I.
A beleza inaugurada
todo dia
Tatuagem na pele
do tempo
Casarão
em movimento
Onde mora
a poesia
II.
A margem do ano
e seus precipícios
o comício mudo
dos calendários
os abismos cotidianos
para onde desejo saltar:
O amor, a amizade
algum verso do Neruda
sobre o trigo
sobre a vida
o perfume urgente
das estações
III.
Essa vida:
pétala brusca
e comovente
Insiste em ser bela
mesmo quando doída
Insiste em ser toda
mesmo quando partida
Insiste em ser eterna
mesmo quando despedida
IV.
Se o teu dia
não corresponde
procura onde tu acha
que não estaria
O óbvio
às vezes esconde
o nome
da nossa alegria
V.
No dia que o olho
virar enchente
Faz do teu rosto
um leito
e não um dique
O aprendizado do pranto
é muito simples
Não há pele que trave o choro
nem tristeza que se eternize
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