Repórter Guaibense

Segunda-feira, 31 de Agosto de 2026

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Em busca de conexão

Sonhando com os pés no chão e caminhando a passos largos

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Dando sequência a série de entrevistas com pessoas que contribuem dentro do contexto cultural local, essa semana o Drone Cultural aterrissou no terreno de mais uma profissional talentosa e vizinha da gente. Em mais um voo rasante pela cidade, o Drone encontrou a carismática e brilhante Camilla Swider. 

Estudante de Jornalismo e fotógrafa, Camila vem conquistando espaço de destaque em sua profissão e, na mesma medida, vem estreitando os seus laços com o Setor Cultural. 

Sem mais delongas vamos a mais esse bate papo sensacional! Respeitável público! Com vocês: Camilla Swider  

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DRONE CULTURAL – Seja bem vinda, Camilla. É um prazer te receber aqui no Drone Cultural. 

Tua formação é na área do Jornalismo, entretanto, assim como muitos dos teus colegas de profissão, tens, devido a fotografia, uma afinidade quase natural com o ambiente cultural. Na medida do possível vamos costurando estas tuas duas facetas: o jornalismo enquanto profissão e a fotografia enquanto expressão do teu olhar em relação ao mundo. 

Vamos começar pelo início: conte um pouco sobre a tua trajetória. Como o Jornalismo entrou na tua vida? Era a primeira opção de carreira, algo que você nutria desde muito cedo, ou foi amadurecendo até chegar no ano do vestibular? 

CAMILLA – Eu escolhi o Jornalismo quando tinha 16 anos (hoje tenho 22), quando era menor falava que seria nutricionista, profissões bem semelhantes, né? Mas sempre fui muito estudiosa e comunicativa, amava apresentar os trabalhos na frente dos colegas e pedia para ser a primeira. Quando estava iniciando o terceiro ano do ensino médio comecei a pensar sobre o que seguir, lembro até hoje do dia que o jornalismo surgiu como uma opção, estava deitada no sofá lendo. Ler e escrever sempre foram duas das minhas paixões. A Publicidade também se tornou opção, mas meus pais me incentivaram ao jornalismo e agora já estou iniciando o TCC 1, quase encerrando a faculdade. 

DC – Sabemos que a fotografia é parte importantíssima na construção da narrativa jornalística e da construção de informações, tanto o é que, gerações após gerações, costumamos repetir que “uma imagem vale mais que mil palavras”. Por onde a fotografia entrou na tua vida? Foi a partir da tua iniciação na profissão ou já estudava isso anteriormente? 

CAMILLA – Eu sempre fui meio metida (num bom sentido), tenho facilidade em aprender as coisas e sempre curti. A fotografia foi um dos motivos de ter escolhido o jornalismo também, porque eu comecei na fotografia antes de entrar na faculdade. Fiz meu primeiro curso, com um fotógrafo de Guaíba, em 2014, logo depois de completar os 15 anos e que eu amei toda a função das fotos. Depois ganhei uma câmera do meu irmão e fui em busca de mais aprendizado. Fiz um curso em uma escola de fotografia em Porto Alegre e comecei a fotografar os aniversários de família, aí a amiga do parente queria e assim foi indo, por indicações. Quase sempre aniversários infantis ou fotos externas. Com a faculdade essa paixão pela fotografia foi aumentando e depois que comecei a estagiar na Prefeitura eu percebi ainda mais o quão importante e significativos são esses registros. Hoje faço parte da equipe de um fotógrafo aqui da cidade e já fotografei de tudo: casamento, festas de 15 anos, infantis, fiz ensaios. Cada evento tem sua história, sua emoção e registrar tudo isso não tem preço. 

DC – O olhar artístico foi despertado a partir de quais estímulos? Onde você busca a sensibilidade para, muitas vezes, captar a essência e importância de um momento, de um fato, de uma pessoa, de um lugar? Aproveito para te perguntar, qual o papel da Arte no teu desenvolvimento? De que forma você acredita que tuas referências artísticas influenciam no teu olhar?  

