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Segunda-feira, 06 de Julho de 2026

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Louco, psicodélico e brutal

Mandy

Louco, psicodélico e brutal
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Louco, psicodélico e brutal, assistir “Mandy” é pular sem paraquedas nos abissais despenhadeiros da mente de Panos Cosmatos, um insano devaneio visual do diretor trás um Nicolas Cage além do limite da fúria para enfrentar um grupo de violentos fanáticos religiosos numa jornada infernal de vingança e tudo mais que se possa esperar de um pesadelo alucinante durante uma má viagem de LSD.

Definitivamente meu pai diria:

- Deus que me perdoe, esse sim é um dos "Filmes do Junior"

Exibido (e elogiado) no Festival de Sundance em 2018, Mandy está no Netflix, é ambientado em 1983. O filme começa mostrando a idílica convivência de Red (Cage) com sua esposa, a Mandy do título (Andrea Riseborough). Mas essa paz é eventualmente destruída, quando o casal é atacado em sua casa por membros de um culto satânico/religioso liderado pelo demente Jeremiah (Linus Roache). O casal é capturado e brutalmente torturado por Jeremiah e seus seguidores, além de outros seres demoníacos que parecem acompanhar o culto. E falar mais sobre o que acontece à seguir seria um tanto redundante, já que é óbvio que Red embarca em uma jornada de vingança plena, violenta e sem volta.

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Com uma trama inspirada nos clássicos do cinema grindhouse dos anos 1970 como “O Massacre da Serra Elétrica”, “Aniversário Macabro” e “Quadrilha de Sádicos”, Panos constrói um visual onírico de cores saturadas, imagens granuladas, efeitos fantasma e flare de lentes em rima com a inclinação hippie do grupo de maníacos adoradores, que oferta drogas artesanais a horripilantes criaturas motoqueiras que parecem nascer do inferno estilo “Hellraiser”. Embebido pelo ego, o delirante Jeremiah acredita que pode entorpecer Mandy com suas químicas e eloquência a ponto de convencê-la a tomar seu lado. Para isso, o aspirante a Charles Manson invade a cabana de Red e realiza atos horrendos sob os olhos de ódio e desespero do lenhador, que não vê outra alternativa senão buscar vingança enquanto o sangue (es)corre quente

Narrado de maneira bastante pitoresca pelo diretor Panos Cosmatos (filho do falecido diretor George Pan Cosmatos), aqui em seu segundo filme. Assim como fez em seu filme anterior, o curioso Além do Arco-Íris Negro (Beyond the Black Rainbow, 2010), Cosmatos usa e abusa de cores berrantes e diálogos extensos em sua obra, o que funciona à favor e também contra o filme, percebemos muitos excessos, narrativos e estéticos, porém a atmosfera criada por Cosmatos permite a imersão em tal insanidade remete até aos trabalhos de Jorodowsky e do mestre David Lynch. Vale ressaltar também a sinistra e altamente eficiente trilha-sonora incidental à cargo do falecido compositor Jóhann Jóhannsson que ajuda a compor o clima extremo do filme.

Ao retratar um ator completamente dentro de seu elemento e um diretor em ascensão, ainda que de seu próprio modo, Mandy extrai o máximo possível desta união, e quem ganha é o espectador, especialmente aquele chegado a uma boa dose de insanidade violenta. Enfim, alguém para nos dar aquilo o que realmente importa no cinema:

“Mandy” estreou no festival de Sundance  galgou 100% de aprovação no Rotten Tomatoes.

Nunca experimentei um LSD, mas ao ver “Mandy” pela primeira vez, com Nicolas Cage um maníaco fazendo um machado de design medieval/futurista, uma gangue de motoqueiros mutantes, cena de um duelo de serras-elétricas... Acredito que o cinema mais uma vez entorpeceu meus sentidos e me fez experimentar através da tela tal sensação.

Sem a mesmice, marasmo que a muitos anos comanda esse estilo fílmico, em “Mandy” presenciamos um espetáculo gráfico da mais pura demência goresca! Sim, é um “Filme do Junior” e certamente muitos irão pressionar o “STOP” antes dos créditos iniciais (infelizmente), porém aqueles que conseguirem e quiserem saborear o poder de uma narrativa preocupada em trilhar caminhos essencialmente autorais, experimentará uma satisfação que vai muito além das fórmulas desgastadas do terror norte-americano e seus Spin-offs.

 

MANDY Official Trailer (2018)

Comentários:
Ivo Schergl Jr.

Publicado por:

Ivo Schergl Jr.

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