Essa frase ecoa em mim desde o início da década de 90, na faculdade de medicina, quando um professor, que até então eu supunha ser seu autor a repetia, com frequência, nas aulas. Não sei exatamente o que o jornalista, escritor e crítico literário Maurice Blanchot, o verdadeiro autor da frase, quis dizer com ela, mas a mim, remeteu e remete ainda a um convite para seguir pensando, para não ter respostas prontas, para rever.
Como psiquiatra, a desejável escuta desapressada de conclusão, da fala do paciente e das minhas próprias impressões, de certa forma, esteve sempre calcada nessa premissa, de não colocar o pensamento em desfecho e estar permanentemente disposta à reflexão. Nem sempre aquilo que profissionalmente fazemos com desenvoltura, flui igual na nossa vida cotidiana, de modo que vivo num esforço constante para seguir aberta a pensar e repensar. Quem já sabe não aprende, este me parece um ótimo motivo para não me limitar em respostas dadas.
Ainda que estejamos vivendo um contexto de avassaladoras incógnitas, são também tempos repletos de convicções, de certezas arraigadas, empobrecedoras e limitantes. Os diálogos com frequência parecem monólogos em que cada interlocutor escuta apenas a própria voz e busca no outro o próprio eco. Já pensaram o quanto perdemos todos com isso? Quantas perspectivas interessantes podem estar ali, bem diante de nós ou do outro lado da tela, a espera que a gente lhe abra espaço? Isso não quer dizer abrir mão de princípios e nem mesmo de pensamento próprio, mas implica estar disposto a arejar e ressignificar as próprias ideias rumo ao crescimento.
Digo isso, para apresentar a vocês este espaço, que desejo seja produtivo, rico, diverso e pulsante. Que minhas palavras nunca sejam respostas, mas uma proposta a não desgraçar as perguntas.
Pensa comigo?
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