Atualmente, a palavra empatia tem sido utilizada com muito mais intensidade. Talvez isso se deva ao fato do tempo que vivemos, e a necessidade de maior acolhimento que estamos sentindo. As manifestações de afeto tiveram que ser modificadas e outras criadas para que com distanciamento possamos fazer conexões. Mas falando em empatia, de forma simples, ela significa ter uma capacidade de se identificar com outra pessoa e de sentir o que ela sente. É uma capacidade de pensar e elaborar apoio ao outro, seja de forma social ou afetiva. Diria que as lentes da empatia me colocam num lugar de proximidade que me faz ver o outro com o olhar de sua perspectiva.
O que há de mais lindo na empatia a meu ver, é que ela nos tira da prática individualista e nos leva numa esfera de proximidade com o outro e com o que ele pode estar sentindo, sem necessariamente ser o que eu sinto. A empatia quando fingida, camufla uma prática individualista de ajuda. Torna-se uma fantasia para se atingir algo que seja comum a todos, e com isso lucro. É como se fosse uma encenação. Coloca-se a disposição do outro, mas para sustentar uma imagem de simpatia, ou de fazer com que a etiqueta se cumpra, do que realmente estar a disposição do outro e da sua necessidade.
No mundo polarizado em que estamos vivendo, onde habitar em extremos é o comum, a empatia tem encontrado dificuldade de espaço. Pois ser empático significa também respeitar e compreender o outro. Receber uma atitude de abertura para que o outro se inclua no seu problema, e com isso seja acolhedor, abre espaço de interação entre as pessoas. É vestir o sapato do outro na caminhada para ver o quanto está desconfortável o andar e poder servir de apoio em meio às pedras. Quando sou empático, abro o foco das coisas que acredito e permito colocar luz sobre o que o outro vê, mesmo que isso não seja para mim o principal. Com isso, respeito o que o outro sente, mesmo que para mim, não tenha o mesmo significado. Gera conexões cognitivas e afetivas.
Ser empático é uma habilidade que pode ser desenvolvida. E com isso, pode gerar uma melhora nas relações interpessoais e vínculos. Traz mudanças na área emocional, cognitiva e comportamental, além de propiciar um processo de aprendizagem de comunicação e afetividade. É pensar que o outro pode sentir, de forma diferente da minha e que isso não precisa nos afastar, mas posso procurar compreender os sentimentos dele e valorizar o que é vivenciado por essa pessoa. Em suma, ser empático é um fator de proteção de vulnerabilidade tanto social quanto psíquica e nos dá uma condição de resiliência nas adversidades.
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