CAMILLA – Eu acredito que tudo seja prática, a gente não nasce sabendo de nada. É experiência, é busca de conhecimento, é saber aceitar as críticas sendo construtivas ou não. Isso tudo que eu tenho hoje foi sendo adquirido ao longo do tempo, já são 7 anos que eu estudo/pratico fotografia. A sensibilidade é justamente um despertar, tu tem que estar de coração aberto e conectado com  aquilo que tu faz, é muito fácil pegar uma câmera e sair apertando um botão, até porque a câmera tem a configuração automática, né?

Mas muitas vezes a fotografia é observação, é parar e pensar por 10 segundos, porque esses segundos podem ser determinantes para ti pegar um momento que jamais será repetido. Antes de tudo tu precisa ter respeito por aquilo que tu está registrando. É a história de uma família envolvida na festa dos sonhos, é o evento que movimenta a cidade, é uma manifestação, um lugar histórico. Acho que o respeito é a base para tudo na vida. Então assim, o que eu adquiri foi realmente na prática, no viver.

Na frustração por perder um momento importante (porque isso acontece às vezes) e na emoção porque conseguiu um registro inesquecível. Eu nunca tive nenhuma grande referência artística para fazer o que eu faço hoje, sendo bem honesta. Claro que eu acompanho vários fotógrafos, mas nunca pensei em reproduzir nada. Até porque não existem momentos iguais, talvez a leitura me fez captar essa sensibilidade mais rápido, embora eu sempre tivesse ela dentro de mim. Mas eu comecei a entender um pouco mais sobre isso, quando as pessoas começaram a me dizer que eu tinha um olhar artístico. 

DC – Para ti, o que é Arte? 

CAMILLA – Baseado na minha experiência, eu acredito que a arte é tudo aquilo que vem do coração, que tem verdade e sentimento. A arte não é forçada, ela surge de forma natural seja qual for o segmento. Acho que cada um tem o seu dom e a sua forma de fazer arte, basta descobrir. 

DC – E Cultura? Como você define a Cultura? 

CAMILLA – A cultura é um pilar fundamental na nossa vida e que muitas vezes as pessoas não enxergam e nem querem entender. É um grande compilado de segmentos, ideias e experiências. Eu fiquei muito conectada com a cultura de Guaíba enquanto trabalhava na Prefeitura, eu fechei um ciclo de cobertura de todos os eventos, antes da pandemia começar e foi fundamental para o meu crescimento pessoal e profissional, mas vejo que o ensinamento principal foi o respeito, passei a olhar essas pessoas de outra forma e hoje me considero uma defensora da cultura. Já até cogitei a seguir o jornalismo cultural, porque realmente fiquei muito apaixonada. 

DC – Quais são as tuas referências? Onde você busca inspiração?  

CAMILLA – Minha referência profissional sempre foi a Cristina Ranzolin, eu sou MUITO fã dela. Tenho contato com ela há 7 anos, antes mesmo de iniciar a faculdade e, sem dúvidas, a Cris foi importantíssima nesse período de decisões. Ela me convidou para assistir o Jornal do Almoço nos bastidores e acompanhar tudo de pertinho, fiquei enlouquecida.

É como se fosse minha madrinha de profissão, temos uma relação muito legal e ela sempre me incentivou muito, sempre diz que está me esperando para trabalhar ao lado dela. Gosto muito da forma que ela trabalha, porque eu sei que ela é completamente apaixonada pelo o que faz, ela tem aquele brilho no olhar que eu tenho quando trabalho. Me inspiro muito nela. Meus amigos brincam que eu vou ser a substituta, mas se eu conseguir ser um terço de tudo que ela faz, certamente ficarei muito realizada. Ela é muito talentosa, tem o dom. 

DC – Os jornalistas, tal como acontece com a classe artística, vêm passando por um momento que exige muita fibra e posicionamentos coerentes perante a nossa realidade. Nesse mar de desinformação e propagação de fake news, os profissionais da tua área se veem diante de uma tarefa que, além de hercúlia, se mostra cada dia mais necessária. Não podemos abrir mão de informações apuradas com qualidade, por meio de fontes seguras. 

Posto isso, te pergunto: qual é o maior desafio dentro do segmento jornalístico?    

