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Segunda-feira, 06 de Julho de 2026

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Filmes perdidos

CREEP

Filmes perdidos
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Ainda lembro de quando fui ao cinema e fiquei estarrecido com ”Bruxa de Blair”, um filme que parecia caseiro e que me fez sentir medo como nenhum antes, além do medo o sentimento que mais me lembro em relação ao filme era de admiração, achei genial a proposta ali iniciou esse subgênero de filme para mim. Todavia, o trabalho que inaugurou o estilo foi Cannibal Holocaust (conhecido no Brasil como "Holocausto Canibal"), filme italiano de 1980 dirigido por Ruggero Deodato. Atividade Paranormal popularizou o *found footage, filmes de terror que simulam filmagens ‘reais’. Esse estilo gera um grande lucro, já que o orçamento envolvido na produção é baixíssimo. Por causa disso, o subgênero é desgastado com inúmeros filmes de baixa qualidade, como Apollo 18 e Projeto Dinossauro. Mas quando a ideia é boa, narrativa coesa e a direção bem feita, não tem como um *found footage dar errado. Esse é o caso de Creep.

Enfim, Creep é um filme muito interessante. Ele causa um riso nervoso, consegue criar tensão e diverte com uma história, até certo ponto, original. Mistura suspense, terror e altas doses de humor negro. Você pode conferir essa pérola lá no catálogo da Netflix.

O ator e diretor Mark Duplass apareceu em filmes modestos e de baixo orçamento como “Hannah Takes the Stairs”, muitas vezes colaborando com seu irmão, Jay. Agora ele é um defensor independente, que ajudou a criar e estrelou "Togetherness" na HBO. Mas ele ainda tem um gosto por filmes básicos, como evidenciado por “Creep”, um filme de terror de duas mãos no qual ele estrela, dirigido por Patrick Brice. Brice também estrela, como Aaron, um cineasta de fala mansa, contratado por Josef (Sr. Duplass) para uma cabana rústica para um projeto pessoal, um vídeo a ser mostrado ao filho que ainda não nasceu Josef quando ele atingir a maioridade. Josef pode estar com câncer terminal, e quer deixar uma lembrança filmada para seu filho. Ou então ele diz. (Josef invoca o choro de Michael Keaton 1993, "Minha Vida", do qual "Creep", inicialmente, é uma espécie de variação distorcida). Gradualmente, Aaron descobre os hábitos angustiantes de Josef (uma tendência a compartilhar demais), posses (uma cabeça de lobo máscara, um machado) e necessidades, que são muitas (mesmo possivelmente homicidas).

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O conceito de found-footage atinge o ápice aqui, com os dois atores às vezes passando a câmera entre eles, como personagem. Os truques, é claro, estão nos visuais enervantes do hardware portátil e na edição. A maior parte da tensão está no desempenho do Sr. Duplass, que não se aproxima, digamos, do inquilino problemático do Sr. Keaton em "Pacific Heights" ou da fã obcecada de Jessica Walter em "Play Misty for Me". Mesmo assim, o filme é notável, considerando seus meios mínimos e surpreendente falta de derramamento de sangue, dado o gênero. Isso fica com você? Um pouco. “Creep” é classificado como R (menores de 17 anos exigem o acompanhamento dos pais ou responsável adulto), por violência e linguagem obscena.

O diretor e co-escritor Patrick Brice também conseguiu uma indicação ao Grande Prêmio do Júri no Festival de Sundance 2015 por seu drama The Onga instiga uma vontade de falar a respeito assim que termina. Poucos filmes hoje em dia conseguem isso. Mesmo dentre aqueles com tramas ultra complexas que ao fim não dizem nada de vernight - outro filme que perdemos nos cinemas locais.

O filme traz um vilão que vai do estranho ao engraçado, e do engraçado ao assustador de maneira natural. A empatia que ele causa no protagonista, acaba por causar no espectador também, já que fica a impressão de que apesar de ser um cara perturbado, ele não oferece perigo. Méritos para Mark Duplass, que consegue criar essa dualidade com uma atuação leve e cínica na medida certa.

Creep pode ser encarado como um filme caseiro que dois amigos resolveram fazer. Mas essa aura de “filme caseiro” está longe de significar amadorismo. Brice conduz o found footage de maneira muito competente, utilizando de câmera subjetiva para favorecer a imersão do espectador, além de usar do ponto de vista da câmera para captar tomadas com aspectos, locações e personagens diferentes.

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É no roteiro que o filme se garante. O ritmo da narrativa é bom e a trama brinca com as convenções dos gêneros terror e suspense, transformando os jump scares em momentos cômicos, trabalhando com as expectativas nas sequências mais tensas e principalmente nas mais paradas.

Por mais que todo *found footage termine do mesmo jeito, o público ficará aflito em querer saber como será o clímax. Creep consegue trazer um final anticlimax, você não espera o que vai acontecer. E quando chega, vem cru e inesperado.

Creep é um *found footage sensacional. O que tem de independente, tem de atraente. Te instiga, faz ficar intrigado e dá uns bons sustos. Tem cenas para deixá-lo com os nervos à flor da pele. E sua história é totalmente original. Sua segunda parte também está na Netflix, enquanto a terceira já foi confirmada.

 

*Found Footage (Filmes Perdidos, no Brasil) é um gênero de filme surgido nos anos 1980. Trata-se de um filme se passando por um documentário filmado com uma simples filmadora. Muitas vezes o estilo é usado para filmes de terror. 

 

Creep (2015) - Official Trailer HD

 

Creep 2 (2017) | Official Trailer HD

  

Lista de 10 "filmes do Júnior" Found Footage

 Holocausto Canibal (1980) Ruggero Deodato

Aconteceu Perto da Sua Casa (1992) - Rémy Belvaux, André Bonzel e Benoît Poelvoorde 

A Bruxa de Blair (1999) - Daniel Myrick, Eduardo Sanchez 

Atividade Paranormal (2007) - Oren Peli com Katie Featherston, Micah Sloat, Amber Armstrong, Ashley Palmer.

[REC] (2007) - Jaume Balagueró e Paco Plaza

Cloverfield: Monstro (2008) -  Matt Reeves 

Diário dos Mortos (2008) - George A. Romero

Contatos de 4º Grau (2009) - Olatunde Osunsami

O Caçador de Trolls (2010) - André Ovredal

Projeto X (2012) - Nima Nourizadeh

Assim na Terra como no Inferno (2014) John Erick Dowdle

Comentários:
Ivo Schergl Jr.

Publicado por:

Ivo Schergl Jr.

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