O lugar dos vilões sempre foi à sombra dos heróis. Até que eles roubaram os holofotes e se tornaram o centro das atenções.

Ao longo de nossas vidas, somos apresentados a diversos vilões. A maioria de nós tem a referência do trabalho incrível de Heath Ledger como o personagem Coringa em "Batman: O Cavaleiro das Trevas", já "Malévola", Angelina Jolie dá vida a uma das vilãs mais detestáveis da Disney. Todos eles, no entanto, nos causam reações conflitantes, pois, adoramos aquilo que deveríamos odiar.
Mas por que muitas vezes torcemos pelos bandidos, como na série “La Casa De Papel”?

De acordo com Jens Kjeldgaard-Christiansen, um pesquisador da Universidade Aarhus, da Dinamarca, o motivo para o nosso amor por vilões tem suas raízes na Psicologia Evolucionista. Em um artigo publicado, ele argumenta que nós, humanos, desejamos aquilo que não entendemos, mesmo quando isso nos deixa repugnados.
"A psicologia evolutiva fornece um modelo básico para vilões de impacto: eles são egoístas, exploradores e sádicos. Eles contrariam o ethos (conjunto de traços e modos de comportamento) pró-social da sociedade. A psicologia social incorpora esse modelo nas interações dos personagens, oferecendo mecanismos pelos quais comportamentos cruéis podem ser realizados", explica um trecho do artigo.
É como aquela cena clássica dos filmes de terror em que você olhando de fora, é capaz de dizer que não entraria no lugar escuro onde ouviu um barulho, é evidente que tem algo ali, mas o personagem continua indo. A curiosidade e o mistério entram em conflito com o medo, mas ao mesmo tempo andam juntos.
Se você é um fã de "Star Wars", provavelmente concorda que conhecer a história por trás de Darth Vader é uma parte importante ao longo dos filmes da saga. O que levou Anakin Skywalker a se tornar o mais poderoso vilão da galáxia? Como pode uma pessoa “normal” ir para o lado negro da força?
É justamente esse tipo de dúvida envolvendo o vilão que nos atrai, segundo os pesquisadores. Para equilibrar esse fascínio, normalmente os criadores desses vilões da ficção utilizam o fator “repulsa”, não porque o filme é ruim, mas sim algo no personagem que nos afaste, causando nojo, para compensar aquilo que nos atrai, como por exemplo, a pele derretida do Freddy Krueger.

Mas ultimamente os vilões engraçados e atraentes andam ganhando espaço nas telas, fazendo com que torcêssemos para Loki, o deus da mentira e trapaça, dando a ele uma série como protagonista, ou um filme para a Cruella de Vil a estilista malvada, tornando assim, quase impossível odiá-los.
Então, não se sinta estranho por gostar do Diabo na série “Lúcifer” ou por não conseguir odiar o Negan em "The Walking Dead”, isso faz parte de ser humano. Bem vindo ao time!

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