Digo sempre que meu verbo nestes tempos pandêmicos é “esperançar”, e apesar deste título acima, não mudei de ideia, ainda. Tenho lido e assistido as últimas notícias sobre educação veiculadas na imprensa e me pego triste, melhor, perplexa. Mas vamos refletir juntos sobre estes temas e te convido a deixar tua opinião também.
Nosso primeiro assunto é o retorno às aulas presenciais nas redes de ensino que estão optando por isso, qual seria o objetivo deste retorno, na minha opinião, prematuro, pois não vejo segurança nos protocolos. Uma coisa são adultos entenderem e seguirem as regras sanitárias de prevenção ao coronavírus (e olha que não são todos que as seguem), outra coisa são crianças e adolescentes fazê-los.
E a questão que mais me preocupa é a saúde emocional dos professores que temem o retorno e o terão que fazer da mesma maneira. Que tipo de planejamento e execução de aulas serão estas, onde os educadores estarão inseguros, cansados e ansiosos, onde poucos alunos participarão, pois é notório que a maioria dos pais optará por deixarem os filhos em casa. Como ficará a carga horária do professor, dividindo-se entre aulas presenciais e online, qual será o aproveitamento de tudo isso...
Fico refletindo o porquê dos debates entre candidatos a prefeitos terem que ser realizados em carros, cercados de cuidados e números de pessoas reduzidas, e as escolas terem de receber os alunos e pais, professores e funcionários de outra maneira. Sem contar que se observarmos os resultados desastrosos em outros estados e países quando houve o retorno, não temos motivos para acreditar que aqui no Rio Grande do Sul será diferente.
A frase de Milton Ribeiro
Outro assunto que me fez refletir foi a frase do nosso Ministro da Educação, Milton Ribeiro sobre os professores, disse ele:
“Hoje, ser um professor é ter quase que uma declaração de que a pessoa não conseguiu fazer outra coisa”.
Em um primeiro momento a sensação é de indignação, raiva até, depois releio e observo a pobreza de espírito e significados na frase, a interpretação rasa sobre uma classe de trabalhadores tão fundamental a qualquer país sério.
O problema aqui nem é a tal frase em si, que já demonstra um preconceito velado, minimalizando tão sublime profissão, mas sim de quem a disse, o líder de um ministério que deveria valorizar através de respeito, capacitação, bons salários e políticas públicas eficientes que impulsionassem a educação no país, este contexto todo demonstra como o governo federal vê os profissionais da educação, como está desinformado do que é e o que significa ser professor.
A Política Nacional da Educação Especial
Nosso terceiro assunto é sobre a Política Nacional da Educação Especial que foi assinada pelo presidente da República e publicada no dia 1 de outubro, onde consta o incentivo a segregação de alunos com deficiência.
Quem convive com esta realidade diariamente sabe que é um passo atrás nas conquistas que pautam a inclusão escolar. O decreto foi recebido com estranheza e indignação pelos setores ligados a educação, tendo inclusive sido questionada a sua constitucionalidade. Setores políticos no Congresso e Senado, entidades educacionais e especialistas da área da inclusão já estão se manifestando e se posicionando contra a PNEE.
Mas, este é um assunto que merece uma coluna inteira, e terá.
No entanto, em respeito aos leitores desta coluna, vou encerrá-la com otimismo, “esperançando”, citando aqui o poeta Mário Quintana:
“Quando abro a cada manhã a janela do meu quarto, é como se abrisse o mesmo livro numa página nova...”
Comentários: