Quando falamos em consumo de livros, é sempre uma polêmica. Seja pelo valor e a taxação em cima dos produtos no mercado, a dificuldade de acesso das pessoas às obras, a elitização do hábito de ler ou até mesmo o tipo de plataforma para leitura - livros físicos, e-books ou audiobooks? No fim, o que todos os apaixonados pela literatura querem é uma coisa simples: custo-benefício.
De acordo com a pesquisa divulgada pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), da Nielsen BookScan, houve um crescimento nos últimos anos. Em 2021, 55 milhões de livros foram vendidos no Brasil, gerando uma receita que ultrapassa os R$ 2 bilhões (30% a mais que 2020). Em 2022, só no primeiro trimestre, o volume já era 15% maior do que o ano anterior.
Por mais que tenhamos um aumento nas vendas e um número grande de criadores de conteúdo sobre literatura nas redes sociais - o “booktok” está cada vez maior, fugindo do nicho e abraçando outros públicos -, na hora de fazer uma compra, foram identificados alguns problemas.
Vale o hype?
Amar o que todo mundo ama não é novidade. Quando alguma coisa fica em evidência e todo mundo só sabe falar sobre, não podemos ficar de fora, não é? Na verdade, podemos.
Na literatura, o hype gerado em cima de determinados livros faz com que o bichinho do consumismo nos pique e, quando notamos, estamos enchendo o nosso carrinho de compras da Amazon. É preciso tomar cuidado e pensar: vou gostar desse livro? Faz sentido para mim? Está dentro dos gêneros que costumo adorar ou é simplesmente um capricho para que eu não fique de fora das conversas?
Algumas vezes, ficar fora da conversa faz a gente economizar.
Viciados em acumular
Esse obstáculo também não é de hoje. O acúmulo pode ser referente a qualquer produto: álbuns, maquiagens, chocolates, itens de papelaria, sapatos… E livros!
Para evitar essa dificuldade, basta fazer duas reflexões:
1) Quantas obras da minha estante eu ainda não li?
Se a resposta for um número maior que a quantidade já lida, tenho uma notícia para dar a você: não compre um livro tão cedo.
2) Você quer uma experiência de leitura ou apenas um livro na sua estante?
Aqui o necessário é identificar a sua real vontade de ler. Não adianta comprar um livro só porque ele está em promoção se ele não faz sentido para a sua personalidade como leitor.
Doar também é consumo consciente
Identificou as obras que não deveriam estar mais em sua estante e não sabe o que fazer? Bom, doar é uma ótima solução. As bibliotecas de escolas ou prefeituras estão sempre precisando renovar seus acervos. É possível também trocar por outros livros (que você realmente vai ler) em sebos ou até mesmo presentear alguém querido que vá gostar de tal história.
Lembre-se: o consumo consciente é desafiador, mas é possível. A indústria quer que sejamos acumuladores e consumistas. Ir contra isso é sustentável e ajuda na educação financeira e intelectual da sociedade.
Falamos de consumo consciente e outros temas importantes da literatura em nosso podcast semanal, o Clube da (Não) Cultura. Ouça em qualquer plataforma de áudio, disponível toda terça-feira - clique aqui.
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