Ao olhar para o cenário vibrante da 32ª Feira do Livro de Guaíba, meu coração palpita em um compasso diferente, como se os ecos do passado encontrassem o ritmo do presente. Sou a Patrona deste ano, um título que carrego com imenso orgulho, mas também com a doce responsabilidade de celebrar a literatura – essa mágica que nos une e nos transforma. Meu olhar se perde entre as barracas de livros e o burburinho de leitores ávidos, e tudo isso me remete a um tempo em que meu desejo de escrever começou a florescer.
A lembrança do meu primeiro livro é vívida, quase palpável. Lembro-me da mistura de ansiedade e alegria quando as páginas impressas deslizaram entre meus dedos pela primeira vez. Era um sonho concretizado, mas também o início de uma jornada repleta de reviravoltas, desafios e descobertas. Escrever tornou-se meu refúgio, meu grito de liberdade, o lugar onde eu podia deixar fluir todas as emoções que habitavam em mim. Cada palavra era um pedaço da minha alma, e, à medida que as páginas se acumulavam, minha trajetória literária se delineava.
É impossível não lembrar dos dias difíceis, em que a dúvida ensaiava sua dança na minha mente, questionando se eu realmente poderia me chamar de escritora. A batalha entre a vontade de desistir e a paixão pelas palavras foi intensa, mas sempre venci com a coragem que a literatura me proporcionou. E agora, aqui estou eu, cercada por tantas vozes – autores, leitores, sonhadores – todos juntos, celebrando a magia da palavra escrita.
Quando peguei o sino e caminhei pela feira, um misto de emoção e nostalgia me inundou. O som suave e profundo reverberou entre as barracas, como um sinal de que estávamos prestes a iniciar algo especial: a 32 Feira do Livro. A batida do sino não era apenas um chamado; era a manifestação da liberdade das palavras, a libertação de todos os sentimentos e histórias que, por muito tempo, ficaram guardados nas páginas do meu coração. Cada toque do sino parecia sussurrar aos presentes: “Estamos todos juntos nessa jornada!”.
E ali, naquela noite , enquanto as pessoas se reuniam ao meu redor, senti o poder da literatura unindo gerações e promovendo encontros. Mentes se abrindo, corações se conectando, histórias sendo trocadas. É para isso que escrevo, pensei. Para construir pontes, para dar voz a quem precisa ser ouvido, para lembrar que cada um de nós tem uma história única e valiosa.
Ser a Patrona é um reconhecimento da minha trajetória, mas também é um convite a todos que por ali circulam: abracem suas palavras, deixem-nas soar. Que cada um possa escolher seu próprio sino e tocar sua melodia. Porque, ao final, é isso que nos faz humanos – a capacidade de contar, ouvir e sentir.
Naquele instante mágico, enquanto olhava para os rostos iluminados pela paixão pela leitura, percebi que cada livro exposto era uma nova possibilidade, um novo começo. E assim seguimos, entre as palavras e os sorrisos, pulsando juntos na sinfonia da literatura, um eco eterno que ressoará para sempre em nossos corações.
Escritora Vera Salbego
Patrona da 32 Feira do Livro de Guaíba
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