formações, planilhas, licença aqui para suspiros e risos. Alinhamos e colocamos em prática estratégias de ações e comportamentos para a prática em sala de aula e nas plataformas, por vezes de forma alternada, outras vezes simultânea. Estamos tentando encontrar o meio termo para associar a preocupação, o medo, a insegurança pela nossa própria saúde, a de nossos familiares e alunos com a energia mental necessária para o acolhimento e o desenvolvimento das atividades com os educandos. Alinhar as ações pedagógicas com o desenvolvimento de conteúdos e habilidades, realizamos em âmbito estadual a avaliação diagnóstica que veio pronta e imposta. Fácil não é, nunca foi na verdade.
Equilíbrio é a palavra-chave para nós professores neste momento. Precisamos equilibrar nosso tempo, nossas ações, nossas atividades, nossa vida profissional e pessoal. A pandemia não nos permite grandes planejamentos, se faz necessário a premissa do “um dia de cada vez”, controlar expectativas e ansiedades. E haja saúde mental para tanto. Por isso se faz tão necessário um tempo para o descanso, o pensar em nada, o relaxar, para recompor o corpo e a mente. Sempre ouvimos que o magistério é uma categoria privilegiada por ter férias duas vezes ao ano, ledo engano de quem não conhece nossa rotina de trabalho e tudo o que ela envolve. Iniciemos então nosso recesso tão necessário.
Que tenhamos uma semana dedicada ao descanso físico e mental, recarregando as energias para o próximo semestre. Realizando tarefas simples, para nós e por nós mesmos, como fazer uma caminhada ao ar livre, comer bergamota lagarteando ao sol, preparar um bolo de chocolate e degustar devagarinho, dormir mais um tempinho e sem culpa, maratonar uma série beliscando aquela pipoca, ler aquele livro que há tempos queremos, cuidar das plantas e dos pets, passear com todos os cuidados de saúde (sempre), ou simplesmente aproveitar a família e o lar, desconectar-se desta roda viva em que estamos inseridos. Em um trocadilho simples, aproveitar este recesso de forma presencial.
O segundo semestre promete! Li em algum lugar que as perdas na área educacional são irreversíveis, mas sinceramente não acredito neste pensamento pequeno e raso. São perdas grandes, mas totalmente recuperáveis, com mais ou menos tempo e muito planejamento, o que demandará políticas públicas sérias e bem aplicadas, amparo aos educandos e profissionais da educação. Irreversível mesmo são as perdas de vidas ocorridas. Já passou da hora de o MEC “despertar” e iniciar a discussão e a ação de estratégias para promover a recomposição da educação brasileira, valorizando o que já está sendo feito de positivo e dando condições de buscar a recuperação, a reestruturação, com os recursos necessários, inclusive os financeiros, estes aliás que tem sido cada vez mais reduzidos.
Educação de qualidade se faz com tudo o que já foi citado, mas também com profissionais bem valorizados e remunerados, escolas estruturadas, em ótimas condições, bem equipadas, ambientes funcionais, agradáveis e confortáveis, da educação infantil à universidade.
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