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Quinta-feira, 16 de Julho de 2026

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Você é normal?

Uma reflexão sobre o conceito de normalidade

Você é normal?
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Normalidade é conceito complexo que pode ser entendido por muitas perspectivas.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) define normalidade não só como a ausência de doença, mas como bem estar físico, mental e social. Sob essa ótica, quem de nós poderia se determinar normal neste momento, ou arrisco dizer, em qualquer outro?

Há muitas formas de se pensar sobre a normalidade, mas quero convocá-los a refletir sobre a nossa necessidade de categorização em normal e anormal. Não é incomum que pacientes me perguntem: isso é normal? Nunca me sinto à vontade em dar resposta fria. Pondero sempre o quanto sofre ou faz sofrer e isso sim merece atenção. Na classificação dos transtornos mentais, há um tanto de arbitrariedade, uma vez que quem define o que caracteriza os diagnósticos somos nós, psiquiatras. Baseados em pesquisas e estudos elaboramos os manuais onde estão definidos critérios para a identificação do que é ou não “normal”. Só por aí já podemos perceber o quanto o conceito se presta a ser pensado.

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Psicofobia, o preconceito contra as pessoas diagnosticadas com transtornos mentais, é crime. Infelizmente isso não inibe sua existência, mais ou menos declarada, muitas vezes por parte dos próprios familiares ou até mesmo, do paciente contra si mesmo. Creio que o histórico preconceito com a “loucura”, nos faz querer dividir a humanidade em dois grupos, o dos normais e aquele do qual ninguém deseja fazer parte. Mas será mesmo que precisamos ficar tão assustados com aquilo que nos faz divergir da média, do padrão, do comum?

Não pretendo dizer que os transtornos mentais não existam, não tragam sofrimento (e muito) ou não mereçam tratamento. Quero propor apenas que possamos acolher com mais gentileza nossa identidade, que possamos assumir diagnósticos como parte do que nos faz humanos. Se a necessidade de tratamentos outros não nos envergonha, porque o tratamento psiquiátrico sim? Talvez porque ainda vivemos sob a ameaça de sermos considerados anormais, no sentido mais pejorativo do termo.

Se no sentido estatístico, anormal é o que foge à regra, talvez seja o momento de questionarmos o corrente uso do termo, somente para coisas negativas. Um gênio, um artista, um campeão olímpico, nunca são chamados de anormais pelo fato de terem habilidades extraordinárias, fora do comum. Nós damos, culturalmente, essa triste designação (anormal) a quem é também exceção, apenas ocupa o lado oposto da curva.

Nossas peculiaridades, aquilo que nos torna únicos, possivelmente não cumpram o critério estatístico de normalidade. Vamos abrir mão de ser quem somos para sermos normais?

Não pretendo esgotar em uma coluna assunto suficiente para um tratado filosófico, mas deixo aqui uma provocativa definição de normal: “normal é um ciclo da máquina de lavar roupas”.

Comentários:
Luciana Bridi

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Luciana Bridi

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