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Sexta-feira, 17 de Abril de 2026

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A responsabilidade de informar

É preciso conectar a ciência com a sociedade

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Como já refletimos, a ciência é uma construção humana. Assim, podemos entender a ciência como um conjunto de conhecimentos presente na sociedade moderna. Porém, se a ciência faz parte no nosso cotidiano, e existem pessoas como nós fazendo-a, por quais motivos não a compreendemos? Afinal, com o crescente acesso à informação que temos, deveria ser mais fácil absorver o conhecimento que é publicado. Só que não. Uma coisa é ler um texto tido como científico, outra coisa é compreender esse texto. Existe um abismo entre essas ações.

De cinco anos para cá (pelo menos) cresceu o pensamento anticiência devido a popularização das redes sociais, um espaço onde todo e qualquer indivíduo portador de uma conta de acesso tem voz. Mas principalmente pela falta de comunicação dos especialistas com a sociedade, seja por vaidade ou pelo fato de achar que não é necessário pois suas publicações estão nas revistas científicas e qualquer um pode acessá-las.

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Creio que a academia (sociedade científica), fonte da produção do conhecimento científico, está afastada da sociedade em termos de divulgação pois parece que as publicações só atingem os pares. Ou seja, outros membros da academia. No Brasil, as revistas científicas são de livre acesso, portanto qualquer pessoa pode estudar os trabalhos publicados lá. Mas pensemos na praticidade, o que é mais fácil para um representante da sociedade: pegar meu celular e rolar o feed da minha rede social, tendo acesso a múltiplas informações de diversas naturezas? Ou ler um texto que normalmente aborda um assunto específico com uma linguagem mais complexa? Optamos pela primeira opção por uma questão de praticidade, mas principalmente pela ideia de estarmos absorvendo mais informações no mesmo tempo que poderíamos ler um texto científico. Mas por vezes, a ideia de consumo de informação é mais forte que a nossa racionalidade.

Nesse momento acredito ser importante me posicionar. Não quero dizer que toda a informação compartilhada nas redes sociais é falsa, tampouco que sou contra a popularização das redes sociais. Pelo contrário, sou favorável desde que seu uso seja responsável no compartilhamento de qualquer informação. Mas normalmente não é o que ocorre.

Parte dos usuários leem apenas títulos de notícias de fontes obscuras (não assinadas pelo autor ou sem provas) e compartilham tais notícias, que logo serão compartilhadas por seus amigos, afinal: “eu conheço a índole da pessoa”; “ela ou ele não mente”; “tá na internet”. Tal confiança nem sempre é correspondida pois não sabemos qual foi a análise do nosso amigo e muito menos da fonte da notícia. Assim começa a bola de neve de uma fake news. Um exemplo recente disso é o chá de camomila com limão ser considerado como a cura para o covid-19. Não vou discutir o quão bom é tomar um chá, mas que o mesmo é uma cura para um vírus que está aterrorizando o mundo? Isso não pode ser compartilhado, a menos que sejam feitos estudos que mostrem essa eficácia.

A questão que se coloca sobre esse assunto é: por que essas fake news científicas se propagam tão rapidamente? A razão é simples, a linguagem utilizada é de fácil entendimento, além de haver um laço com as pessoas que estão no círculo de relações. Deixarei a razão pessoal de lado nessa análise e focarei apenas no discurso.

Penso que o papel dos cientistas contemporâneos é expôr seus trabalhos ou avanços importantes da ciência não só nas revistas científicas, como também em mídias mais próximas da sociedade: TV, Rádio, Jornais, Redes Sociais, Youtube, Podcasts. É preciso e urgente que o discurso se aproxime da sociedade, sair das fileiras das universidades e ir ao encontro do povo. Não sobre é deixar de pesquisar, ou abster de algumas tarefas, e sim acrescentar uma função de conexão ao nosso trabalho. Assim sendo, podemos combater as fake news e a “achologia”.

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A propagação de más informações é um sério problema que pode conduzir a sociedade a uma série de equívocos econômicos, políticos, e principalmente, nas nossas decisões enquanto cidadãos. Um terraplanista é apenas uma pessoa hilária e simpática que está sempre lutando contra as evidências, mas o fato de não acreditar que a Terra é um geóide e fazer estudos a respeito disso para provar é algo que lhe é garantido pela liberdade. Agora um indivíduo que faz propaganda antivacina não é hilário e sim um criminoso, pois está fazendo com que pessoas fiquem doentes por crer que não sua eficácia é falsa. Doenças que até então estavam erradicadas no nosso país estão retornando graças a esses grupos.

Para o presente e o futuro, a solução está novamente nas mãos dos professores. Somente por meio de uma alfabetização científica é que teremos uma sociedade crítica e responsável.

FONTE/CRÉDITOS: William Iven/Unsplash
Comentários:
Guilherme Weihmann

Publicado por:

Guilherme Weihmann

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