Há duas semanas escrevi sobre a sobrecarga de quem está trabalhando em casa neste período de pandemia com o consequente acúmulo de inúmeras demandas no ambiente doméstico. Nos dias que se seguiram à publicação da coluna, fiquei pensando no quanto quem está em atividade externa está igualmente sujeito ao “Burnout Pandêmico” e possivelmente exposto à exaustão ainda maior.
Se aqueles de nós que estão em casa precisam conciliar filhos, trabalho, afazeres domésticos com o consequente estresse que disso deriva, os que estão em trabalho presencial em ambientes externos lidam com outros estressores não menos relevantes: o receio da contaminação, os cuidados redobrados fazendo parte da rotina, o uso da máscara que para muitos sufoca e machuca, as mãos que ressecam com o uso do álcool.
Dificuldades econômicas se agravam para muita gente, onde havia escassez, agora pode haver miséria, onde havia miséria, a dor da fome talvez já se faça insuportável. Há aqueles para os quais o auxílio governamental foi salvamento, para outros tantos, não chegou. Empreendimentos ruíram ou se mantém às custas de um acúmulo de dívidas de quitação duvidosa. Desemprego, instabilidade, incertezas, tudo arde como chama, provavelmente ainda mais do que para quem se vira no home-office mesmo sobrecarregado.
Há quem lide com a solidão concreta há meses, há quem tenha sofrido perdas materiais e afetivas, há quem tenha adoecido e temido o vírus muito de perto, há quem tenha enfrentado outras doenças num momento em que hospitais são locais de cura e também fonte de medo.
De fato, dizer que 2020 é um ano atípico é pelo menos um eufemismo. Esse tem sido um ano surreal para dizer o mínimo. Fogo difícil de conter é esse vírus. Estamos todos em algum grau afetados. Que aqueles de nós que estão mais inteiros possam estender a mão àqueles para os quais o Burnout é iminente.
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