CAMILLA – Infelizmente o jornalismo é muito desvalorizado, um exemplo disso é o próprio desrespeito do principal representante do país em relação a categoria. É triste e frustrante, a nossa profissão é uma constante resistência (como muitas outras), as pessoas muitas vezes preferem acreditar na informação de WhatsApp que foi encaminhada inúmeras vezes ao que está em um site jornalístico e que foi produzido por profissionais capacitados.

Outra questão é que hoje todo mundo acha que pode ser jornalista, né? Cria uma página e sai disparando conteúdo, fotos e vídeos. O fato da não necessidade do diploma para exercer a profissão me entristece profundamente, porque nós ficamos no mínimo QUATRO anos estudando muito, entendendo as teorias da comunicação, as aulas de ética, aprendendo a forma de noticiar os fatos.

Claro que eu não vou generalizar, existem profissionais excepcionais e que não tem o diploma, mas infelizmente, muitas pessoas se aproveitam disso para benefícios próprios. Analisando o cenário mundial, o bom jornalismo se faz cada vez mais necessário. Como diz meu professor o termo “fake news” é errado, porque se é falso, não é notícia. A notícia sempre será verdadeira! 

DC – Como a tua família participa do que tu fazes? Como eles encaram a tua escolha e esforço pela carreira? Eles têm uma relação de proximidade ou nem conseguem acompanhar a dinâmica das coisas que você faz? 

CAMILLA – Sempre me incentivam muito desde o início e acompanham. Nos últimos anos eu fico mais fora trabalhando e estudando do que com eles em casa, tem dias que chego só pra dormir. Mas sempre conto tudo e mostro. Meu pai cobra um pouco mais, as vezes o trabalho fica acima da faculdade e ele não curte a inversão das prioridades, mas é o primeiro a ver a foto e a ler a reportagem quando tá pronta.

Eu sou muito agitada, faço tudo ao mesmo tempo e as vezes meus pais é que dão uma segurada na minha onda, minha mãe é a mais preocupada com a minha saúde, então ela faz eu reduzir um pouco o ritmo e descansar. Manda mensagem pra saber se eu me alimentei no trabalho e que horas eu volto. Eles sempre acompanham e eu faço questão disso, sou muito grata aos dois por lutarem para pagar minha faculdade, nem sempre é possível para todas as pessoas e por isso, valorizo e agradeço a oportunidade. 

DC – Você pode dividir conosco algum momento, dentro da tua trajetória, que tenha te emocionado além do "normal"? 

CAMILLA – Um momento que me emocionou muito foi quando produzi a reportagem sobre xenofobia e fake news, com os refugiados venezuelanos, em 2018. Eles tinham chegado há pouco tempo em Porto Alegre e eu já estava fazendo contato com o lugar que eles estavam para ir visitar. Foi uma visita transformadora e que me impactou demais, no dia que eu apresentei em aula e contei sobre a experiência eu fiz o professor chorar. Eu chorei bastante escrevendo porque eu lembrava dos olhares tristes daquelas pessoas me contando que tinham abandonado seus lares para poder sobreviver, caminharam dias, passaram fome e quando chegaram ao país tiveram que lidar com a falta de acolhimento e o preconceito das pessoas. Eu fiquei triste e revoltada, senti que precisava usar a minha profissão para ajudar as pessoas e assim tenho feito diariamente, todas as minhas pautas estão ligadas com algum tema de impacto e que precise de voz. Quero dar voz aqueles que não são ouvidos! 

DC – Vamos aproveitar para falar também sobre o documentário sobre as nossas tradicionais Festas de Iemanjá que você produziu. Conta um pouco sobre essa experiência? Você já tinha proximidade com a religião ou foi explorando um novo ambiente? 

CAMILLA – Esse documentário é meu xodó, minha melhor produção e a favorita por inúmeros motivos. As Festas de Iemanjá foram muito marcantes, eu nunca tinha acompanhado, então tive a minha primeira experiência no ano passado e sem entender quase nada precisei produzir as artes da exposição e depois um vídeo para o dia da abertura e por fim, o evento. É como mencionei lá no começo: RESPEITO. Eu não conhecia aquelas pessoas, mas sabia que tinham histórias e sentimentos, por isso abri o coração e me entreguei de corpo e alma.

