Apesar de suas controvérsias, o tema da redação do Enem trouxe em pauta a possibilidade dos estudantes refletirem sobre estigmas associados a saúde mental. O estigma é uma forte desaprovação social de indivíduos ou grupos com características diferentes da norma. Isso baseado em estereótipos e preconceitos que conduzem a discriminação e com isso redução de oportunidades e igualdade. Ou seja, a pessoa passa a carregar uma marca ou cicatriz ocasionada pelo preconceito, não exposta na pele mas provocando dores internas.
Falar sobre isso é uma tentativa de quebrar esses paradigmas, de desnaturalizar preconceitos enraizados. Quanto sofrimento pode ser gerado quando alguém recebe rótulos por questões de saúde mental. Aumentar o conhecimento acerca das doenças mentais, além de reduzir o estigma, pode potencializar o reconhecimento e com isso provocar a busca por ajuda no tempo adequado e assim se ter prognósticos mais favoráveis.
Preconceitos, mitos, dão conta que pessoas com doenças mentais são perigosas, ou incompetentes. Isso vem de ideias preconcebidas influenciadas por generalizações e achismos que só cooperam para que as pessoas se afastem do cuidado de si. O estigma acaba tendo uma ação tão danosa, que muitas pessoas acabam se esforçando para não serem associadas a uma doença mental. Com isso, evitam o tratamento, que é essencial colocando em risco sua qualidade de vida.
Distorções ou busca de informações apenas para fazer uma tentativa de diagnóstico, não sendo feita a compreensão da importância de uma análise profissional, gera ainda mais crenças irrealistas e mais atitudes criminalizantes.
O mais interessante é que a medida que avançamos nos tratamentos e crenças fundamentadas num passado obscuro ainda imperam. Em outras épocas, as pessoas com transtorno mental eram escondidas, e seu nome riscado na história da família. No entanto, muito se avançou cientificamente e ainda assim hoje ao invés de esconder, se marca e se ressalta que determinada pessoa tem algo diferente e passa a ser reconhecida por isso, não por quem é. Isso gera medo na pessoa adoecida, que acaba por não pedir ajuda ou procurar quem ajude quando necessário.
O preconceito em relação a pessoas que sofrem de transtornos mentais chama-se psicofobia. É um termo recente, mas que chama a atenção para as atitudes que ferem e é considerado crime. Falar sobre saúde mental, é falar sobre doença, sobre diagnóstico, modos de promoção de saúde, de informação. Só assim quebramos velhos padrões, e nos abrimos ao acolhimento do outro.
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