Neste sábado, 20 de novembro, é “Dia Nacional da Consciência Negra” no Brasil, oficialmente instituída pela Lei nº12.519 em 10 de novembro de 2011, ou seja a dez anos, data esta, escolhida em homenagem ao nascimento de Zumbi dos Palmares, líder negro e figura histórica brasileira, símbolo de resistência e luta pela liberdade. Dito isto, reflito um pouco aqui sobre estas questões e as crianças, crendo piamente que o preconceito não nasce com o ser humano, mas desenvolve-se depois devido a vários fatores.
A sociedade brasileira vive, desde sempre, o preconceito racial, entre tantos outros, embora perceba-se um movimento de negação da realidade em vários setores. E o que a educação tem a ver com isso? Quase tudo! Muitas vezes será na escola que as crianças viverão as primeiras experiências de sofrer ou de praticar preconceito, e o que acontecerá destas vivências então é o que pode fazer a diferença na vida de todos os envolvidos! É importante que tais situações sejam tratadas com a devida atenção.
Como que a escola pode ajudar então? De várias maneiras, primeiro, fortalecendo o conhecimento da contribuição cultural e histórica afro-brasileira no nosso cotidiano, ensinando a respeitá-las. A história do sofrimento da escravidão, mas também da resistência, da luta por liberdade e justiça. A representatividade do negro brasileiro, daquele ator, cantora, jogador de futebol, modelo, ginasta, apresentadora de televisão, etc... mas também do cientista, da médica, do advogado, da juíza, do empresário, da professora, do biólogo, da cozinheira, do enfermeiro, enfim, de todas as profissões, todas as atividades são “extremamente” importantes, e a presença negra pode e deve ser valorizada e respeitada em qualquer posto de trabalho e de ação!
Outro passo importante é o diálogo, conversar sobre o assunto com as crianças, ensiná-las a falar o que pensam, o que sentem, mas também a ouvir o que os outros sentem e pensam, ensiná-las a refletir sobre as atitudes e as palavras, sobre os efeitos delas nos outros e em si mesmas. Ensiná-las a identificar segurança física e emocional. Sim, isso mesmo, identificar situações de preconceito ou de segurança são ensinadas! E fundamentalmente, fazer isto o ano inteiro e não somente em novembro. E com isso, não estou dizendo que ter uma data não é importante, é importante sim!
Observar e intervir quando se vê um comentário inadequado, uma piada despropositada, uma atitude exagerada, uma brincadeira sem graça, enfim, indícios que já sabemos bem como funcionam, o que representam. Buscar as famílias e as comunidades para promover ações e campanhas de combate ao preconceito, a violência de todas as formas também é uma boa opção. Outras ferramentas pedagógicas como a literatura, a música, a poesia, a culinária, a pesquisa, os jogos, filmes, o trabalho em equipe, a dança, a fotografia, o esporte... são excelentes aliados no trabalho com esta temática, para crianças e adolescentes, tomando o devido cuidado com exageros e estereótipos.
Fortalecer a identidade, a ancestralidade é fortalecer a autoestima. É preciso criar nas crianças e adolescentes o sentimento de autoestima e atitude, gostar e aceitar a si mesmos e agir em busca dos seus sonhos respeitando os demais, sempre! Incentive, oriente, elogie, empodere seus alunos e filhos! A educação, o conhecimento são fundamentais na construção do ser humano, do cidadão, e por consequência, do futuro!
Encerro com esta incrível frase de Martin Luther King: “Eu tenho um sonho de que um dia meus quatro filhos vivam em uma nação onde não sejam julgados pela cor da sua pele, mas pelo seu caráter.”
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