A ideia do documentário surgiu nesse meio, tanto que eu filmei muitas partes das celebrações e da exposição, mas com o início da pandemia acabou ficando de lado. Quando chegamos perto da Semana do Patrimônio é que o assunto voltou entre eu e a Jana (que era chefe do turismo na Setudec), porque ela quem me ajudou naquele primeiro vídeo, justamente, porque ela segue a religião há muitos anos. Então a gente mergulhou nessa produção, fizemos entrevistas por vídeo, montamos um roteiro e eu editei todo aquele vídeo de 20 minutos.

Eu fiquei muito mexida com toda a energia e o sentimento que move elas (Arlete e Líbia), me apeguei de verdade e sigo acompanhando a religião desde então. Mas foi muito emocionante e gratificante receber o feedback das famílias, principalmente, porque é uma religião muito julgada e que sofre um preconceito histórico. É a história delas ali, contada com respeito e carinho, é uma caminhada que merecia esse reconhecimento e registro há bastante tempo, vejo que o documentário foi a cereja do bolo, para eternizar a história. Eu espero que o documentário sirva como base de estudos também, sabe? Ele é gostoso de ver e ouvir, eu sou suspeita pra falar porque toda vez que assisto eu choro. 

DC - É muito legal ver nossos trabalhos ganhando repercussão e notoriedade como produtos de qualidade. Venho acompanhando a proliferação de fotos com a tua assinatura nos últimos tempos. Além de se fazerem presentes no contexto jornalístico ou institucional, tuas fotos começaram, inclusive, a ganhar destaque na decoração de estabelecimentos, tornando-se também parte do registro da Guaíba de nosso tempo. 

Obvio que tudo isso gera satisfação pessoal. Porém, minha pergunta pede que você vá um pouco mais além. Somos pessoas/profissionais em construção, temos objetivos (mesmo que íntimos) e vamos, com certo distanciamento, avaliando nossa evolução no decorrer dos feitos ao longo de nossas trajetórias. 

Quero que você, como observadora de si mesma, fale um pouco sobre a construção do seu profissionalismo e da sua sensibilidade nessa jornada que, até aqui, se mostra muito promissora aos olhos de quem te acompanha de forma atenta. 

Como essa repercussão positiva te alimenta? 

CAMILLA – Eu fico muito feliz, eu comemoro de verdade. Nunca reajo com um tom de superioridade achando que eu sou melhor que A ou B, muito pelo contrário. São pequenas conquistas da minha vida profissional e que eu tenho consciência de que estou apenas iniciando minha carreira. Eu fiquei enlouquecida quando minha foto virou banner na escadaria, eu chorei. Eu nem queria que tivesse meu nome na foto, mas a Cláudia Mara fez questão que tivesse.

É aquilo que mencionei o tempo todo aqui, tudo o que eu faço é com o coração, é com amor. E eu acho que isso passa para as pessoas, hoje tenho fotos em um restaurante e também na Havan. É muito gratificante ver o meu trabalho sendo reconhecido, eu vejo isso como um incentivo para seguir em frente, mas jamais isso vai afetar minha personalidade. Eu vejo e sei de muitas pessoas que essa repercussão positiva acabou influenciando de forma negativa no comportamento, mas eu sempre vou ser essa moleca que fica pulando de felicidade. Às vezes até podem confundir dizendo que eu fico me “aparecendo”, porque já fiquei sabendo disso, mas juro que é só felicidade mesmo. Jamais vou me achar melhor porque temos muitos bons profissionais aqui. 

DC – Tu, sempre de forma muito precisa e carinhosa, faz lindos textos falando sobre a tua relação com nossa cidade. Do ponto de vista artístico e cultural, como você enxerga Guaíba?  

CAMILLA – Eu realmente me apeguei quando comecei a trabalhar na Prefeitura, porque eu não era muito conectada com Guaíba. Eu comecei a entender um pouco mais da história e a valorizar a minha cidade. Guaíba tem problemas como qualquer outra cidade, mas qualidades que só ela tem. Essa cidade tem de tudo um pouco, é uma fábrica de talentos, né? Aqui tu vê e vivencia todos os segmentos da cultura. Tu tem uma cidade historicamente importante com prédios, tu tem as belezas da natureza que realmente são apaixonantes e o guaibense vive da Festas de Iemanjá (o primeiro evento do ano) a Aldeia de Natal (o último evento do ano). Eu tenho um orgulho gigante de ser daqui e quando ouço alguém dizer que aqui não tem nada eu faço uma lista de qualidades, fiquei meio bairrista, confesso. 

