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Segunda-feira, 01 de Junho de 2026

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Incertezas

O setor cultural preso em uma nuvem de especulações

Incertezas
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A única certeza que o Setor Cultural de nossa cidade tem é a de que estamos todos cheios de dúvidas. 

Mesmo com as ondas de editais e a promessa de que 2021 pode ser um grande ano para o contexto cultural local, nossos trabalhadores estão envoltos por uma nuvem de especulações sobre os possíveis cenários para o desenvolvimento das práticas culturais de nossa cidade. 

Ainda não sabemos se teremos uma secretaria especifica para cuidar das demandas do setor. Demandas em quantidade e das mais variadas ordens. 

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Alguns trabalhadores já começam a duvidar da continuidade desse importante órgão de apoio e fomento à cultura. Outros, menos passivos, já demonstram irritação pelo que consideram falta de consideração com um setor cada vez mais importante e que vem se destacando como vetor fundamental nas diversas camadas do que chamamos de desenvolvimento. 

Especula-se que a Cultura poderia ser incorporada pela pasta da Educação. Para alguns trabalhadores, isso é um retrocesso e não combina (ou combina?) com o atual momento histórico. Para outros, ressabiados pelos constantes ataques no contexto nacional, esta junção parece ser uma tentativa de sufocamento nos moldes praticados em âmbito federal.  

O que se tem, até o momento, é essa nuvem de especulações e incertezas que ocupa as discussões nos grupos de WhatsApp de todos os segmentos culturais da cidade.  

São muitas incógnitas. 

Também precisamos saber como serão aplicados os recursos das emendas impositivas destinados para a SETUDEC em caso de extinção desta. 

O Repórter Guaibense teve acesso a planilha com os valores encaminhados por cada vereador através deste dispositivo de complementação/formação orçamentária municipal.  

Analisando as informações apresentadas nesta planilha, encontra-se o montante de R$ 864.643,00 destinado especificamente para as pastas contidas na Secretaria Municipal de Turismo, Desporto e Cultura e outros contemplados do setor.  

Do valor total, algo em torno de 790 mil reais tem como destino genérico a SETUDEC, e outros 70 mil reais tem destinos específicos (CTG Cruzeiro do Sul, CTG Gomes Jardim e Associação Tradicionalista de Guaíba).  Parte destes recursos, desde que haja uma visão técnica sobre as movimentações do órgão responsável, poderão ser utilizados nas ações de fomento à Cultura e de dinamização da economia criativa. 

Nesse ambiente de incertezas alimentadas por especulações, começam a surgir diversos grupos de discussão acerca dos caminhos culturais daqui para frente. Grupos formados por agentes culturais (trabalhadores da cultura, fazedores de cultura e artistas) debatem cada informação especulativa que aparece e, a partir das poucas informações, tentam encontrar algo de concreto que indique uma transição tranquila que continue nos mantendo no presente e impulsionando para o futuro. 

Torço para que todos os interessados possam sentar-se e conversar de forma madura e propositiva, levando em conta as necessidades do setor, que precisa estar unido e com vontade de conversar com seus pares para, organizadamente, ajudar a construir caminhos viáveis. Não podemos nos dividir e precisamos ter consciência de classe para que nenhum colega fique sem voz. 

Há a necessidade essencial de se estabelecer a ordem de prioridade das coisas fundamentais para o desenvolvimento cultural local. Não “colocar a carroça na frente dos bois” ou cair em esparrelas que podem tumultuar ainda mais as coisas. Precisamos “cravar pé” e manter o que temos de conquista, lutando para melhorar e seguir na construção dos próximos passos. As mudanças precisam ser graduais.  

A prioridade é manter o jovem Sistema Municipal de Cultura em atividade e fazer suas melhorias. Estamos durante o período de vigência do Plano Municipal de Cultura e é hora de fazer as devidas revisões deste. A Cultura, ao longo das últimas décadas, vem em um processo de profissionalização das condutas em busca de maior tecnicidade e sensibilidade nas ações. 

Precisamos, mesmo com mudanças de poder promovidas pelo processo democrático, manter uma postura de construção científica. Não se pode, indiscriminadamente, mudar o método de pesquisa durante o processo de construção de conhecimento. 

Não se trata de uma decisão meramente administrativa. O destino que a Cultura ocupa entre as pastas pode afetar positivamente o rendimento econômico e o desenvolvimento de nossa comunidade. Por outro lado, a má ordenação desta pasta pode ter efeito negativo incalculável e permanente. Por isso a Cultura deve ser tratada de forma ampla, muito além do que se vê nos palcos ou nas escolas. Deve ser inclusiva desde a prática até a apreciação. 

É em torno disso que o setor deve se concentrar. Manter o que pode servir de base para que haja melhorias e fortalecer o que foi construído historicamente. Tudo pode ser melhorado. Uma Secretaria, um Conselho, etc. Tudo pode ser evoluído para um nível superior. Porém, para ser melhorado, qualquer órgão deve permanecer vivo e animado. Recebendo pulsação de vida por meio de pessoas que entendem e amam a Cultura. 

Nós precisamos manter as bases e, sobre estas, construir o futuro que desejamos. Sobre escombros fica muito mais difícil fundamentar algo. 

O setor cultural está se organizando, mostrando que as ações desenvolvidas vão muito além de um passatempo para a pura satisfação pessoal e extrapolam os momentos de trocas esporádicas com a Educação. É uma cadeia de ativação diária. Não apenas quando há eventos ou “projetos culturais com apoio do poder público”.  

Somos muitos e trabalhamos de forma variada. Esta variedade de pontos de vista e zonas de interesse faz com que o ambiente de especulação se torne mais presente e ganhe ainda mais repercussão pela falta de concretude nas informações. 

Boa parte da curiosidade poderá ser saciada na apresentação do organograma de governo. A partir destas informações entregues para a Câmara dos Vereadores, poderemos entender de forma mais concreta os caminhos escolhidos pela nova gestão e, após isso, ver qual postura o setor deve tomar. De qualquer forma precisamos estar atentos para que tudo seja construído com a certeza de que estamos sendo escutados e que os processos estão sendo respeitados. 

Não podemos aceitar/promover nenhum retrocesso ou movimento precipitado. Entre a esperança de dias melhores e todas as incertezas destes tempos, vamos tentando planejar nossas vidas profissionais em meio a essa nuvem tensa e densa de interrogações. 

Precisamos de escuta e paz para trabalhar.  Depois trabalhamos nos próximos objetivos. 

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Isaque Conceição

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Isaque Conceição

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