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Segunda-feira, 01 de Junho de 2026

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A guerra e os distúrbios mentais

As guerras são uma realidade humana há muito tempo. Arqueólogos estudam vestígios de que homens pré-históricos já guerreavam.

A guerra e os distúrbios mentais
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Ainda não nos recuperamos de uma pandemia mundial e 2022 já tem em seus primeiros meses uma guerra. Impossível não ser impactado com imagens de bombardeio e milhares de pessoas tentando fugir de sua terra, em busca de proteção. Crianças tendo de se despedir de seus pais, em busca de proteção em outros lugares ou aquelas que não conseguiram sair, sendo protegidas por eles do frio, num abraço que não protege verdadeiramente da morte.

As guerras são uma realidade humana há muito tempo. Arqueólogos estudam vestígios de que homens pré-históricos já guerreavam sendo que na antiguidade, quem soubesse dominar a guerra, garantia a sobrevivência de um povo. Com a globalização e a internet, todos acompanham de alguma forma o embate e sofre alguma espécie de dano, fruto do conflito. Mas, e as conseqüências psicológicas de quem passa todo esse processo? Em 2017 a Revista médica mensal “Jama Pshychiatry”, publicada pela American Medical Association, publicou um estudo realizado com pessoas que desenvolveram alguma doença mental ligada a traumas, e segundo os cientistas, passaram a condição para os filhos.  A pesquisa foi desenvolvida pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, em parceria com a Universidade Uppsala da Suécia e a Universidade de Helsinque da Finlândia.

Segundo os dados, filhas de mães separadas de suas famílias durante a Segunda Guerra Mundial apresentavam risco elevado para transtorno mental, mesmo sem ter um histórico de trauma parecido. Sobre o porquê disso acontecer só há hipóteses. Uma diz que os cientistas desconfiam de alterações epigenéticas, ou seja, quando o meio em que o gene está inserido, muda a maneira como ele se expressa. Outro estudo já havia demonstrado que os sobreviventes do Holocausto tinham alterações na produção de cortisol, hormônio associado ao estresse e que passaram para seus descendentes.  A outra, a maneira como as mães lidavam com seus filhos durante a infância, pode ser também considerada um preditor.

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Guerras deixam marcas.  Outro estudo realizado em 2019, e publicado na revista European Journal of Psychotraumatology, traz dados de soldados noruegueses que participaram da guerra no Afeganistão entre 2001 e 2011. Segundo a pesquisa, soldados que não estiverem em risco de vida tem mais problemas psicológicos do que aqueles que foram feridos por tiros.  A experiência deles no front, marcou quem foi exposto a situações que envolvem risco de vida direto aos combatentes com menos sintomas de estresse pós-traumático, do que quando testemunhavam cenas de sofrimento e morte sem estarem em perigo.

Os pesquisadores dividiram os traumas em dois grupos: causado por estressores baseados em perigo e por estressores baseados em não perigo. O primeiro dá conta de situações militares clássicas, relativo a uma ameaça ativa que está relacionada à ansiedade e o segundo aponta dois subgrupos. Ser testemunha, ver o sofrimento ou morte de outros, sem estar em perigo e desafios morais, que envolve ver ou realizar um ato que viola as próprias crenças morais. A pesquisa mostrou também que exposição a ameaças a própria vida muitas vezes leva a um desenvolvimento pessoal positivo, fazendo que se valorize mais a vida e confiança para lidar com situações adversas. Já os estressores não baseados em perigos, geralmente levam a um desenvolvimento pessoal negativo em que a pessoa valoriza menos a vida.

Em meio a tudo isso, é importante se pensar em políticas públicas que protejam as crianças. Tanto aquelas que permanecem com suas famílias nas zonas de conflito, quanto àquelas que foram separadas de suas famílias nesse período. E também pensar como receber os refugiados que passaram por toda uma situação de estresse e perigo de morte e tem que abrir mão de viver em sua terra natal em nome da paz.

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Mariza e Ana Paula

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Mariza e Ana Paula

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