O dia 30 de maio de 2020 ficou marcado na história da ciência e tecnologia, pois pela primeira vez um foguete de uma empresa particular transportou tripulantes rumo à Estação Espacial Internacional (ISS). Para alguns, isso é apenas uma missão, mais um transporte de astronautas; para nós, entusiastas da ciência e do avanço tecnológico para o bem, é uma nova porta que se abre para que possamos ter voos turísticos na atmosfera terrestre e vermos com nossos próprios olhos a beleza do “planeta azul”.
A SpaceX, fundada de fato em 2002 por Elon Musk, surgiu com dois princípios: barateamento de custos para construção e lançamento de foguetes em termos de matéria-prima, reaproveitamento de peças de um modelo em outro e inovação no combustível utilizado (mistura de hidrogênio líquido com outros compostos); e reutilização dos foguetes, ou seja, o foguete é lançado e em vez de se perder pelos oceanos, pousa verticalmente em local programado e levado de volta pra a base de lançamento.
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Com esses princípios, é possível reaproveitar um foguete (peças ou inteiro) para lançamentos futuros, evitando desperdícios e aumentando substancialmente o número de missões. A SpaceX passou por inúmeros casos de sucessos e insucessos nos seus 18 anos de existência, porém é uma empresa importante no ramo espacial e pioneira no que poderemos chamar de “turismo espacial”.
Antes de falar do marco histórico, acredito ser importante esclarecer como é a estrutura do foguete utilizado. Você deve ter lido ou ouvido pelos meios de comunicação dois nomes relacionados ao lançamento da SpaceX: Falcon 9 e Crew Dragon. Vamos colocar “os pingos nos is”.
SpaceX – junto com a parceira NASA – é a empresa privada responsável pela engenharia e construção do Falcon 9 e da Crew Dragon. O Falcon 9 é o foguete (com seus respectivos estágios) que foi utilizado no lançamento, ou seja, o propulsor responsável por transportar a Crew Dragon, módulo espacial o qual estavam os astronautas Doug Hurley (53) e Bob Behnken (49). O conjunto “Falcon 9 + Crew Dragon” partiu da histórica plataforma de lançamento 39A no Cabo Canaveral (Flórida – EUA), a mesma de onde partiu a Apolo 11 rumo à lua em 20 de julho de 1969.
Sobre a Apolo 11, há quem diga que a chegada do homem à lua é uma farsa construída em estúdio, também existem pessoas dizendo que esse lançamento da SpaceX é falso, utilizando imagens de lançamentos fracassados do passado para justificar o presente. Indo um pouco mais além, há quem diga que a Terra é plana (vide documentário da Netflix). É triste. Uma das provas que a Terra é um geoide é justamente a curvatura que um foguete traça ao ser lançado para o espaço, afinal estão atuando sobre eles forças mecânicas de diversas origens (rotação, gravidade, etc.).
Mas a ignorância e o achismo têm voz, e dizem que tal curvatura na trajetória do foguete é porque foi raspando no domo (teto da bolha que vivemos, se fosse é um terraplanista). Só rindo. Outra prova que a Terra é um geoide pode ser obtida em Guaíba mesmo. Basta esperar um dos navios que saem do Cais do Porto (Porto Alegre), passando pela Ilha da Pólvora rumo ao oceano e quando o mesmo estiver distante, não veremos a mesma coisa, parecerá que o navio afundou mais, entretanto é o efeito da curvatura da Terra mostrando a sua cara. Aos leitores, prometo aprofundar esse assunto numa coluna futura.
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Voltando para o lançamento da Crew Dragon, a questão que se coloca é: por que esse lançamento é histórico? O principal motivo é o transporte de tripulantes (NASA) ao espaço por uma empresa privada. Um fator interessante é que o Falcon 9 não se perdeu pois pousou verticalmente no oceano via programação (automatização), sendo recuperado para lançamentos futuros. Sobre o antigo programa espacial – que não reaproveitava foguetes – podemos fazer uma analogia com a aviação: é como se a cada voo executado por uma aeronave, a mesma fosse tocada no lixo. E por isso que o reaproveitamento de foguetes é importante em termos financeiros e de lixo. E por fim, um marco também para a NASA que, após nove anos, voltou a participar de um lançamento em solo norte-americano.
Vejam o vídeo do lançamento do conjunto "Falcon 9 + Crew Dragon":
E do pouso do primeiro estágio da Falcon 9:
Esse lançamento é um marco histórico! A partir de agora os voos turísticos pela atmosfera terrestre – sonho até então – surgem no horizonte da humanidade tanto pela SpaceX quanto por outras empresas do ramo, como a Boeing (via cápsula Starline).
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