DC – Qual é a memória mais antiga que você tem da cidade? Qual é o teu lugar favorito aqui? 

CAMILLA – Eu gosto muito da orla, ali com certeza é o lugar que mais frequento desde a infância. Tenho fotos desde bebê e as minhas melhores lembranças são do Parque da Juventude, que eu sempre chamei de "Pracinha da Maçã". Que saudade de subir o morrinho empurrando a maçã pra depois descer nela gritando. Era muito bom! 

DC – Como moradora, mas principalmente como olhar por trás da lente, qual cartão postal você considera o principal da cidade? 

CAMILLA – Sem dúvidas o Sítio Histórico. Minha melhor e mais elogiada foto é dali, mas pensando no contexto da história também, tudo começa naquele espaço. A orla é linda sim, temos um baita privilégio, mas turisticamente falando é o Sítio Histórico que dá sentido a todo o resto. 

DC – Como você imagina que as pessoas de fora enxergam Guaíba? Como você explicaria Guaíba para um estrangeiro? 

CAMILLA – Todas as pessoas que são de fora e que eu conversei elogiaram muito a cidade. Sempre falam que tem um jeitinho de interior, mas que é ao lado da capital e eu acho que é isso mesmo. Nossa Guaíba tem crescido muito nos últimos anos, em todos os sentidos, e quando me perguntam sobre a cidade sempre falo que é um lugar muito gostoso de morar. Falo um pouquinho que sei da história, menciono nossos pontos turísticos, os eventos, os bares e bistrôs bacanas e convido pra visitar e ver na prática o que eu falei. Algumas vezes deu certo! 

DC – Você, com certeza, deve estar acompanhando de perto o perrengue que o Setor Cultural (assim como outros) vem passando durante esse período pandêmico.  

Agora, durante a execução das ações financiadas por meio dos recursos da Lei Aldir Blanc, você está com a missão de produzir um livro documentando essa movimentação histórica em nossa cidade. 

Como você está encarando essa oportunidade? Qual é o tamanho do desafio? Está encontrando alguma dificuldade?  Qual é a pretensão do projeto? 

CAMILLA – É um baita desafio porque são muitos projetos e o tempo é apertado, mas tem sido uma produção gostosa de fazer. Vivemos uma situação atípica e a Lei Aldir Blanc vai para os livros de história daqui uns anos e é justamente pensando assim que estamos desenvolvendo o projeto do livro documentário. A lei tem muitas burocracias, mas quero que o livro seja agradável para ler, que qualquer pessoa entenda o que foi realizado na cidade e que possa servir até mesmo como base de estudo futuramente. Muitas entrevistas estão sendo feitas, mas o principal objetivo é que ele tenha uma narrativa sensível e humana, trazendo a visão do setor envolvido e da real importância desse recurso para a cultura. 

DC – Tem uma pergunta que eu gosto de fazer. Ela ajuda a entender um pouco mais a personalidade dos entrevistados que passam por aqui. Como sempre, vou aproveitar e fazer ela para você também: 

O jornalismo já nos brindou com muitos artistas impressionantes. De escritores à músicos de altíssima qualidade. Além de ter servido de inspiração para diversos livros e filmes. 

O jornalismo é um ambiente muito próximo dos dramas e mistérios que movimentam os interesses da humanidade e por isso se torna bastante íntimo de narrativas dramáticas. Estas narrativas extrapolam o documental e invade a criação ficcional. 

Se tu pudesses viver em um filme, em um livro, em uma série, em uma música, em um quadro, enfim, em uma obra de qualquer gênero, qual personagem tu gostarias de ser ou interpretar? Não canso de me ver como um Don Quixote apaixonado e, por vezes, talvez, delirante.  

E tu? Qual é a tua viagem? 

