É de extrema importância que o que entendemos por família esteja aberto à constante redefinição. As configurações familiares estão em constante mudança, assim como o conceito de família. Nessa discussão, o Brasil vem sendo palco de recentes embates e redefinições acerca das temáticas LGBTI+, o que não vem sendo acompanhado em sua produção científica, quando comparada com o contexto internacional. No contexto não acadêmico, entram em cena aspectos como o reconhecimento da união estável entre pessoas do mesmo sexo, pelo Supremo Tribunal Federal, no início de 2011, além das decisões judiciais que favorecem a adoção por casais do mesmo sexo.
O Conselho Federal de Psicologia - CFP (2011) publicou uma cartilha acerca da promoção dos direitos das pessoas Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT). Os direitos das pessoas LGBT são uma das pautas que orientam as ações relacionadas aos direitos humanos e à consolidação das políticas públicas. O mesmo CFP lançou em 2008 uma cartilha intitulada "Adoção, um direito de todos e todas", em que apresenta argumentos que contribuem para fortalecer a luta pelos direitos LGBT, relacionados ao conhecimento do desenvolvimento da criança e do adolescente.
O Ministério da Educação, em parceria com a UNESCO, lançou em 2009 um documento para a discussão da homofobia nas escolas de todo o país. Segundo esse texto, que contou com a participação de importantes pesquisadores da temática no cenário nacional, a escola pode se configurar como um espaço de opressão, discriminação e preconceitos, em torno do qual existe um preocupante quadro de violência a que estão submetidos milhões de jovens e adultos LGBTI+ .
As novelas no Brasil são responsáveis por trazer novidades às casas daqueles que não possuem acesso a outras formas de comunicação e entretenimento. As novelas são como um texto da cultura do nosso país, ali tem elemento que emergem da nossa sociedade, por exemplo, temos beijo gay, a violência contra mulher, alcoolismo, desigualdade social, racismo, inclusão. Para além dos movimentos recentes de inclusão das temáticas LGBTI+ nas novelas, destacam-se os efeitos formadores de opinião pública da televisão como mecanismo poderoso de comunicação de massa. A pluralidade das sexualidades apresentadas em uma novela pode ser mais do que mapear e catalogar "tipos" e "formas de expressão" da homossexualidade, ou transexualidade, mas precisamente situar o tema como parte de nossa cultura.
Ao longo da historia da televisão os personagens LGBTI+ sempre foram apresentado como caricatos, piadas, algo exótico ou especulativo, promovendo debate, o que é bom porém, ao mesmo tempo, perigoso por reproduzir e produzir outros modos de discriminar.
Sempre compartilho minha experiência: sou um homem homossexual, ou seja, me reconheço como homem e me relaciono e tenho desejo por pessoas do mesmo sexo. Com a novela que está reprisando, temos a personagem da Ivana que, na época, rendeu muitos debates. Lembro que minha assistia atenta e tentava entender porque uma mulher não se sente bem com seu corpo e por que “virou” homem. Ela vinha a todo o momento me perguntar se eu não queria “virar” mulher, se aquilo não ia acontecer comigo. Eu ficava muito incomodado em ter que explicar algo que pra mim era muito óbvio e que tinha ali no google, nos canais do youtube falando sobre mas, entendia que precisava explicar por que ela não tem culpa se é tabu falar sobre essas coisas e por sermos carentes desses debates que são muito mais simples do que parecem.
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