Em 12 de julho de 1927 nascia lá na fronteira em Santana do Livramento João Carlos D’Ávila Paixão Côrtes, agrônomo de formação, ficou muito conhecido mundialmente como folclorista, compositor, cantor, radialista e pesquisador rio-grandense, um apaixonado pelas coisas do pago.
Foi precursor do MTG (Movimento Tradicionalista Gaúcho) junto com seus outros sete amigos do Colégio Júlio de Castilhos, o Julinho.
Esse homem, mais que aficionado, era um destemido determinado a deixar um legado, um grande legado.
Paixão Côrtes deixou de lado a preguiça e foi buscar pelo interior do estado, num resgate maravilhoso, a história da sua gente, do povo gaúcho simples e humilde, o povo do campo, a sociedade rupestre, a singeleza da simplicidade verdadeira, trazendo em livros, suas pesquisas, com as vestimentas, os usos e costumes, os aspectos da sociedade, as danças e as músicas de nossos antepassados.
A gente as vezes não consegue mensurar nem entender a grandiosidade dos fatos e das pessoas. Paixão é muito maior que os títulos, Paixão é o pai do Tradicionalismo, é o responsável por resgatar a dignidade do gaúcho pilchado, do homem a cavalo, da prenda em seu vestido, por qualquer lugar que seja, Paixão lutou contra os estrangeirismos da época para trazer a iconografia do gaúcho para o palco principal da sua terra.
Um jovem de vinte e poucos anos que pegava seu aparelho de gravação (em fita magnética de rolo) e pagava passagem nos ônibus que precisava tomar para se deslocar ao interior. Afinal o gravador ocupava um acento, indo em busca do resgate, entrevistando pessoas, procurando quem tivesse vivido os bailes, as danças, o modo de vestir do Rio Grande antigo.
Deixou para sua gente, nossa gente, mais de vinte livros, nove álbuns gravados em estúdio, onze composições e tem sua estampa guardada na estátua do Laçador do Antônio Caringi, entre o tanto que plantou e vingou.
Paixão fundou o “35 CTG” mas foi a frente do Grupo Folclórico Tropeiros da Tradição que ganhou notoriedade, criado em 1953 e que até hoje mantém viva a dança através de José Moacir Gomes dos Santos, um dos fiéis escudeiros do Paixão nesse rumo da dança.
Paixão criou os CTGs, os concursos e como um dos principais legados a dança, ele que levou a dança para o mundo, sendo homenageado por esse trabalho em várias oportunidades.
Hoje o nosso querido Moacir Gomes segue os passos do mestre, escrevendo livros e pesquisando danças ainda não descritas pelo Paixão, sendo um verdadeiro seguidor dos caminhos de Paixão, continuando com o caminho de legar ao povo as suas próprias origens.
Mais do que competição, troféus e disputas, o legado de Paixão Côrtes na arte da dança deve ser a integração, a busca pela fraternidade e cada vez mais a inserção dos jovens e crianças no meio tradicionalista pela dança.
A dança que o Moacir Gomes, o Tio Moa ensina e manifesta com o Tropeiros da Tradição, resgata com sua força, a mesma força que o Paixão e seus amigos de Julinho nos ensinaram a ter para que os nossos antepassados sejam sempre reverenciados em nossos corações, em nossas recordações e em nossos CTGs.
Deveriam ser em nossas escolas, mas precisamos que o movimento educacional encampe essa bandeira.
O histórico do Paixão, aqui relatada, nos remete a coragem, curiosidade e proposito!! Sim, porque quando acreditamos em algo e empenhamos nossa dedicação, se colhe frutos, multiplicamos o saber.
Que possamos, sempre fazer, o exercício de nos questionarmos: Qual legado queremos deixar? Aqui nestes parágrafos falamos de duas importantes personas para o nosso tradicionalismo, que com clareza e coragem, escolheram qual seria e ainda é seu legado.
“Que o maior presente entre as pessoas, sejam a bondade e o amor fraterno!”
Mário Terres e Tainara Moraga
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