Repórter Guaibense

Segunda-feira, 01 de Junho de 2026

Colunas/Geral

Aos meus, aos teus, aos nossos idosos

A pandemia não irá afetar a todos da mesma maneira, uma hora ela vai passar, mas deixará rastros profundos

Aos meus, aos teus, aos nossos idosos
IMPRIMIR
Use este espaço apenas para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.
enviando

Tenho escutado e lido tanta coisa acerca do momento atual, mas acabo sempre com a mesma sensação no final, de que não estamos falando de uma faixa etária bem significativa e por que não dizer, a que está mais abalada por não ter muito para onde ir, no sentido real da palavra, não poder sair de casa e ao mesmo tempo, sentir-se alienado. Falo em alienação por escutar bastante das famílias que atendo, e da maioria dos idosos com quem convivo, que não estão conseguindo se sentir parte do mundo. Muitos não conseguem utilizar a internet, ou por não possuí-la, pelas dificuldades que a própria idade traz, por não terem quem os ensine, por terem medo... enfim, onde estão estes idosos de quem não falamos? 

O que sei é que a pandemia não irá afetar a todos da mesma maneira, uma hora ela vai passar, mas deixará rastros profundos. O que já se sabe é que a maior parte dos casos graves e óbitos da pandemia em todo o mundo ocorrem em idosos. Ela tem o potencial de dizimar outras populações vulnerabilizadas, como os indígenas, privados de liberdade, refugiados, aqueles que vivem em situação de rua e muitos outros. Estas populações, além de orientações específicas e claras, precisam de renda, de moradia, de água e sabão, e respostas concretas do poder público às suas necessidades. 

Apesar da declaração Universal dos Direitos Humanos reconhecer o direito à vida, à assistência médica e ao tratamento digno e igualitário ao longo da vida, durante o combate ao coronavírus, o que observamos é uma discriminação cada vez maior às pessoas idosas, discriminadas pela idade e pela saúde, muitas inclusive se encontram desprotegidas em suas residências. Dar voz ao povo é fundamental para a implantação de políticas públicas que se aproximem da necessidade das pessoas. Políticas que atingem os idosos precisam ser feitas com os idosos, ninguém pergunta a voz do idoso, o que ele precisa, o que quer.

Leia Também:

Sabe-se que os grupos de alto risco necessitam de um período prolongado de isolamento social, mas, sobretudo, devemos pensar sobre o impacto que isso poderá ter no bem estar psicológico e social deste grupo específico. No entanto, isolamento não necessariamente significa solidão. São necessárias estratégias de monitoramento e comunicação que podem reduzir o sentimento de estar sozinho e desamparado, assim aumentando as chances para desenvolver uma resiliência comunitária, quando se ocupa o tempo com atividades significativas e prazerosas. Por exemplo, as iniciativas como a de um vizinho que seja solidário ao idoso solitário. 

A indicação de pertencer a grupos religiosos, para prática da fé, independente de ter construído este vínculo antes, ou até mesmo de acreditar, apenas com o intuito e necessidade de receber manifestações de afeto (à distância), praticar conversas por identificação de temas, têm sido vitais, onde o significado de sentir-se pertencendo a um grupo nunca fez tanto sentido como neste último ano. 

Por conhecer através da minha construção profissional o poder de um grupo, já escutei depoimentos descrevendo as possibilidades que podem contribuir para prevenir solidão e depressão. É um dever de cidadania expressarmos nossa solidariedade intergeracional, que nos permite fazer da crise uma oportunidade. Acima de tudo, torcermos para  que nosso enfraquecido sistema de saúde suporte a demanda que está por vir e que possa cuidar a todos com equidade. 

É preciso ainda gritar, se fazer escutar, para que o governo brasileiro implante medidas emergenciais de apoio e suporte às pessoas idosas, sobretudo as mais carentes. Isso pressupõe também dar apoio aos cuidadores, aos serviços de saúde e às instituições de longa permanência. Um grande aprendizado se faz e se fortalece em meio a tantas dores, mas para isto, acredito que seja fundamental exercitarmos, neste momento de crise, a consciência do outro.

Comentários:
Mariza e Ana Paula

Publicado por:

Mariza e Ana Paula

Lorem Ipsum is simply dummy text of the printing and typesetting industry. Lorem Ipsum has been the industry's standard dummy text ever since the 1500s, when an unknown printer took a galley of type and scrambled it to make a type specimen book.

Saiba Mais

Veja também