Repórter Guaibense

Sexta-feira, 17 de Abril de 2026

Colunas/Geral

O desafio de ser professor hoje

Entre os ideais e a realidade, como está nossa rotina e nosso emocional.

O desafio de ser professor hoje
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Já fui questionada em diversas fases da minha vida profissional sobre o que me levou a escolher o magistério. E a resposta, bem a resposta sofreu diversas alterações durante todo este tempo, mas sempre foi sobre como me sinto em aprender e ensinar, a motivação, o amor pela educação. Claro que o exemplo da minha mãe como professora e ser humano foi relevante, assim como tantas outras profissionais que conheci e ainda conhecerei ao longo da minha carreira. Mas neste momento, com todo este contexto pandêmico, a resposta é o fascínio que este universo exerce sobre a minha pessoa. Não me canso de aprender e de ensinar, de aprender a ensinar. E não pensem que romantizo a educação, pois vivo na pele todos os problemas que a cercam. Mas também é nela que penso estar o caminho para alicerçar um futuro melhor para todos.

Tenho observado meus colegas de ofício, os de longe e os de perto, os que não conheço pessoalmente, os que pouco conheço e os que conheço profundamente. Quem convive comigo ou acompanha minhas colunas sabe que trabalho em duas redes educacionais bem distintas, em municípios diferentes, cada qual com suas peculiaridades, seus pontos fortes, seus pontos fracos, seus erros e acertos, como em quaisquer outros setores da vida no trabalho. Nestes últimos tempos me emocionei ao ver, em ambas as redes, oportunidades de empatia e solidariedade, em auxílio a colegas e a alunos necessitados de ajuda, das mais variadas, de palavras, alimentos, roupas, calçados, medicamentos a óculos. Vi colegas irem na casa de alunos para levar tarefas escolares, fui também. Sim, isto faz parte da nossa rotina em alguns casos, também.

Não há como não ter fascínio por este universo, como não admirar e respeitar demais estes profissionais tão viscerais em seu ofício. Nós, professores, fomos obrigados a readaptar toda a nossa rotina de trabalho no ano passado, em pouquíssimo tempo tivemos que nos apropriar de uma tecnologia e multimeios para dar conta do recado, em alguns casos adquirir eletrônicos e acessórios, vimos o volume de trabalho se multiplicar, o plano de aula virou "tridimensional", pois precisou abranger alunos com e sem internet/computadores/celulares/tablets, nossa casa virou nossa sala de aula, e não vou aqui citar os aspectos pedagógicos de toda esta estrutura. Viramos experts em aplicativos como o Classroom, Meet, Zoom, Educarweb, Youtube, nossas redes sociais viraram redes educacionais como o Facebook, Instagram, Telegram, WhatsApp... Redução instantânea de privacidade

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Não nos surpreendemos mais com mensagens e questionamentos tarde da noite ou aos feriados e finais de semana, pois também somos pais, avós, irmãos, tios de estudantes, somos humanos, empáticos, solidários e compreendemos as dificuldades e as necessidades das nossas comunidades escolares. Somos entendedores de tudo o que a sociedade passa econômica, cultural e politicamente, passamos por isso junto, pois somos sociedade também, cidadãos! Esperamos ansiosos pela vacina, e ela veio, primeira dose ainda, mas já nos enchendo de esperança. Perdemos familiares e amigos, acompanhamos o caos na saúde, colapsos nos hospitais, falta de insumos, omissão e inércia do governo federal, oramos incessantemente pelo fim deste pesadelo. E em meio a tudo isto, estamos voltando ao ensino presencial, de forma híbrida.

Diariamente leio, por vezes ouço também, algum comentário do tipo “acabou a moleza dos professores”, “classe privilegiada que se acha melhor que as outras”, “estão de férias em casa por quase dois anos”, “não querem dar aula, se acostumaram em casa”, entre outros. E aí me vem o pensamento sobre como manter a saúde emocional, o equilíbrio? Não há receita pronta, ou se há eu desconheço. Procuro esperançar, crer em dias melhores, que isto tudo vai passar, inclusive o desrespeito que algumas pessoas nutrem por nós, pelo nosso trabalho. Olho para meus colegas professores e me inspiro na força e garra deles para não desanimar, vejo diariamente professores que levantam professores, de várias maneiras, por vezes até mesmo sem saber que estão inspirando, auxiliando, motivando. E estes momentos são algumas das coisas mais bonitas em nossa rotina.

Na minha humilde opinião, este retorno vai precisar estar focado em um primeiro momento na acolhida a alunos, familiares, professores e funcionários com carinho e atenção, pois todos retornam emocionalmente abalados. Depois será de fundamental importância um período para a realização de avaliação diagnóstica, verdadeira (não estas compradas prontas, descaracterizadas), ali entre aluno e professor, para identificação do ponto de partida a se tomar, pedagogicamente falando. E em um próximo passo, o planejamento significativo de ações que visem retomar, revisar, recuperar aprendizados, minimizando os prejuízos educacionais sofridos, mas sem pressa, sem exageros, sem atropelos, sem mais sacrifícios.

O desafio é gigante, mas não impossível! Unir e considerar o desenvolvimento emocional e cognitivo dos estudantes será ou deveria ser o objetivo maior deste retorno presencial.

      E os protocolos de segurança? Bem, cada rede educacional, cada escola possuirá seu COE, seu Plano de Contingência e/ou seu Plano de Ação. Se você é profissional da educação ou familiar/responsável por aluno, ou mesmo aluno, se informe na própria escola sobre estes aspectos. Mas no geral “nunca” esqueça de seguir/observar ou orientar seus filhos a seguir/observar todos os protocolos exigidos, sendo os principais: uso de máscara corretamente (cobrindo nariz e boca), lavar as mãos com água e sabão sempre que possível, uso de álcool gel para higienizar as mãos, uso de álcool líquido para higienizar superfícies (este feito por profissionais do estabelecimento), manter o distanciamento solicitado em cada ambiente, não compartilhar material escolar/alimentos/objetos, manter a ventilação natural dos ambientes, verificação de temperatura corporal, uso de tapetes sanitizantes nas entradas de ambientes, entre outros.

     Encerro citando Bráulio Bessa: “Um guerreiro sem espada, sem faca, foice ou facão, armado só de amor, segurando um giz na mão. O livro é seu escudo, que lhe protege de tudo que possa lhe causar dor, por isso eu tenho dito. Tenho fé e acredito na força do professor.” Eu também!

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Carmen Almeida

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Carmen Almeida

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