CAMILLA – Eu sou muito eclética. Escuto tudo, vejo tudo, leio de tudo, mas eu gostei muito de assistir Anne With an E, me achei parecida com ela em algumas coisas. Aquele desejo de igualdade e de conquistar o seu espacinho. A verdade que habita nela, Anne é uma menina sonhadora. Eu sou mais ou menos assim, sabe? Vou em busca daquilo que eu desejo, eu corro atrás. Eu sonho alto, mas tenho os pés no chão. 

DC – Quais sonhos/objetivos você alimenta para o seu futuro artístico/profissional? 

CAMILLA – Meu maior sonho no momento é terminar a faculdade e ter o meu diploma. Eu quero muito poder estudar fora, nem que seja por alguns meses e eu acredito que isso seja fundamental para a minha profissão. Mas eu não tenho grandes objetivos, sabe? Estou pronta e de coração aberto para o que vier pra mim. 

DC – Como você gostaria de ver o cenário cultural guaibense nos próximos anos? 

CAMILLA – Quero que cresça ainda mais, nossa cultura progrediu e ganhou muita visibilidade nos últimos anos, espero que não regrida agora. Foi um trabalho conjunto e de muito esforço de uma grande comunidade, que possam ter ainda mais oportunidades e que sejam cada vez mais valorizados. Acho que é o desejo de todos, né? 

DC – Para quem tem vontade de seguir esse caminho, que conselho você pode dar? 

CAMILLA – Quatro palavrinhas fundamentais e que resumem tudo: respeito, estudo, amor e humildade. 

DC – Alguma referência para seguir, ler ou assistir? 

CAMILLA – Os livros do Caco Barcellos são demais para quem curte jornalismo e também Truman Capote, “A sangue frio”, é um baita livro. 

DC – As duas últimas perguntas:  O que é sucesso? Que foto você gostaria de bater? 

CAMILLA – Eu não associo o sucesso aos holofotes e grandes reconhecimentos, acho que o sucesso é tu conseguir realizar o teu trabalho com êxito, te doar e fazer daquele projeto, foto ou reportagem o melhor de todos. É assim que eu encaro todos os desafios da minha profissão, quero dar o melhor de mim para que as pessoas possam ver e compreender tudo da forma mais clara possível, que elas sintam que ali tem todo o meu empenho e dedicação. Sempre disse que se eu mudar UMA vida com cada reportagem ou foto minha, eu já estou satisfeita. Sobre a foto, ótima pergunta, porque eu nunca tinha pensado nisso até tu me perguntar, mas quero acompanhar de perto alguma manifestação, ainda não fotografei e gostaria. 

 

DC – Estamos encerrando a nossa conversa. Não poderia deixar de agradecer muito a tua disponibilidade para esse bate-papo comigo.  Esse é um espaço de contato com a nossa comunidade. Gostaria que você deixasse um recado para os colegas trabalhadores da Cultura e também para todos os nossos vizinhos.   

Pode falar o que quiser. 

CAMILLA – Eu queria agradecer pela oportunidade Isaque, essa é a minha primeira entrevista e fiquei muito feliz pelo espaço. Quero dizer pra todos que podem sempre contar comigo, sou uma grande parceira para projetos, topo tudo. Sou nova no ramo, mas sou uma grande defensora da cultura. Quero trabalhar em prol da nossa comunidade sempre.

Quem quiser conhecer um pouquinho mais do meu trabalho pode acessar minhas reportagens no medium https://camillaswider.medium.com/ e me chamar nas redes sociais. Só prender o grito, como costumo dizer. Obrigada mais uma vez, foi um grande prazer. 

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Mais uma entrevista bacana, né? Eu fiquei procurando o botão de curtir em várias das respostas da Camilla. Tenho certeza de que você não se arrependeu de chegar até aqui. 

Essa cidade é ou não é um berço de talentos? Eu fico cada dia mais encantado com nossos vizinhos.  Semana que vem eu trago mais alguém legal aqui para a gente conhecer. 

Quem vai ser? Não sei.  Inclusive, pode ser você que está lendo essa coluna. Se escutar o barulho do Drone, não se acanhe, abra a porta e vem conversar conosco. 

Até logo! 

Comentários:
Isaque Conceição

Publicado por:

Isaque Conceição

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