A recomposição de aprendizagem é um termo surgido no pós-pandemia e dentro do contexto educacional significa ações, iniciativas e atividades planejadas e organizadas de forma a auxiliar e estimular o processo ensino e aprendizagem, visto que devido ao período vivido houveram perdas, muitas, e também ao fato de os estudantes terem retornado com lacunas e níveis bem diferenciados. Procura equilibrar as diferenças para garantir evolução a todos.
Somos sabedores de que a escola como tínhamos antes da Pandemia não existe mais, recebemos alunos com inúmeros déficits na aprendizagem de conteúdos e especialmente no campo emocional, devido a perdas de vidas (quase a totalidade perdeu algum familiar ou amigo, ou mesmo conhecido) e pelo isolamento social. Muitas redes já observavam isto e se organizaram para garantir suporte a seus gestores, educadores, alunos e por vezes extensivo aos familiares também. Necessário ressaltar que nem todas as redes.
A recomposição de aprendizagem inicia-se com uma sondagem do que os alunos aprenderam e do que ficou para trás, o mais individualizado possível, demarcação de um ponto de partida e objetivos claros a serem atingidos. E isto exige planejamento constante, não pode e não deve ser fechado, engessado, bem ao contrário, precisa ser flexível e revisto constantemente, as estratégias e as ações que nortearão o processo todo. Fundamental também contar com a participação de todos. Focar no que é importante a cada passo do processo, equilibrando o aprendizado de conteúdos com habilidades sociais e saúde emocional.
A recomposição é um processo contínuo e lento, não se pode querer sempre e em todos os casos resultados imediatos, é necessário refletir sobre a evolução de cada estudante de maneira individualizada, da maneira mais fiel possível, e para isso voltamos ao ponto do tempo necessário de analisar e reavaliar as ações e metodologias aplicadas. Se cada aluno é um indivíduo e deve ser visto e avaliado como tanto, se torna óbvio que cada turma, cada escola, cada rede precisa encontrar sua própria trilha e respeitar a caminhada.
Proporcionar formação continuada sempre foi necessária, no entanto neste período ela é de suma importância, atualizar conhecimentos e fomentar boas práticas, proporcionando aos nossos alunos e professores o que há de mais novo e melhor em questões como tecnologia e recursos diversos, ofertar também recursos importantes como a alimentação escolar e o apoio de supervisores, orientadores, o auxílio técnico de psicólogos, psicopedagogos e neuropsicopedagogos, além de uma boa interlocução com a equipe de saúde do município.
Promover o diálogo entre as escolas e porque não, entre redes, proporcionando a troca de experiências positivas e as negativas também, descobrir pontos fortes e fracos, adaptar técnicas e dinâmicas que promovam aprendizado, focar no reforço escolar bem estruturado como um grande aliado, recalcular a rota como ouvimos muito atualmente e que representa tão bem nosso momento, reordenar prioridades e necessidades, estimular as potencialidades observadas, levar em conta seus saberes, resgatar as dificuldades buscando reduzi-las ou eliminá-las.
Investir em uma educação mais viva, propositiva, inclusiva, que vá além dos conteúdos, buscando ideias e ideais de quem conhece o chão da sala de aula, o dia a dia dentro da escola, e assim ampliando conhecimentos e práticas de artes, esportes, relações humanas, diversidade, ecologia e sustentabilidade, educação financeira, enfim, auxiliando nossos alunos em sua existência como cidadãos, valorizando a vida, e vida em abundância! Expandindo a visão de educação, pois a ignorância é cara, custa muito, e para todos!
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