Queria compartilhar a experiência de ser psicoterapeuta individual, de famílias e casais e a questão sobre o índice de suicídio na população LGBTI+.
Nos mais variados ambientes, essa população ainda enfrenta muitos preconceitos e dificuldades na garantia dos seus direitos humanos básicas. Quando chegam para a psicoterapia, ao longo dos atendimentos, relatam a falta de diálogo com a família (não falar sobre), piadinhas e exclusão na escola e espaços religiosos, dificuldades de acesso ao mercado de trabalho.
As barreiras sociais criadas pelo preconceito atravessam o corpo desta população, ou seja, sentem inúmeras mensagens negativas impostas socialmente desde pequenos.
O preconceito contra essa população é algo estrutural na sociedade. É na família, sejam quais forem às configurações, que podemos vivenciar experiências de cuidado, como também experiências de abandono e rejeição. A escola colabora (re)produzindo os modelos impostos na sociedade. A religião pode contribuir significativamente para a manutenção das ideias, do que é normal ou não, das identidades de gênero. Esses fatores relacionados contribuem de modo muito significativo para um sofrimento tão grande a ponto de adoecer os sujeitos levando a transtornos de ansiedade, depressão, uso de drogas e, até ao suicídio.
Afinal... Quem gosta de se sentir excluído todos os dias? Quem cresce escutando que aquilo que si é, é doença, errado, falta de pai ou falta de Deus?
Falei na coluna passada que Guaíba é amadora em politicas públicas para a população LGBTI+, e reafirmo aqui.
Diversos pesquisadores apontam uma maior vulnerabilidade a ideações, tentativas e suicídios da população de certos grupos sociais, como Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais esse índice é resultante do estigma, violência e preconceito sofrido por esses sujeitos em razão da sua sexualidade/identidade de gênero. O Estado, ao negar direitos a população LGBTI+, contribui para o aumento do estigma social dirigido a essa população.
Não adiante criar um Dia da Diversidade na cidade e não criar leis rigorosas que protejam a população LGBTI+, não adianta, apenas, apoiar uma Parada Livre se essa população não se sente segura para ser quem são nos espaços públicos.
Para finalizar o texto de hoje quero compartilhar uma cena pessoal:
Estava eu, meu namorado e minha mãe tomando café em casa e conversando. Na época certa figura estava concorrendo à vereança na cidade.
Minha mãe disse: “fui no Regional consultar. Estava horrível a organização e atendimento” (minha mãe tem 30 anos de trabalho na saúde). “Uma senhora começou a puxar assunto sobre o hospital comigo dizendo que a saúde estava horrível e eu comentei que havia um rapaz que prometia melhorar a saúde na cidade. Foi então que a senhora respondeu pra mim: "Haaa mas esse rapaz até viado é!". Eu respondi pra ela: "e o que isso tem a ver com a saúde?". A senhora ficou sem jeito.
Quando a mãe terminou de contar a história ela fez uma pausa, olhou pra longe como quem refletia e disse: “aquilo me incomodou tanto”. Eu olhei pra ela e disse: então mãe, são 10 anos desde que entendemos que sou gay e, agora, depois de uma década você está começando a sentir o que a gente sente todos os dias.
A gente precisa fazer circular o dialogo e falar sobre esse tema e população mas, com crítica, com cuidado, com atenção e sensibilidade. Não temos a mínima noção do quanto somos violentos uns com os outros.
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